Para quem tem certeza já ter lido algo a respeito antes, não se preocupe: você tem razão. Em 2008, a estadunidense Elizabeth Gilbert lançou o Comer, Reza, Amar, livro que vendeu mais de 4 milhões de cópia em todo o mundo e ainda desembocou em um filme de mesmo nome. Nele, a autora conta o que aconteceu no seu divórcio e todos os detalhes que a fizeram decidir viajar pela Itália, Índia e Indonésia, em um ano sabático de prazer e auto-conhecimento.
Mas se o protagonista da história fosse um homem, para onde ele gostaria de ir? O que ele faria para recuperar a felicidade? Foi assim que surgiu a sátira Beber, Jogar, F@#er. O autor, Andrew Gottlieb, não fez a viagem para contar como tudo se passou, mas com uma imaginação fértil e a ajuda de todos os clichês masculinos possíveis, ele construir uma história que daria inveja a muitos marmanjos.
E atenção: quando digo que o livro é uma sátira é uma sátira mesmo. É preciso ter bom humor para rir dos clichês masculinos, das verdades inconvenientes e até dos momentos em que ele tira sarro descaradamente a narrativa de Liz Gilbert. E ele faz isso logo no capítulo 1, ao repetir a frase "Eu queria que Giovanni me beijasse", mas trocando o masculino Giovanni por Giovanna. Com a diferença, claro, que Liz Gilbert está comendo uma pizza na Itália e o protagonista Bob está em pub irlandês, completamente bêbado.
A partir daí, o autor faz diversas referências ao livro. Por vezes, dá a entender que ele é o próprio marido de Liz Gilbert, que inclusive tem pesadelos com o mais recente namorada da ex-esposa (Em Comer, Rezar, Amar, ela encontra um homem bem mais novo logo depois do divórcio). O momento mais hilário está na página 152, quando Bob vê um guru espiritual tendo aulas de ginástica em uma academia de Las Vegas: "Não sei o que surpreendeu mais, que Deepak Chopra tem um personal, que agora eu conhecia o personal de Deepak Chopra ou que Deepak Chopra estava agora em Las Vegas. Eu imaginava que ele estaria em algum lugar espiritual e elegante, como a Itália, ou a Índia ou, sei lá, Bali, talvez."
Eu, que não sou uma devoradora de livros, o li em algumas horas. As histórias são divertidas e a linguagem bem fácil. Chega a ser interessante algumas frases do livro que mostram claramente a forma de pensar masculina. Em alguns momentos, porém, o livro é bem fraco. A parte da Irlanda é, sem dúvida alguma, a mais divertida e a que tem as melhores histórias. Em Las Vegas, algumas histórias parecem forçadas demais e para que aquilo aconteça com uma pessoa real é preciso muita sorte. Mas ok, ele não está mesmo ligado à realidade.
Quando ele começa a descrever suas aventuras na Tailândia, porém, é decepcionante. Quem espera histórias picantes pode esquecer. Depois de passar alguns dias em um relacionamento se, compromisso com uma jovem indiana, ele larga toda e qualquer oportunidade sexual que sua estadia pudesse lhe oferecer para se entregar a uma mulher que ele conhecera na Irlanda. O livro termina no melhor estilo bobo-apaixonado que se pode imaginar. Apesar das piadinhas que permeiam a narrativa, é um final bem mulherzinha para um livro que tinha uma pegada mais masculina.
Ainda assim, eu recomende o livro, principalmente para aqueles que querem algo leve, divertido e que já se perguntaram o que aconteceria com um homem que estivesse tentando juntar seu coração fazendo as escolhas mais inusitadas do mundo. Pode dar certo.













