terça-feira, 2 de agosto de 2011

A velha nova Toulon

Imagine a capital mineira limpa, sem lixo nas ruas, sem pichação nos prédios e com as suas construções Art-decó preservadas. Eu imagino porque eu vi. Vi o futuro de Belo Horizonte em Toulon. Chegamos lá um pouco antes da hora do almoço e a identificação foi instantânea. Toulon lembra muito BH.

(A Toulon que se parece com Belo Horizonte é mais ou menos essa: uma cidade de prédios médios que ainda guarda espaços abertos para o lazer da sua população. Outra semelhança: os lindos prédios que apareciam no meio do nada)

Em primeiro lugar, o número de prédios, uns do lado dos outros. Ao contrário das maior parte das cidades francesas, as janelas aqui não tem sacada em bronze, arrumadas com plantas. As janelas são janelas, e só por isso a cidade já se parece um pouco mais moderna. Depois são as ruas pequenas e as avenidas largas. Com trânsito. Longe de ser como o nosso tráfego caótico, mas a cidade tem trânsito. Por último, a mistura de prédios antigos com novos. Você está lá passeando e, de repente, uma construção muito bonita aparece.

Mas só pelo fato de ver como a cidade se parece com Belo Horizonte, comecei a buscar as diferenças. A primeira é o cuidado o patrimônio. Tudo preservado e bem sinalizado. A segunda é a natureza. Assim como BH, o concreto se mistura ao verde. Na capital mineira as plantas são mais abundantes, mas jogadas a sorte. Em Toulon elas são podadas e parecem ter sido perfeitamente encaixadas no cenário local. Por último, e talvez o ponto mais importante, é a limpeza. É mais importante ter menos (menos monumento, menos história, menos movimento) do que ter demais e não saber cuidar. E Toulon sabe disso. A cidade é um brinco!

(A noite cai, a limpeza fica)

Nas minhas perspectivas mais otimistas, a capital mineira pode um dia ficar parecida. Nunca igual. Toulon carrega uma história que começou antes mesmo da colonização romana. Apesar de nunca ter sido o grande alvo de ataques das frotas inimigas, a cidade mantém a principal base naval do país. O porto militar de Toulon, que começou a ser construído ainda em 1514, foi o ponto chave para diversos conflitos, das loucuras de Napoleão Bonaparte às atrocidades da Segunda Grande Guerra. Mas foi somente nessa última que o local deixou de ser reduto de segurança. Com os ataques, diversos barcos, pontes e plataformas navais foram devastadas. As construções próximas ao porto também foram destruídas e tiveram se ser refeitas depois.

(O arsenal da cidade. Foto tirada desse link)

Depois da Guerra a cidade reencontrou a paz, mas passou a ter de lidar com outros tipos de conflito. Um deles era o preconceito com os africanos que chegavam à Toulon fugindo das guerras civis que tomavam conta dos seus países, principalmente os argelianos. O outro foi a crise econômica e social que chegou com força a todo país na década de 1970.

A partir dos anos 2000 essa pequena-grande cidade francesa tenta se afirmar como metrópole regional. Um dos projetos em que a prefeitura investiu visava a revitalização da parte antiga da cidade. Fato é que a cidade hoje é um exemplo de como aliar progresso e história.

Parte velha: reflexo da cidade

Depois de estacionar o carro fomos andando por aí. A cada esquina um prédio diferente, aqueles prédios que parecem importantes mas a gente nunca sabe porque? Hoje, grande parte deles serve ao governo. São secretarias de educação, esporte ou mesmo prefeitura. Outros se tornarão espaços preservados, como o Museu de Arte de Toulon. Lançado em 1888, ele abriga uma coleção de pinturas, esculturas, fotos e outros tipos de obra que vão do século XV ao século XX. A visita ao prédio por si só já mostra a grandiosidade do local.

Passamos também por outros pontos importantes da cidade, como a Praça da Liberdade. No enorme espaço aberto tem barraquinha de bala de goma, livraria e uns tantos coqueiros. Mas a parte mais bonite é a Fonte da Federação, cartão postal da cidade.

(Sinceramente... acho a Praça da Liberdade de Belo Horizonte mais bonita #prontofalei. Foto tirada desse link)

Foi quando enfim chegamos ao Porto. O local é cheio prédios antigos, mais desgastados que os edifícios do centro, possivelmente por causa da maresia local. Dentre todas as cidades que visitamos, Toulon realmente tem o maior porto para embarque e desembarque de navios. De todos os dias. Vimos de bote salva-vidas a navio de luxo. O fluxo de veículos e pessoas é enorme, e os comerciantes não deixaram por menos. Na pequena ruela de frente para o mar tinha uma enxurrada de lojas de souvenirs para os turistas, lanchonetes de comida rápida e espaços que ofereciam todo o tipo de serviço: tabacaria, lan house, livraria e por aí vai.

Atravessando em direção ao "continente", a parte velha da cidade. Em Toulon, diferentesmente das outras cidades do sul da França, não há uma divisão clara entre as partes antiga e nova. Isso porque os prédios modernos e os restaurantes chiques se entranharam entre as construções medievais. Do lado da linda Catedral de Toulon, blocos de prédios com toldos coloridos. Charmosos, mas distoantes.

(A Ópera de Toulon carrega o charme da cidade antiga que, por pouco, não se transforma em nova. Foto tirada desse link)

O monumento mais bonito do conjunto arquitetônico antigo é, sem dúvidas, a Ópera de Toulon. Não deu pra entrar, mas as fotos mostram com deve ser assistir um espetáculo ali dentro. Não consigo imaginar menos do que pessoas vestidas em trajes de gala segurando aqueles binóculos portáteis. A Ópera é a moda antiga, com cadeiras estofadas de veludo vermelho, camarotes com adornos dourados, lustres enormes e teto com pintura renascentista.

Metade das ruas da parte antiga de Toulon são exclusivas para pedestres. Nessas espaços existem bares com mesas e mais mesas do lado de fora e, por vezes, pequenas feiras. Francês adora comprar os ingredientes da próxima receita em uma feirinha de rua. Isso é fato. E não sobram comerciantes com seus alimentos naturais e regionais. Normalmente, as frutas e legumes saem de fazendas a menos de 200 quilômetros dali.

(Pôr do sol no Porto de Toulon)

Nós, preferimos o bom (?) e barato (!) McDonalds. Aproveitamos para dar uma última olhada no porto da cidade, que via o sol se por. Um descanso para uma noite que, finalmente, deu certo.

Um comentário:

  1. Outra cidade que gostei demais.

    Só um PS: quero o crédito pelas fotos, hehehe.

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