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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Desafio Suco

Depois do Desafio Pão de Queijo, resolvi me lançar em uma nova empreitada. Primeiro porque gostei da peregrinação por Belo Horizonte. Segundo porque comi um monte de coisa gostosa. E terceiro (e talvez o mais bacana) porque sinto que conheci mais sobre a cultura da minha cidade e do meu país assim.

Como estou numa fase muito saudável da minha vida escolhi testar todos os sucos de BH e fazer o Desafio Suco! O esquema é o mesmo do anterior: tomei como base a revista Veja Comer e Beber em Belo Horizonte. Na revista há uma lista com os 10 "melhores" sucos da cidade. Coloquei melhores entre aspas pois, obviamente, há controvérsias. Duvido muito que os jurados visitam todos os estabelecimentos para dizer qual deles é o melhor. Uma das formas mais fáceis de comprovar isso está na própria revista, pois alguns jurados votam em um local que sequer aparece na lista dos 10 "melhores". Dessa vez, além da lista oficial coloquei também a lista dos jurados. Foram 12 sucos no total.

(No Néctar da Serra o cliente pode escolher se vai bater sua bebida com água, suco de laranja, leite, iogurte, água de coco ou sorvete de creme. Foto tirada desse link)

Julgar sucos foi difícil. Primeiro tive que estabelecer algumas regras básicas. A primeira delas foi excluir qualquer mistura que tivesse algum tipo de bebida alcoólica. A segunda foi sempre pedir o tamanho médio (500 ml) para ver se a bebida enjoava depois de um tempo. A terceira, e mais difícil, foi decidir não provar a mesma coisa em todos os lugares. Julgar coisas iguais é complicado. É preciso um paladar apuradíssimo. Vamo supor que eu escolhesse pedir suco de laranja e acerola em todos os lugares: como diferenciar 12 sucos iguais?

Mas esse nem era o mais problema, pois talvez desse certo. O problema mesmo é que eu seria injusta em pedir a mesma coisa em todos os lugares. E se o suco mais famoso de um lugar "x" fosse todo feito com frutas da Amazônia? E se a graça do estabelecimento "y" fosse um suco com 5 tipos de frutas diferentes? Eu ia chegar e pedir um simples laranja com acerola? Assim, decidi chegar no lugar e perguntar sempre a mesma coisa: "qual o suco que sai mais? O que você me indica?". A resposta seria o meu pedido.

(Vai por mim, trocar o refri por um suco é sempre a melhor opção! Foto tirada desse link)

Segue abaixo a minha lista pessoal dos sucos da revista Veja Comer e Beber em Belo Horizonte 2009-2010, do pior para o melhor. O preço que aparece diz respeito ao suco que pedi. Em quase todas as lojas o valor varia de acordo com a combinação escolhida.

Ah, a propósito, assim que acabei o desafio chegou a revista 2010-2011. Em uma rápida comparação vi que dois endereços daqui haviam saído e um endereço tinha sido incluído, a lanchonete Smoo. O local foi inaugurado em dezembro passado e serve smoothies, um tipo de bebida feita com suco e sorbet, um sorvete a base de água. Na dúvida, provei também! A mim, ele parece mais um milk shake do que um suco pelo fato de ser extremamente cremoso e gelado como um sorvete, por isso não inclui na lista.

Açai Sabor e Energia
O nome do suco que a moça disse que mais saía era Energimix, com guaraná em pó, xarope, açai, frutas, mel, limão, granola e leite. Achei incoveniente só ter sucos de 700 ml. Como não tinha tempo de beber tudo lá, falei que queria levar. Eles me entregaram o suco em uma embalagem horrorosa que dava até nojo de beber depois. Não queria falar dela, já que isso não tem lá muito a ver com o gosto do suco, mas não consegui fingir que isso não aconteceu. O suco é ruim. Açai no suco é um erro. Se você quer suco de açai ok, mas se você quer açai com outra coisa pode esquecer porque tudo fica com gosto dessa fruta. Só senti gosto de açai, granola batida e mamão (quer dizer, eu acho que era mamão).
Endereço: Rua Pouso Alegre, 1154 - Floresta
Preço: R$ 6,50 - 700 ml

O Ponto da Energia
O pior atendimento de todos. O moço só falava "todos saem muito". Foi a única vez que escolhi o suco sozinha. Pedi o anti-fome, um suco estava indicado na revista, mas eles não serviam. Fiquei me perguntando quem escreve as matérias na Veja e como fazem para terem informações tão erradas. No fim, o suco que escolhi tinha agrião, própolis, limão, mel, acerola, laranja e xarope de guaraná. Eles bateram tanto que o suco ficou ralo. Só dava pra sentir o gosto de guaraná e agrião (e o azedinho da laranja e da acerola). Bem mais ou menos. E, pra completar, enquanto estava olhando o cardápio vi que eles colocam o suplemento abulmina em alguns sucos. Isso é errado, não?
Endereço: Rua Pouso Alegre, 884 - Floresta
Preço: R$ 2,00 - 300 ml / R$ 3,00 - 500 ml / R$ 4,50 - 700 ml

Guaraná e Cia
Não sei o que dizer sobre esse suco. E isso não é bom nem ruim, eu simplesmente não tenho palavras porque não tenho com o que comparar. Diferente, gostoso, estranho, sei lá. Tomei o Raimundão, com guaraná em pó, xarope, amendoim, castanhas de cajú e do Pará, mel, limão, catuaba, marapuama e leite. Como uma das regras é nada de bebidas alcoólicas, pedi pra tirar. Perguntei se mudaria o gosto e ele disse que não pois o que mais realça é o leite e o amendoim. Ia tirar a catuaba e o pó de marapuama, que vinham juntos. Quando vi o suco rolou um preconceito porque ele tinha uma cor feia, meio marrom claro. Mas que cor teria algo que mistura leite, amendoim e guaraná, afinal? Enfim, era gostoso. Como disse o moço, só senti gosto de leite, amendoim e castanha, muitos pedaços de amendoim e castanha, por falar nisso. Nada de economia. É um suco pra dar aquela "sustança". Estava exageradamente doce, mas bom. Peculiar, eu diria.
Endereço: Mercado Central (Av. Augusto de Lima, 744 - Centro), loja 130
Preço: R$ 3,70 - 500 ml / R$ 7,00 - 750 ml

Sabor Sutil
Foi a loja mais feia que visitei. Se não estivesse na revista jamais entraria lá (mais um dos motivos que me fazem duvidar dessa lista da Veja). O garçom me disse que o mais vendido era o de frutas: abacaxi, laranja, banana e mamão. Pedi um suco e ganhei uma vitamina. É bem pesado, mas se essa é a proposta, eles cumpriram bem, pois estava gostoso. Para o meu gosto um pouco de água caía bem.
Endereço: Rua Inconfidentes, 978 - Savassi
Preço: R$ 3,50 - 400 ml

Ponto do Açai
Escolhi o Suco do Ponto, com morango, framboesa, amora e melancia. Uma mistura de frutas vermelhas. O suco é encorpado e muito refrescante, principalmente pelo fato de o gelo vir triturado e não em inteiro. O morango e a amora se destacavam mais. Em compensação, não senti gosto nenhum de melancia e o achei o suco um pouco aguado... O atendimento foi ruim. Ninguém sabia me indicar o que mais saía, nem a própria dona. (Só um P.S.: para mim, essa é a casa com o melhor creme de açai da cidade! Não se pode ser bom em tudo...)
Endereço: Rua Passatempo, 558 - Sion
Preço: R$ 4,90 - 300 ml / R$ 5,90 - 500 ml

Carioca da Esquina
A loja estava uma zona. Talvez fosse o horário... era 18h e parecia que todo mundo que saía do trabalho passava lá. A dona era a única para atender todo mundo enquanto as cozinheiras serviam. Ela foi um tanto grossa: pedi uma opinião e ela me disse ironicamente para escolher sozinha. Quem me deu a dica foi uma das atendentes, muito simpática, por sinal. Ela me disse para pegar o Arpoador, com laranja, tangerina e hortelã. O mais refrescante de todos os sucos que experimentei. Porém, estava ralo. Não sei se a culpa é dos ingredientes, mas...
Endereço: Rua Levindo Lopes, 293 - Savassi
Preço: R$ 3,90 - 300 ml / R$ 4,90 - 500ml

Sucos Du'a
O mais legal dessa loja é que ela é completamente natural. Todas as frutas, hortaliças e legumes ficam expostos na frente do cliente. Tanto que no cardápio não tem misturas com amora, cupuaçu e outras frutas como essas pois o dono não usa polpa. Ponto pra ele! Provei o de laranja, gengibre e maçã. Não gosto de gengibre pois me lembra remédio pra gripe, mas tinha pouco e estava gostoso. Pra quem não gosta de pedaços de fruta no meio do suco não é uma boa opção. A maçã, por exemplo, deixa aquela papa na boca (sabem qual?). Como eu gosto, estava ótimo.
Endereço: Rua Antônio de Albuquerque, 133 - Funcionários
Preço: R$ 4,80 - 500 ml (tamanho e preço únicos).

Vitale
A moça me deu duas opções. Uma delas era o suco de guaraná, mel, limão e gengibre. Além de ter cansado desses sucos fortes com guaraná, me pareceu uma opinião muito pessoal. Assim, fiquei com o de morango, kiwi e laranja. O lugar era lindo (associado a uma academia), o pessoal bem bacana e o suco ótimo. Dava pra sentir o gosto das três frutas. Tinha um pedaço de polpa solto no suco. Achei que era gelo e só percebi a diferença quando coloquei na boca e mordi. Fica feio para o cliente, parece que bateram pouco a polpa... mas até achei uma boa ideia: gelo com gosto. Porque ninguém fez isso ainda?
Endereço: Rua Pernambuco, 618 (loja 2) - Funcionários
Preço: R$ 4,00 - 500 ml

Deck do Guaraná
A moça do caixa era super simpática e me disse que um dos mais pedidos era o Super C, com guaraná, hortelã, laranja e acerola. Tem um gosto forte e muito bom. O guaraná e o hortelã são bem acentuados. Já a laranja e a acerola parecem uma coisa só, você sente um azedinho gostoso lá no fundo, contrastando com o doce do resto do suco.
Endereço: Av. Bandeirantes, 809 (loja B) - Sion
Preço: R$ 4,50 - 300 ml / R$ 6,50 - 500 ml

Recanto do Açai
Sabe quando você fica triste ao perceber que aquele sorvete maravilhoso está chegando ao fim? Foi assim que eu me senti mesmo depois de quase 400 ml do suco. Estava muito bom! Quando vi o cardápio me perguntei porque esse lugar estava na lista, já que a maioria dos sucos só misturava duas frutas (quando não era uma só). Sempre que a gente escuta sobre sucos pensa em 3, 4 ou 5 sabores misturados. Mas, afinal, de que adianta um monte de frutas que não ficam bem juntas. Acho que eles pensaram nisso e, para descomplicar, preferiram oferecer um cardápio simples. E são ótimos no que fazem!
Endereço: Av. Alfredo Camarati, 249 - São Luiz
Preço: R$ 5,00 - 500 ml (tamanho único).

Néctar da Serra
Queridinho da Veja, o Néctar da Serra vem ganhando o primeiro lugar desde que a revista existe. Não por menos. A começar pelo atendimento: a moça do caixa foi super simpática e me deu várias dicas. Quando eu perguntei qual era o mais pedido de todos ela me indicou o de laranja, amora e framboesa. Uma delícia! Parecido com o do Recanto do Açai, mas ganha pela variedade do cardápio e por ter três sabores, todos muito bem definidos.
Endereço: Av. Bandeirantes, 1839 - Mangabeiras ou Rua Santa Rita Durão, 929 - Savassi
Preço: R$ 5,00 - 400 ml (tamanho único).

Marietta
O Néctar que me perdoe... mas o suco do Marietta estava muuuuito bom! Por coincidência, eles eram bem parecidos. Provei o de laranja, amora e morango. Era bastante encorpado e deu pra sentir o gosto das três frutas, além das sementes de morango, que deixam o suco bem natural. O atendimento também foi certeiro: "qual que sai mais?", "laranja, morango e amora", então é um desse mesmo". E bingo!
Endereço: Pátio Savassi (Av. do Contorno, 6061 - Savassi), loja 135 ou BH Shopping (BR 356, 3049 - Belvedere), loja OP 66 ou Diamond Mall (Av. Olegário Maciel, 1600 - Lourdes), loja Bg 63
Preço: R$ 5,90 - 500 ml (tamanho único).

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Comidas bizarras

A culinária move o mundo. Ou pelo menos parte dele. O turismo gastronômico é tão importante quanto qualquer outro tipo de turismo. Isso porque você pode não visitar as Pirâmides do Egito, mas não vai passar mais de um dia sem comer. Para alguns, os bares e restaurantes são meros coadjuvantes. Você passa por ali, está com fome, o cheiro é bom. Você entra e come. Para outros, eles são a principal atração.

As pessoas viajam para comer coisas gostosas, claro. Mas podem viajar também para experimentar a culinária típica de uma cidade "x". E isso não quer dizer, necessariamente, que ela terá um paladar agradável. Isso porque o que é bom aqui não precisa ser bom do outro lado do mundo. Há tempos, em uma matéria do programa Fantástico, pediram para chineses do interior e italianos da região de Sardenha trocarem a iguaria mais apreciada em suas cidades.

Os chineses lhes deram ovos imperiais. Esse ovo fica enterrado cerca de um ano e só apreciado em dias festivos. Sua clara fica com um tom marrom escuro meio transparente (parece como o ambar dos filmes Jurassic Park) e a gema fica preta. Já os italianos lhes deram um Cazu Marzu, um queijo mofado que tem até larvas vivas no meio. Qual era pior? Nem sei... Mas ninguém conseguiu comer a iguaria da outra família.

(O ovo imperial e o queijo com larvas. Qual desses você encara? Fotos tiradas desse e desse link)

Outro "maluco" é Andrew Zimmern, o apresentador do programa Bizarre Foods. A propaganda já diz: "Em um mundo de covardes, este homem é um herói". Para mim, ele é mesmo um herói. Não comeria nem um quinto das coisas estranha que ele come. Claro que ele vai no país e experimenta de tudo, o que de ruim e o que hé de bom. Mas o que há de ruim é tão exótico que eu jamais aceitaria o emprego.

Nessa onda, o jornal norte-americano The Times fez uma lista que contém as 10 comidas mais bizarras do mundo. Eles não tem ovo imperial ou queijos mofados. Mas também, nem precisam. Eles seriam só o aperitivo...

1. Cheseecake de jacaré: um animal como esse virar sobremesa parece piada. Mas o café Jacques Imo, em Nova Orleans (Lousiana - EUA), prepara essa torta.

(Se ninguém me falasse que era de jacaré eu até comia. Parece bonito! Foto tirada desse link)

2. Melão amargo: qual é a graça de comer uma fruta que não está doce, afinal? Esse melão é cultivado e servido em países da África e da Ásia.

3. Língua de sangue: na Alemanha, essa fatia de carne feita, na verdade, de sangue, é recheio de sanduíches. O coleguinha que fez essa matéria para o The Times jura que é uma delícia (mas eu duvido).

4. Joelho de galinha: alguma coisa que não é estranha para os mineiros. Não que aqui em Minas isso seja considerado uma iguaria ou coisa do tipo, mas conheço muitas pessoas que comem joelhos de galinha numa boa. O prato é chinês.

5. Haggis: este o Andrew Zimmern já comeu, e foi um dos episódios mais nojentos que eu jé vi pois eles mostraram todo o processo. Haggis é uma receita escocesa: estômago de carneiro recheado com pedaços de coração, fígado, pulmão e banhas em molho de sangue. Blergh!

(Olha que esse ta bonitinho. Tem uns com pedaços de gordura gigantes. Foto tirada desse link)

6. Lagosta viva: a "frescura" dos alimentos toma sua forma extrema nesse prato asiático. Metade do animal é cortado em pequenos pedaços e a outra metade colocada em um bloco de gelo para conservar seus reflexos motores. O bichinho é capaz de ver as pessoas lhe devorando.

7. Natto: é super nutritiva e faz muito bem para o corpo, mas muito mal para o paladar. A soja é cozida por 6 horas até a bactéria Bacillus subtilis natto surgir na mistura. Depois, "a coisa" é fermentada por 24 horas e envelhecida por uma semana. Soja, tinha que ser japonês...

8. Cacto espinhoso: é uma planta encontrada em diversas regiões áridas das Américas. No México ela se tranforma em comida. Para isso, os espinhos são removidos e o resto da planta pode ser servido grelhado, frito, ensopado...

9. Larvas grelhadas: Viscoso, mas gostoso. Esse deveria ser o "subtítulo" dessa comida australiana. Os cidadãos do país devem ter feito algum esforço para olhar para essas larvas, encontradas na raiz de certos arbustos, e acreditar que elas dariam em algum aperitivo. Algumas soltam esguichos. Eca!

(Larvas com torradas, folhas e tomate... mesmo assim não desce. Foto tirada desse link)

10. Teta da vaca: incrível como nada da vaca é desperdiçado. Na Toscana (Itália), enquanto os ricos comiam as partes nobres os pobres ficavam com o que sobrava. Hoje, é filé de sanduíches.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Desafio Pão de Queijo

Todo ano, a Revista Veja lança o "comer e beber" de todas as capitais brasileiras. A ideia é pegar um time de especialistas para analisar os melhores bares, salgados, cachorros quentes, vinhos, chefs, pastéis e tudo o mais que se relacione a comida e bebida em cada uma dessas cidades.

O Brasil é um país imenso e tem uma culinária vasta. É por isso que a revista de cada capital traz suas peculiaridades. A de Fortaleza, por exemplo, enumerou as melhores tapiocas e a de São Paulo tem um ranking com a melhor feijoada. A de Belo Horizonte, como não podia deixar de ser, fez uma lista com os 10 melhores pães de queijo.

(Já vi muita gente cair de quatro por esse delicioso salgado... principalmente os estrangeiros. Foto tirada desse link)

Assim que a revista chegou na minha casa, em novembro de 2009, me lancei no Desafio do Pão de Queijo (para lembrar a minha amiga @eusouatoa e seus desafios gastronômicos). Fiz um pequeno mapa de BH e fui destacando os melhores roteiros. Como não tinha pressa em terminar - na sexta-feira passada comi o último da lista - anotava minhas impressões em um caderno a fim de não esquecer o gosto e as particularidades de cada um.

Não sou uma crítica culinária nem tenho o melhor dos paladares, mas como mineira que sou entendo um pouco de pão de queijo e tinhe uma curiosidade enorme em saber se essa lista fazia mesmo sentido. Ao longo do Desafio, algumas dúvidas foram surgindo. Primeiro: como eles montam essa lista? De onde surge os 10 nomes que compõem a revista em cada categoria? Compreendo a dificuldade de provar cada pão de queijo vendido em BH. Cada bar, restaurante, lanchonete, padaria e supermercado da capital vende um pão de queijo. Tirando os lugares que não têm receita própria, ainda sobram muitos.

Outra: será que os 11 jurados listados foram a todos os estabelecimentos provar do quitute? Afinal, eles eram jurados da categoria "comidinhas", que inclui café expresso, sanduíche, chocolate... Se pegarmos uma média de 10 estabelecimentos por categoria temos um total de 110 estabelecimentos para visitar. Alguns bonitos, outros nem tanto, outros nem um pouco. Além do mais, os jurados destacaram pães de queijo que sequer estavam na lista da Veja. Estranho...

Enfim, fiquem com as minhas questões e, se souberem ou tiverem alguma dica, me ajudem a respondé-las.
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(Imagem do pão de queijo campeão versão coquetel (menor que o normal para servir em festas e recepções). A loja faz mais de uma tonelada do quitute por dia. Foto tirada desse link)

A conclusão disso tudo - além do fato de que listas são sempre controversas - é que não vale a pena ir aos últimos estabelecimentos com a ilusão de que, mesmo estando nos piores lugares do ranking, ainda estão entre os 10 melhores. A lista da Veja não apresenta os 10 melhores. Ora, estamos na terra do pão de queijo e existem centenas de opções por aí. A mãe de um amigo, por exemplo, tem uma receita caseira que é digna de primeiro lugar. E olha que nem pode ser uma opção, pois ela não comercializa. Como você pode ver, fazer uma lista é até pecado.
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Abaixo, minha classificação pessoal para os pães de queijo, do pior para o melhor:

Pão de Queijo Luciana
O lugar é bem feio. O meu pão de queijo (e todos daquela fornada) estava um pouco queimado queimado na parte que fica virada para a forma. Não quer dizer que é sempre assim, mas se um jurado chega lá e come um desses pega mal. Ele é até gostoso, mas vai chegando no final e você já está louco para acabar de tão salgado que é. Foi o mais salgado que comi. Quando acabei, comi um grande pedaço de bolo, e bem doce.
Endereço: Av. Álvares Maciel, 670 - Santa Efigênia
Preço do quitute: R$ 1,00

Tropical Pão de Queijo
O lugar é feio e muito mal apresentado. Fiquei pensando o porquê de a Veja ter ido até lá para provar o pão de queijo... se não for um motivo histórico ou indicação de alguém não sei o que é. Eu nunca entraria lá com a esperança de encontrar algo bom. E relamente não encontrei. Me entregaram um salgado frio. Dava pra ver que se estivesse quente seria melhor, pois tinha pedacinhos de queijo lá dentro que não estavam derretidos. Faltava um pouco de sal e era muito tão gorduroso que joguei 1/3 fora.
Endereço: Rua Carijós, 640-A - Centro ou Rua Tamóios, 887 - Centro
Preço do quitute: R$ 1,00

Kero Kero Pão de Queijo
O pão de queijo não tinha um aspecto muito bom. A casca parecia seca, meio esbranquiçada (igual nossa pela quando não está hidratada). Sabia que isso era sinónimo de pão de queijo com muito polvilho, e quando o pão de queijo tem gosto de polvilho, e não de queijo, tem alguma coisa errada. Estava bom, mas o excesso dessa farinha o deixou meio insoso.
Endereço: Rua Sergipe, 1516 - Savassi
Preço do quitute: R$ 1,20

Vovó Mariquinha
Foi o primeiro que comi e, mesmo sem provar os outros, sabia que este não seria o melhor. O sabor do polvilho também é muito acentuado. Estava mais para um biscoitão de polvilho do que para pão de queijo. Também estava um pouco frio. A receita é da avó dos proprietários, criada em Peçanha, interior de Minas.
Endereço: Av. Afonso Pena, 2382 - Funcionários
Preço do quitute: R$ 1,20
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Ki-Delícia Pão de Queijo
Gostoso, mas muito massudo. Quando acaba, fiquei com a aquela sensação de que estar empazinada. Também faltou um pouquinho de sal, mas nada que comprometesse tanto o sabor.
Endereço: Praça Levi Coelho da Rocha, 5 - Centro
Preço do quitute: R$ 1,20

Pão de Queijo & Cia
Estava bem quentinho e desmanchava na boca... até demais. Tem gente que adora, mas para mim isso quer dizer muita gordura. Estava realmente muito gorduroso.
Endereço: Rua Rio de Janeiro, 1129 - Centro
Preço do quitute: R$ 1,00

Dona Diva Café e Quitandas
Palmas para a sinceridade. Pedi um pão de queijo e a vendedora me disse, sem hesitar: "Está um pouco frio. Ocê quer mesmo assim?" Claro! A massa é diferente das demais, não grudava na boca e é bem escorregadia. Peca pelo sal: não é tão salgado assim, mas depois que acabei fiquei com sede.
Endereço: Mercado Central (Av. Augusto de Lima, 744 - Centro), loja 163
Preço do quitute: R$ 1,50

Pão de Queijo Mania
O local era agradável e assim que olhei para o pão de queijo fiquei com água na boca. Na hora que ele vai para o forno ele fica meio aberto, deixando um pouco de queijo torradinho por fora e um pouco de queijo derretido por dentro. No início nem sabia se o classificava como 2º ou 3º lugar. Só o coloquei aqui pois não é tão saboroso quanto o próximo.
Endereço: Rua Guarani, 482 - Centro
Preço do quitute: R$ 0,90

Confeitaria Tupis
É o melhor custo/benefício sem sombra de dúvidas. Você leva o segundo melhor pão de queijo da capital por apenas 0,60 centavos. A casa tem uma promoção de 4 unidades por 2 reais. E quer saber? Não resista! Mas leve os outros para casa porque um só já é um lanche e tanto, pois é um pouco massudo. Como o fluxo de pessoas é muito grande, a cozinha prepara novas fornadas a cada minuto e a chance de pegar um pão de queijo frio é quase nula. Dá pra sentir um pouco da mussarela que não derreteu lá dentro. Hum... A receita é dos bisavós do proprietário.
Endereço: Rua Rio de Janeiro, 810 - Centro
Preço do quitute: R$ 0,60

Verdemar
Realmente, o melhor. A diferença é que eu sei exatamente o que os outros pães de queijo podem fazer para ficarem melhor. Nesse eu não tenho nenhuma crítica. Sal, queijo, sabor, consistência: tudo na medida. A receita é guardada a sete chaves e só o que se sabe é que a cozinha não economiza no queijo minas.
Endereço: Av. Senhora do Carmo, 1900 - Sion ou Diamond Mall (Av. Olegário Maciel, 1600 - Lourdes)
Preço do quitute: R$ 1,60

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A doce arte de fazer doces

Se você já foi em alguma cidade mineira, deve ter experimentado pelo menos um dos típicos doces caseiros de Minas. Se não, está perdendo. A culinária mineira é resultado da mistura dos mais diversos povos que habitavam ou transitavam pelas cidades coloniais por volta do século XVIII. Nessa época, com a descoberta das riquezas minerais no estado, brasileiros de norte a sul passavam pelo estado a procura de ouro e pedras preciosas.


(Foto tirada desse link)
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A goiaba e a jabuticaba são exemplos de frutas tropicais largamente incorporadas ao cardápio mineiro. Os estrangeiros também participaram dessa história, principalmente os portugueses, que contribuíram muito para ampliar a quantidade de especiarias, alimentos e bebidas. Assim, as receitas de toda parte do mundo chegavam a Minas e sofriam adaptações.

Nem todos os doces tem sua origem em Minas e nem todos os doces sequer tem origem conhecida. De uma forma ou de outra, muitos deles encontraram aqui um jeito de fazer história e se tornar tradição. Ainda hoje, são feitos em enormes tachos de cobre, no fogão a lenha e mexidos com colheres de pau.

(Esse é o Chico Doceiro. Sua loja funciona desde 1965 lá em Tiradentes. Foto tirada desse link)

Os doces, quase todos vendidos em compotas de vidro, podem ser de frutas em calda, frutas em creme ou geleias. E isso para qualquer fruta: figo, laranja, mamão, goiaba, pêssego abóbora, limão, cidra, jaca, abacaxi...
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As frutas cristalizadas também fazem sucesso. Normalmente são a própria fruta (como o figo) ou cubos de frutas (como mamão) secos e cobertos de açucar. São vendidos em pacotes de isopor ou ém forma de bala em pacotinhos de plástico. A casca de algumas frutas também vira sobremesa cortadas em tiras fininhas e cristalizadas, como as casquinhas de limão e laranja.
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(Doces Joaninha, em Araxá. A loja já ganhou prêmios e mais prêmios de melhor doceria de Minas Gerais. Foto tirada desse link)

Há também os doces vendidos em caixas: marmelada, leite, doce de leite e goiabada. Este último tão típico da cultura mineira. Acompanhado de queijo minas, deu origem ao famoso Romeu e Julieta. Muitos dizem que a mistura de goiabada e queijo é uma das melhores combinações de doce e salgado do mundo.


(Uma das mil e uma forma já inventadas para servir a mistura. Aqui, goiabada com sorvete de queijo. Foto tirada desse link)

Uma categoria que não se encaixa em lugar nenhum é a Ambrosia, conhecido também como manjar dos deuses. Esse apelido vem da mitologia grega: diziam que ele era tão poderoso que se um mortal comesse ele ganharia a imortalidade. Tem origem ibérica (não se sabe ao certo se nasceu em Portugal ou na Espanha) e é feito de leite, ovos e canela.

Outra categoria são os doces de ovos. A tradição veio de Portugal, dos chamados doces conventuais. Antigamente, os conventos usavam a clara dos ovos para engomar as roupas e produzir hóstias, mas sobravam as gemas. A freiras, então, começaram a produzir uma série de doces que a partir de gemas e açucar. Daí surgiram os famosos doces conventuais. São mais de 200 tipos. Entre os mais famosos está o pastelzinho de Belém. O quindim e os fios de ovos foram os que mais agradaram ao paladar brasileiro.


(Maravilhosos quindins... meu doce favorito! Foto tirada desse link)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Para começar bem o dia, aquele café da manhã

Sou uma apaixonada por cafés da manhã. Quando estou viajando e fico em um hotel com café incluído ela se torna a refeição mais esperada do meu dia. E mais pesada também. Como até me empanturrar: frutas, pães, bolos, biscoitos, sucos, leite e por aí vai. O ruim é ter que esperar a próxima viagem para me encher com os quitutes.

(Hum... se eu pudesse, e tivesse tempo, arrumava uma dessa pra mim todos os dias. Foto tirada desse link)

Mas há algum tempo li uma matéria sobre "onde tomar café da manhã em São Paulo" e pensei: hei, eu não preciso esperar uma viagem, posso fazer isso na minha própria cidade. Assim, saí a procura de um lugar. O primeiro critério para começar minha pesquisa foi achar um local que servisse café da manhã a la hotel, com fartura e, de preferência, self-service. Com esse critério encontrei também um boa forma de eliminação.

Em Belo Horizonte existem centenas (senão milhares) de padarias, lanchonetes e restaurantes, mas nem todos servem café da manhã dessa forma. Isso porque no Brasil o costume é tomar a primeira refeição do dia em casa. As pessoas até podem ir a algum estabelecimento buscar comida, normalmente um pão quentinho, mas não se sentam nem comem lá. Às vezes, quem sai com pressa de casa acaba passando em uma padaria, pede um pão de queijo e um suco, se senta no banquinho e come por lá mesmo. Mas café da manhã com fruta, pão, bolo... isso se faz em casa.

(A maior parte das padarias são como essa: as pessoas chegam, pedem o que querem, pagam e vão embora. Foto tirada desse link)

Outra justificativa para poucas padarias investirem em cafés da manhã especializados é o fato de ser caro. Colocar na mesa pães variados, manteiga, geléias, frutas picadas, bolo com cobertura, leite e café, arrumar as mesas, sujar louça, isso tudo é trabalho e é comida que, se não consumida, vai direto para o lixo. E se é caro para o estabelecimento, é caro pro cliente. Saber do preço de se tomar café fora de casa me indicou o segundo critério, que era procurar locais em áreas mais nobres da cidade.

Assim, decidi usar a revista Veja Comer e Beber em Belo Horizonte para me ajudar a fazer uma lista com os lugares que servem café da manhã na cidade. A lista ficou mais ou menos extensa e a ideia era encontrar o equilíbrio: nem a mais cara com mais coisas, nem a mais barata com menos variedade, mas achar o melhor custo benefício.

Nessa brincadeira acabei optando pelo supermercado Super Nosso Gourmet. Entre as 12 unidades da rede, 5 delas têm restaurante e servem café da manhã. Resolvi ir na unidade do Xuá, recém inaugurada. O local era bem arrumado e com uma vista muito bonita da parte sul da cidade. A mesa era um tanto quanto modesta, mas tinha muuuito mais do que eu conseguia comer. Comi frutas com iogurte, pão de queijo com queijo minas, biscoitos, pedaços de bolo com creme de avelã e chocolate, leite com achocolatado. Estava tudo uma delícia.

Tenho, porém, uma observação e uma reclamação. A observação é que havia poucas opções salgadas. Tirando o pão francês e o pão de queijo, o resto eram bolos e mais uma série de quitutes feitos com açucar. A reclamação vem do atendimento. Um dia antes liguei para o local e me disseram que o café da manhã era 11,90 por pessoa em qualquer unidade. Quando fui pagar, porém, o preço "se tornou" 14,90.

(Pães e mais pães. Com essa onda de comida saudável que vem ganhando força a cada dia, as lojas estçao investindo em produtos sem nenhum tipo de conservante, como a Casa Bonomi e o Graciliano. Foto tirada desse link)

Não fiz uma peregrinação pelos estabelecimentos que servem café da manhã na capital mineira. Mas descobri que há uma série de locais que oferecem esse serviço. Um deles é a Casa Bonomi (Cláudio Manoel, 460, Funcionários). Fundado há 12 anos por Paula Bonomi, o local mudou a forma de entender as padarias na cidade. Até então, elas eram locaia aonde as pessoas iam comprar pão e algumas outras coisas para a casa, como manteiga, suco, papel higiênico e fósforo. Ela então resolveu criar uma padaria que oferecesse diversos tipos de pães e outros quitutes e oferecesse um local para o cliente se sentar e comer. Hoje, são 80 tipos de baguetes, sem contar os folhados, croissants, brioches e massas recheadas. O serviço é a la carte e tudo que está no cardápio pode ser pedido a qualquer hora do dia. O que mais sai pela manhã é a cesta de pães acompanhada com manteiga, geléia e outros tipos de recheio por 12 reais. As sobremesas também saem por, no mínimo, 12 reais.

Outra opção (também para os endinheirados) é o Graciliano (R. Marília de Dirceu, 40, Lourdes). Criada há 7 anos para servir lanches, o local já oferece café, almoço, chá da tarde e jantar. A padaria traz pães pouco convencionais e sobremesas finas. De segunda a sexta, o café custa 15,90 por pessoa. Aos sábados o preço cai para 14,90 e é servido na mesa. Aos domingos o preço permanece mas o cliente podem se servir no buffet. No Status Café e Cultura (R. Pernambuco, 1150, Funcionários) o café da manhã só é servido aos domingos e embalado ao som de jazz. A mesa é farta e o preço para participar do banquete é 17 reais para adultos e 10 para crianças.

Dois estabelecimentos brigam pela posição de café da manhã mais caro da cidade e empatam. São eles o Pão e Companhia (R. Francisco Deslandes, 817, Anchieta) e o Strudel Haus (Av. Afonso Pena, 3900, Mangabeiras). O primeiro é também o mais antigo: foi inaugurado há 27 anos e hoje têm mais de 20 lojas pelo Brasil. O café da manhã é tradição na casa assim como seu pão de queijo que, com generosas quantidades de queijo canastra, é um dos itens mais pedidos pelos clientes. O segundo é uma casa de especializada em receitas alemãs, principalmente sobremesas. O destaque vai para o apfelstrudel, uma torta de maça alemã. O preço de ambos: 26,90 o quilo.

(Apfelstrudel de maça. Já provou um desses? Se não, passou da hora. É uma delícia. Foto tirada desse link)

Há opções mais em conta, mas que também não saem da faixa de preço entre 10 e 15 reais. Uma delas é o Santíssimo Pão (R. Benvinda de Carvalho, 148, Santo Antônio) que oferece o serviço somente nos fins de semana. A mesa é composta por mais de 30 itens entre folheados, pães e bolos, ao custo de 12,90 o adulto e 6,90 a criança. A Trigopane (Av. Mário Werneck, 1352, Buritis) também não fica atrás. Apesar de um pouco mais cara, já que o café sai por 14,20 por pessoa, sendo que crianças pagam metade, o estabelecimento está sempre atrás das tendências, seja em novelas, em feiras internacionais ou através de pesquisas de mercado. Foi assim que eles resolveram desenvolver suas linhas light e diet.

Para quem quer ver ainda mais opções é só entrar no site da Veja, comparar e escolher. Bon apetit!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Camarão e ostra

Basicamente, são esses os itens que "povoam" quase todos os pratos típicos de Florianópolis. Também, cercada de água por todos os lados não seria diferente. Outra característica, além dos pratos recheados de frutos do mar, é a fartura. Tudo que falam que é pra dois serve três fácil. Se todos comerem razoavelmente pouco, serve quatro.

O prato típico, mas típico mesmo, é a sequência de camarão. O prato completo vem salada, duas casquinhas de siri e uma porção de camarão empanado. Depois, eles trazem uma porção de camarão ao áleo e óleo e outra de camarão ao bafo. Depois, vem arroz, batata frita e dois filés de peixe ao molho de... camarão! No verão, o prato custa entre 55 e 60 reais.

(A sequência tem sempre os mesmos pratos, mas não necessariamente todos os restaurantes o servem na mesma sequência. Nesse, todos os diferentes tipos de camarão vem juntos. Foto tirada desse link)

E para quem está só a fim de um lanche, o pastel de camarão também é típico aqui. Tem em vários lugares, mas o mais famoso é o do BOX 32, que fica no Mercado Público, no centro da cidade (algo como o Mercado Central para os belorizontinos ou o Mercado Municipal para os paulistas). Um pastel com 100 gramas de camarão custa R$ 6,50. Se quer saber, apesar de o júri da revista VEJA eleger o local como "a melhor cozinha do estado", comemos um pastel mais barato e mais gostoso em um bar qualquer do centro da cidade.

(O famoso Box 32 fica cheio todos os dias, ininterruptamente)
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Restaurante famoso que vale toda a fama que leva é o Bar do Arante. O local é uma das paradas obrigatórias para quem vai a parte sul da ilha, uma área menos visitada e muito menos turística do que o norte, onde estão as praias e baladas mais famosas. Alguns locals da região sul até fecham suas portas na baixa temporada, o que não é o caso desse restaurante. O lugar é bem simples mas serve pratos da culinária típica de Santa Catarina e são deliciosos. A cachaça Mata Bicho do Arante, produzida por eles, é cortesia da casa.

(Bar do Arante. É assim no restaurante inteiro. Foto tirada desse link)

Mas o local surpreende mais pela, diremos, arquitetura, do que pela comida: seu teto, paredes, colunas, geladeira, pratelerias e tudo mais está repleto de bilhetes e mais bilhetes deixados pelos visitantes. Tem de tudo. São mais de 75 mil recados, desenhos e até origamis presos com fita crepe. Alguns, de tão velhos, nem dá pra ler.
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Também é na região sul que ficam as famosas fazendas de ostras da ilha, local onde os "fazendeiros" cultivam os moluscos. No mar há centenas de pequenas bóias que, amarradas a redes que ficam no fundo das águas, guardam as essas iguarias. Santa Catarina é responsável por 90% da produção de ostras no Brasil, isso porque o litoral catarinense possui as condições para seu desenvolvimento. Em quiser se esbaldar mesmo, todo mês de outubro, em Floripa, acontece a Fenaostra, uma festa tradicional com ostras de todos os tipos pra dar e vender.


(A esquerda, a imagem de uma fazenda marinha. Abaixo, as ostras prontas para serem preparadas. A cada pequeno pedaço que fica boiando no mar há uma rede como as que estão abaixo, cheias do molusco. Fotos tiradas desse e desse link)


Agora vou dar uma dica: quer almoçar com garantia de satisfação? Vá ao restaurante do Hotel Costa Norte, na praia dos Ingleses. Foi a melhor refeição que comi em toda viagem. Pedi um filé de namorado com molho de alcaparras, camarão e champignon acompanhado de arroz e babata sauté. Comem duas pessoas pelo preço de 59 reais. Então, recapitulando: essa dica é para quando você estiver a fim de gastar dinheiro. O outro prato que pedimos foi macarrão com frutos do mar. Parece normal, mas o molho misterioso que levava creme de leite era uma delícia. Estava na mesma faixa de preço. Foi caro, mas valeu a pena.

(O restaurante tem vista para o mar. Aqui, a foto do meu prato, enquanto ele não tinha sido devorado)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sorvetes Exóticos. Haja estômago!

Para iniciar o novo marcador de Gastronomia, resolvi postar uma matéria que escrevi para o site FUNtástico há menos de um mês, sobre sorvetes exóticos. Acreditem, eles existem!

Sorveterias com sabores exóticos se multiplicam, e o público também

No Brasil e no mundo, os sorvetes napolitano e chocolate são passado. Que tal experimentar um sorvete de rosas. De cupuaçu? Jiló? Na frente de sabores tão exóticos os clássicos até perdem um pouco a graça.

(No Japão, comum mesmo é sorvete de tentáculo de polvo ou tinta de lula (foto), que são mais pedidos que chocolate, creme e outros sabores clássicos. Foto tirada desse link)

Em Belo Horizonte, a sorveteria I Scream lançou uma série de sorvetes pra comemorar a festa junina nos meses de junho e julho. Entre as invenções do sorveteiro e proprietário da loja, Fernando Lana, estavam os sabores de pé-de-moleque, brigadeiro, tapioca com cocada, arroz doce e canjica. No Rio de Janeiro, a delícia gelada da vez é a capuchinha, um sorvete criado há quatro anos feito a base da flor comestível de mesmo nome. A sorveteria Mil Frutas, responsável pela receita, mistura a flor com um creme inglês, mel e gergelim preto. A sorveteria oferece ainda mais de 160 sabores, entre eles absinto, nozes com ovos moles e manjericão.
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Temperos como azeite de oliva também viram sorvete, dessa vez em Porto Alegre. O segredo da Di Argento, responsável por essa e por outras receitas como o zabaione, feito de creme de ovos e vinho do porto, é usar sempre frutas congeladas ou in natura, artificiais. Além disso, em todo o Brasil é possível encontrar sorveterias especializadas em frutas típicas de uma região como as do cerrado. Lichia, cagaita e cajá são facilmente encontradas nesses locais.
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(Foto tirada desse link)

Mas não é só no Brasil que a moda está se espalhando. A maior marca de sorvetes artesanais da Espanha, a Llinares, prometeu lançar a "sorveterapia". Eles usam ervas e plantas medicinais nas suas receitas e dizem que podem tratar celulite, estresse e até impotência.
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Em Tóquio, no Japão, a Cidade do Sorvete recebe cerca de 2 milhões de pessoas por ano. O local reúne sete lojas que vendem mais de 500 variedades. O blog Japanese Ice Cream (em inglês) traz receitas, fotos e novidades de tudo quanto é sorvete japonês. Os sabores? Língua de boi, asa de frango, cobra, alho, polvo, barbatana de tubarão e por aí vai. Há também uma série de opções para os vegetarianos, como soja, inhame e arroz. E aí, vai encarar?