sexta-feira, 18 de junho de 2010

O que fazer em Paris - 2ª parte

Dois dias de passeio pela cidade luz é quase nada. Visitar a capital francesa e ficar menos de 5 dias, dizem, é um desperdício de dinheiro. Você sai com aquela impressão de quem não conheceu muita coisa e com aquela promessa "depois eu volto com mais tempo" (uma promessa que nem sempre se cumpre). O roteiro dos meus pais, e que bom, ainda tem mais três dias.

3º DIA

Manhã: Île de la Cité. Paris tem duas ilhas no rio Sena, a île de la Cité e a Île Saint-Louis. A primeira, é o coração histórico da cidade. Segundo vestígios, os primeiros habitantes da ilha, os parisii, chegaram lá no século 3 a.C. Ao longo dos séculos, lutas, guerras, construções e populações passaram por lá. Para chegar lá é preciso atravessar a Pont Neuf, a mais velha da cidade. A primeria visão são dois prédios com um espaçozinho no meio que leva até a praça Dauphine e, depois, a Conciergerie (entrada: 6,10 euros + visita à Sanit Chapelle / 9h30 às 18h). A construção é o antigo palácio real. Durante a Revolução Francesa, o local serviu de prisão e abrigou nomes como Robespierre, Danton e Maria Antonieta. Hoje, o local serve como Museu da Revolução.

(Pont Neuf significa "ponte nova". Hoje, porém, essa é a ponte mais antiga de Paris)

É na ilha que guarda a catedral de Notre Dame (entrada: grátis / 8h às 18h45). Ela é o marco zero de Paris, ou seja, a partir dela que são marcadas as distâncias às outras cidades. A construção da catedral terminou em 1220. Ela abriga 9 mil pessoas, tem o maior órgão da França (com 7.500 tubos) e abriga vitrais originais do século XIII. Curiosidade: O romance de Victor Hugo, O Corcunda de Notre Dame, foi lançado em uma época que a arquitetura gótica não era famosa, Com do sucesso do livro a catedral foi reformada.
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(Sente o tamanho da fila pra entrar em Notre Dame... A esquerda e a direita, detalhes da Catedral: peqeunas estátuas desenhadas a porta da construção e os vitrais vistos por dentro - se estivesse lá, era capaz de ficar horas olhando para cada vidro colorido)
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Almoço: Le Grenier de Notre Dame é um restaurante vegetariano daqueles que você esquece que não está comendo carne.

Tarde: Île Saint-Louis. Depois de uma aula de história, atravesse a ponte de São Luís e chegue a outra ilha parisiense. A Île Saint-Louis, na verdade, eram quatro, mas duas delas inundavam de tempoes em tempos. No século XVII, Henrique IV mandou juntar as três e construir um bairro residencial. A ilha já foi o local mais pobre de Paris, mas resurgiu em 1920 ao tornar-se um dos pontos prediletos dos jovens dessa época. Aqui não tem mistério: a ilha foi feita para passear lentamente, admirando as belas fachadas do prédio e se perdendo pelo caminho. O silêncio chama a atenção: os carros são proibidos na ilha.
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(Uma das lindas ruas que você pode ver na Île Saint Louis)

Lanche: A Brasserie de L'Ille St. Louis é um bom local para um lanche. A comida é boa, mas nada de mais, nada de menos. Tome um sorvete também na Berthillon, aonde (dizem) está o melhor sorvete de Paris. Meus pais disseram que é muito caro para uma bolinha mixuruca de sorvete. O lugar vive da fama mesmo...

Noite: Volte pra cidade. Se for quarta-feira, visite de novo o Museu do Louvre. É o único dia na semana que ele abre a noite e a iluminação noturna dá um novo "ar" ao local.

4º DIA

Manhã: Palácio de Luxemburgo. Foi construído em 1615 e sua arquitetura lembra os palácios italianos. A ideia era fazer a rainha Maria de Médicis, pudesse se lembrar de sua infância em Florença. Atualmente, o palácio é a sede do Senado. Os jardins do palácio são tanto ou mais famosos que ele próprio. É o maior parque público de Paris, com 23 hectares de árvores, flores, grama, bancos, fontes e muitas pessoas lendo, praticando esportes ou passeando.

(Minha mãe disse ter a impressão de que o governo francês coloca bancos em volta de jardins e praça para que as pessoas não sentem na grama. Segundo ela, qualquer espaço verde livre enche rapidinho. E junto com as pessoas vem as cestas de piquenique, as bolas de futebol...)

No livro O código da Vinci, certos locais são essenciais a trama. Um deles é a Igreja Saint Sulpice (entrada: grátis/ 8h às 19h30), quase tão grandiosa quanto Notre Dame. Ali está o misterioso gnômon, um relógio de sol que permite a projeção da sombra. A cada solstício ou equinócio ele ilumina um ponto diferente da igreja. O Panthéon (entrada: 7 euros / 10h às 16h30) também está nesse bairro. O edifício tem 83 metros de altura e arquitetura neoclássica inspirada nas construções romanas. É nesse bairro que fica a Shakespeare & Co, que publicou, entre outros títulos, Ulysses, de James Joyce. Por ironia, a mais famosa livraria da cidade vende livros em inglês.

Almoço: O Polidor é um restaurante comum, se não fosse pela sua clientela: era frequentado por Jack Kerouac, Hemingway e, atualemnte, o escritor francês André Gide. O prato do dia varia de 11 a 14 euros. Os demais pratos custam em média 25 euros. Aqui, uma crítica sobre ele.

Tarde: Antes, o nome Beaubourg (bairro bonito) era uma ironia à sujeira, ao barulho e ao caos do local. No século XIX, uma série de obras recuperou as ruas e construções medievais do local, como a Torre de Saint-Jacques. A torre, em estilo gótico, reúne atividades desconexas: é ponto de partida para o caminho de Santiago de Compostela, é ponto de eneontro de místicos e médiuns e é o local onde foi enterrado o alquimista Nicolas Flamel. É nesse bairro que está o Centro Georges Pompidou. Seu projeto foi escolhido por meio de um concurso, que teve 681 inscrições. O campeão - e atual - é um projeto onde todos os elementos estruturais ficam do lado de fora, deixando mais espaço para a galeria. Lá dentro, o Museu Nacional de Artes Modernas.

(A tela a frente do prédio mostra as exposições atuais. Os canos mais grossos é por onde as pessoas chegam ao museu. Foto tirada desse link. Especialmente para a Rê!)
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Lanche: A casa mais antiga de Paris é o restaurante Auberge Flamel. A comida é por menu (entrada + prato + sobremesa) e não à la carte (você escolhe o prato que quiser). O mais barato é o Formules Dejéneur, por 18,50 euros. O chef mistura sabores do mediterrâneo à comida francesa.

Noite: Galerie Lafayette. Sempre que me falavam dela eu pensava em uma galeria bonita, mas modesta, com lojas bacanas, uma coisa mais regional. Quando vi as fotos me assustei. A Galerie Lafayette é gigante, luxuosa e cheia de marcas. Para quem tem dinheiro, hora de ir as compras. Para quem está duro... só um passeiozinho basta.

(Eis a Galerie Lafayette. Prometi aos meus pais não colocar fotos deles. Uma pena, pois tem uma foto da minha mãe, sentada em um banco vermelho, olhando pra cima de boca aberta. Não foi só eu que me espante com o lugar!)

5º DIA

Manhã: Montmartre. O boêmio bairro de Montmartre era, até o século XIX, rural. Ele foi tardiamente reurbanizado, Os burgueses ficaram no centro da cidade e Montmartre tornou-se o vilarejo dos pobre, com pessoas humildes, prostitutas e muitos bares. O clima e as cores locais chamaram a atençaõ de artistas como Renoir, Van Gogh e Picasso, que iam para lá pintar e beber. Na rue du Tertre você encontra artistas pintando e vendendo quadros e dezenas de restaurantes de fachadas simples e coloridas.

O ponto alto (literalmente) do bairro é a basílica de Sacré-Couer (entrada: grátis / 6h às 23h), ou Sagrado Coração. Ela é dedicada a todos os santos da França e tem um imenso mosaico no seu interior. Por ser o ponto mais alto de Paris, tem uma linda vista da cidade. Outros pontos interessantes são os cabarés. O mais famoso, Moulin Rouge, fica longe. Ele abriu em 1889 e era famoso por seus shows escandaloso e dançarinas seminuas. Pode ser frequentado ainda hoje.

(A linda basílica de Sacre Couer e o Moulin Rouge. Um tanto quanto modesto por fora)
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Almoço: L'éte en Pente Douce é um restaurante para almoço, lanches e jantar. Diverso na oferta, no cardápio e nos preços.

Tarde: Madeleine. Bairro importante na vida dos parienses quando se trata de moda, gastronomia e arquitetura. A Capela Expiatoire (entrada: grátis / 13h às 17h) é do início do século XIX e foi erguida em homenagem a família real e às vítimas da Revolução Francesa. Já a Igreja La Madeleine (entrada: grátis / 9h às 19h) é dedicada a Maria Madealena foi encomendada por Napoleão e tem uma das raras pinturas do líder.

(A igreja La Madeleine mais parece um templo gregio romano. Foto tirada desse link)

Os entornos da praça de La Madeleine estão as famosas lanchonetes, lojas de chá e docerias locais. A tarde, forma-se uma fila na frente do Kiosque Theátre: quando sobram ingressos para alguma peça de teatro esse local os vende no mesmo dia da exibição pela metade do preço. Quem se interessa mais por moda, passeie pela rue Saint-Honoré, onde você vai encontrar lojas de grofe como Yves St Laurent e Chloé.

Lanche: Não é o mais barato, mas o Chez Angelina é uma das melhores lojas de chá de Paris.
Aqui, uma crítica do lugar, que insiste a experimentar um chocolate quente.

Noite: Era o último dia e meus pais resolveram não agendar nada. Um passeio final por Paris, a noite, seria o suficiente. Eles acabaram passando pela Torre Eiffel que, mesmo com chuva, estava cheia de gente esperando para ver suas luzes noturnas.

(Na hora que as luzes acendiam ouvia-se um sonoro "ohhhh" dos turostas que estavam por lá)

3 comentários:

  1. Vou chorar um rio de lágrimas que o Pompidou foi especial pra mim!! Já andei a toa sozinha por lá várias vezes, já chorei escondida com exposição bonita, o espaço é maravilhoso, a livraria é tentadora... E em cima dele tem o Georges, restaurante moderninho (claro!) e com vista linda. E de comer ali perto tem também o Pied de Cochon, um restaurante simples mas tradicionalíssimo que tem a famosa sopa de cebola gratinada francesa mais gostosa do mundo! J'aime!

    Nunca comi no Le Grenier de Notre Dame! E sou vegetarina! :-( Fiquei com vontade.

    Com mais tempo, eu não deixaria de: passear no Saint-Germain-des-Prés e na região da Sorbonne, ali bem pertinho do Luxembourg; ir ao Musée d'Orsay; pegar o primeiro vagão da linha 14 de metrô (a mais nova de Paris, não tem maquinista e parece que a gente está indo em direção à tragédia) e descer na Biblioteca Nacional, que é uma coisa magnífica de linda e é um bairro todo diferente de Paris (eu morava lá!); ir à Opera Garnier (ao lado da Laffayette); ir a um Monoprix (supermercado querido de Paris, e eu acho que ir ao supermercado sempre diz muito de um lugar); e, por fim, à noite, ir à Favela Chic, que toca de Edith Piaf a funk carioca e tem caipirinha (9 euras, mas tem).

    Ah, Paris é Paris.
    Ficam as dicas pra sua ida, Ju! Me hospeda na sua casa? :-)

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  2. Claro que o Pompidou é para vc! =]
    Gostei muito das dicas e vou guardar todas! Fiquei morrendeo de vontade de ir a Biblioteca Nacional, adoro bibliotecas, mesmo quando eles são tão grandes que passo 3 horas lá sem conseguir escolher um livro!

    Também vou ao Monoprix com certeza! Meus pais trouxeram uams barras de chocolate de lá maravilhosas e com avelãs INTEIRAS!! Hum... A Favela Chic vai ser um passeio indispensável, com certeza! Hahaha

    E querendo ir pra Clermont, minha singela moradia está a disposição!
    Beijos!

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  3. Senti saudades da minha viagem de set/10 A SAint Chapelle é a capela mais encantadora que vi em minha vida, com seus lindos vitrais. Espero voltar a PAris e ir também a Biblioteca. Vale tambem a pena fazer um passeio de bateu bus descendo pela Notredame e descendo pertinho do Museu D'orsay. Paris é divina!!

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