segunda-feira, 28 de março de 2011

A exuberante Munique

Uma cidade que consegue juntar patrimônio histórico, arquitetura moderna e espaço verde como poucas no mundo. É nessa falta de identidade que reside a glória do local: é impossível dizer se o principal é sua memória ou seu futuro. Para conhecer e entender é preciso ir. Assim é Munique, capital da região da Baviera, na Alemanha.

(Os pontos mais importantes em uma foto só. A frente, a prefeitura. À esquerda, a Catedral de Nossa Senhora de Munique. Ao fundo, em amarelo, a igreja dos Teatinos. Foto tirada desse link)

Depois de estacionar a nossa casa, fomos dar uma volta pela cidade para "reconhecimento de território". Paramos em frente à Theatinerkirche, igreja dos Teatinos e São Caetano. O grande edifício amarelo foi construído entre 1663 e 1690 como agradecimento do rei e da rainha pelo nascimento do príncipe herdeiro Maximiliano Manuel. A igreja tem influência barroca. Se por fora ela é amarela, por dentro a igreja esbanja um branco cintilante, símbolo de um povo que sabe preservar seus monumentos.

A esquerda, um monumento erigido em homenagem a um corpo de exército na Alemanha, o Feldherrnhalle, que lutou na batalha de Budapeste, na Hungria, em 1944. Se tem uma coisa que Munique tem (e, acredito eu, mais uma centena de cidades da Alemanha) são lembranças do período nazista e da Segunda Grande Guerra. Essas memórias podem ser físicas, em forma de estátuas e prédios, ou psicológicas, em forma de respeito e silêncio, visíveis quando passamos perto de algo como o Feldherrnhalle.



(A igreja amarela e o focinho dourado do leão. A cor da sorte)


Aos que não entendem alemão mas são curiosos, o próximo passo será seguir a rua a esquerda do monumento, a Residenzstraße, de onde vem o maior movimento. No caminho vi um monte de pessoas passando a mão no nariz dourado das estátuas de leão. Mais do que sorte, aqueles que fazem o movimento pela primeira vez na vida ganham o direito de fazer um pedido. Se de um lado a curiosidade é cultural, do outro é de design: os prédios de diversas ruas em Munique são grudados uns nos outros.

Seguindo a rua, passamos pelo teatro nacional e chegamos ao ponto alto da cidade, a Marienplatz, ou Praça de Maria. E nela, um dos monumentos mais incríveis que já vi na vida: o Neues Rathaus, que abriga a prefeitura da cidade. Ele é enorme em tamanho e em largura. A sua área ocupa 9519 m² e só a fachada principal tem quase 100 metros de extensão. A construção do edifício aconteceu em três etapas entre os anos de 1867 e 1908. Você pode demorar mais de uma hora se quiser, só observando os detalhes de cada quina desse prédio em estilo neogótico.

(Relógio de criança. Entre março e outubro, o teatro de bonecos também acontece às 17h. Foto tirada desse link)

Quando os ponteiros marcam 11h da manhã, as íris coloridas de turistas de todas as partes do mundo (e as azuis dos alemães que ainda se encantam com o espetáculo) se viram para a Glockenspiel, o relógio de madeira no topo da torre principal do edifício. Os bonecos que compõem o cenário de dois níveis contam a história de um casamento real, com direito a torneios entre os concorrentes à mão da princesa e dança típica. Depois de 8 minutos de encenação, aparece um pássaro dourado no ponto mais alto do cenário.

No dia seguinte à festa, fomos passear de verdade pela cidade. Depois de uma parada no Starbucks, que se tornou a cozinha de café da manhã e o banheiro do nosso alojamento, visitamos o Hofgarten, ali mesmo, na frente da igreja amarela do dia anterior. O Hofgarten é um parque em estilo renascentista italiano, o que é facilmente perceptível devido à simestria do local, construído em proporções perfeitas. Ele não é o maior parque da cidade, posição ocupada pelo Englischer Garten, mas como está bem no centro é bastante frequentado. Em um domingo de frio considerável, no último fim de semana da Oktoberfest, às 8h da manhã, vi diversas pessoas colocarem suas luvas e microshorts (algo que não faz sentido nenhum) e saírem para passear com seus cachorros ou correr.

(No centro do parque há um cúpula dedicada à deusa Diana)

Ao lado está o Münchner Residenz, ou Residência de Munique, o maior palácio urbano da Alemanha. O local foi a casa oficial de duques e reis. Hoje, serve como Casa do Tesouro Nacional e Museu das Decorações. Para vocês terem ideia, o Hofgarten é só o "jardim da corte" deste imenso edifício. O complexo é composto por 10 pátios e o museu (só o museu) por 130 salas. Infelizmente, estava fechado... A próxima parada foi no rio Isar, que em suas origens quer dizer algo como "rio de água congelada". A corrente de água deságua no Danúbio. Em um certo ponto há ondas, devido ao seu relevo. E, nelas, há sempre loucos surfando, sem medo do significado da palavra.

(Ao nosso lado, dezenas também assistiam. A onda é pequena, mas já melhor que a Pampulha ne não?)

A próxima parada foi a torre de Alter Peter. Antes mesmo de Munique ser fundada como cidade, em 1158, a igreja de St. Peter já existia, graças a um grupo de monges que vivia na região. Para subir, o turista gasta dois euros e pode apreciar uma as paisagens da cidade e suas casas coladas com telhados laranjas e chaminés escuras.

(Só subindo na torre que eu pude entender o tamanho de Munique, a terceira maior cidade do país, com 1,5 milhão de habitantes)

Se essa é a igreja mais velha, a Catedral de Nossa Senhora de Munique é a mais importante. As duas torres de 109 metros de altura e cúpulas esverdeadas podem ser vistas de todas as direções, em qualquer ponto da cidade. No desenho original, seriam duas torres, que não foram concluídas pela falta de dinheiro. Na época do Renascimento, construíram as cúpulas que não seguem em nada o estilo arquitetônico do edifício e, por isso mesmo, o diferencia do resto.

A fome guiou nosso último passeio. Por indicação de um amigo brasileiro (encontrado de forma aleatória pela cidade para mostrar que, sim, estamos por todos os lados) fomos ao Viktualien market, é um mercado aberto de comida alemã. O totem marca a entrada do mercado, que tem de tudo: flores, frutas exóticas, temperos, carnes... e um incrível cheiro de salsicha que vinha de algum lugar ali perto. Como todos queriam terminar comendo como um alemão - na verdade como um típico turista - nos sentamos em uma "jardim de cerveja" cheio de barracas com comidas. Pés cansados e estômagos abastecidos: mais 16 horas de viagem de volta. Missão cumprida.

(Para os quem têm ... e para os que não têm. O dinheiro não é motivo para não aproveitar a cidade!)

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