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sexta-feira, 20 de julho de 2012

A graciosa Colonia del Sacramento

Colonia del Sacramento é uma inspiração ao romantismo. E para iniciar a visita à charmosa cidade, nada melhor que entrar pelo portão principal, chamado Puerta de La Ciudadela. A porta e a ponte, estendida sobre o fosso, o forte, os pilares de pedra, os muros... tudo forma um maravilhoso espaço de interesse histórico e turístico.

(Atravessar a Puerta de la Ciudadela é como entrar em outro mundo)

Daí por diante é uma completa viagem ao tempo. No bairro histórico, tudo é encantador. As ruelas de pedra, a muralha, o píer, a Igreja Matriz, o porto de iates, as casas feitas a barro e pedra, os telhados desnivelados, as luminárias antigas a cada esquina, as ruínas do convento de São Francisco, os mais de 100 degraus para subir ao antigo farol.

Seguindo o Paseo de San Miguel, ao lado da Puerta de la Ciudadela, fica uma enorme muralha com vista para o Rio da Prata. A vista é linda e vale a pena subir nas pedras do muro para ver o resto da cidade e a imensidão do rio.

 (As muralhas e a imensidão do Rio da Prata, que se confunde com um mar)

Entre as histórias locais, uma delas me chamou atenção. Dizem que na famosa Calle de los Suspiros, havia um prostíbulo e os suspiros vinham dos quartos das “meninas” durante o trabalho. Lá podemos ver as casas mais antigas da cidade. Reza a lenda que quem subir e descer três vezes a pequena ladeira nunca mais terá problemas amorosos.

(Problema amorosos  nunca mais? Vale a pena tentar...)

A região próxima à Praça Matriz é uma das mais tranquilas e arborizadas do bairro histórico, ideal para se deixar levar pelas ruazinhas pitorescas, como a Calle 18 de Julio. Dá para passar horas por ali em busca do ângulo mais bonito para fotografar as casinhas e todos os modelos mais antigos de carro que você possa imaginar. Esses carrinhos são uma atração a parte: eles funcionam de todas as formas possíveis, como porta retrato, como vasos de jardim, com muitas plantas e flores, e até como bares, com mesa e bancos por dentro. Todos têm os pneus furados e funcionam como enfeites da cidade.

A cidade tem típicos azulejos pintados a mão espalhados em muros e casas. Logo, nada mais normal que possuir também um Museu do Azulejo. É o mais visitado dos museus locais e tem um acervo com mais de 3 mil peças de cerâmicas de origem francesa, espanhola e portuguesa dos séculos 18 e 19. O atrativo fica em uma pequena casa de estilo português erguida em 1750 e que ainda tem paredes e pisos originais.

(Um dos "enfeites" da cidade)

O farol de Colonia del Sacramento, localizado na Plaza Mayor, é único no Uruguai devido ao seu formato. Ele começa em uma base quadrada e se vai ganhando um contorno cilíndrico a medida que se torna maior. Foi construído sobre as ruínas do convento de São Francisco e inaugurado no ano de 1857.


Apesar dos seus 118 degraus, tem uma linda vista na parte mais elevada da cidade. Ok, para ser sincera, eu não subi os 118 degraus. Deu uma grande preguiça... mas eu não tenho dúvidas de escrever isto, pois subi as muralhas próximas à Puerta de La ciudadela e a vista já era incrível!


(Ruínas do convento e o farol de Colonia del Sacramento atrás)

Outro ponto de interesse é a basílica do Santíssimo Sacramento, que está localizada no centro histórico. Construída em 1680, é considerada a igreja mais antiga do Uruguai. Ela traz características arquitetônicas portuguesas e espanholas e já passou por várias reconstruções devido a conflitos nacionais. Ah, a entrada é gratuita.

(A igreja considerada uma das mais antigas do país)

A Plaza Mayor é uma ótima pedida para o fim de tarde. Ali estão vários restaurantes e pontos turísticos, além de ter um ambiente agradável, em meio às lindas árvores que dão sombra às ruas e que compõe o cenário retrô.

Os restaurantes à beira do Rio da Prata dão um sabor ainda mais apurado aos deliciosos mariscos, paella, ojo de bife, cordeiro ao hortelão ou o tradicional bife de chorizo com papas frito, e claro, acompanhando o saboroso vinho uruguaio ou as tradicionais cervejas Patrícia ou Norteña. Um dos restaurantes mais disputados pelos turistas é o excêntrico El Drugstore (Calle Vasconcellos, 179). Quadros e paredes coloridas, boa música e um cozinheiro que prepara os pratos na frente dos clientes fazem deste restaurante uma parada obrigatória, nem que seja só para fotos. Do lado de fora, além de mesas ao ar livre, pode-se fazer as refeições dentro de um carro antigo, adaptado para esse fim.

(Que tal almoçar em um coche a moda antiga?)

Também não podemos deixar de experimentar os deliciosos sorvetes ou os sofisticados cafés do Freddo, uma gelateria argentina que faz bem o seu papel em terras uruguaias e fica na Plaza Mayor, no coração do centro histórico.

O Porto dos Iates é um lugar de grande atrativo durante o ano todo. Suas águas calmas são perfeitas para a prática de esportes naúticos. De lá é possível contemplar a baía de Colonia del Sacramento.

E para aqueles que tiverem a oportunidade de passar a noite ou até mesmo de retornar à Buenos Aires no último horário do Ferry Boat, não deixem de assistir o pôr do sol. Os dois melhores lugares para fazer esse programa são o Paseo San Grabriel, bem próximo ao mástil de la bandera, na Punta San Pedro, ou na extremidade do cais de iates. É imperdível!

(Fim de tarde no Paseo San Gabriel)

Para saber um pouco mais sobre Carol Lemos e ver como a viagem começou é só clicar nesse link.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Do outro lado do Rio da Prata

Em frente à Buenos Aires, no lado oposto ao Rio da Prata, fica a encantadora e graciosa Colonia del Sacramento. Ela é a Tiradentes do Uruguai para os mineiros, ou a Paraty do Uruguai para os cariocas. Visitar o local é fazer uma verdadeira viagem ao tempo! Ruas de paralelepípedo, casas de barro e pedra, ladrilhos nas paredes e, por toda a cidade, antigas luminárias amarelas que decoram e dão arte às suas charmosas ruelas.
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(Arquitetura antiga nas casas, ruas e até na disposição das árvores)

Fundada por portugueses em 1680, Colonia del Sacramento ocupa hoje o posto de Patrimônio Cultural de Humanidade pela Unesco.

(Azulejos e lamparinas)

Ao desembarcar no porto da cidade, você tem a opção de comprar um city tour, o que, na minha opinião, é uma grande perda de tempo. É um pecado ficar aproximadamente 3 horas dentro de um ônibus quando há tanto o que aproveitar. Sem contar que existem opções muito melhores: logo na avenida principal você se depara com várias lojas de aluguel de carros, bicicletas, motos e os incríveis... Incríveis carrinhos de golfe. Poderia ter feito um programa mais saudável, como um passeio de bicicleta ou mesmo uma caminhada, já que a cidade é totalmente plana. Mas não resisti e fui de cara no aluguel dos carrinhos de golfe!

Mas fique atento ao chegar na avenida principal pois logo aparecem 3 ou 4 vendedores tentando lhe oferecer o melhor preço para o aluguel. É como desembarcar na Bahia. Existe uma enorme diferença entre o que o vendedor diz e os preços reais. Vale a pena pesquisar antes de alugar, principalmente porque o real e o dólar são supervalorizados no Uruguai e o peso argentino totalmente desvalorizado. Os preços do aluguel giram em torno de 140 reais por carro, com capacidade para 4 pessoas.

(O Kawasaki do dia)

Pesquisei o melhor preço e ali estava meu companheiro do dia... Aquele encantador carrinho de golfe vermelho. Como nunca tinha dirigido um destes, estava bem empolgada com essa nova ideia Mas sim, como qualquer turista de primeira viagem, ao dobrar a esquina vi um outro rent a car com preços ainda mais baixos... mas não, nem hesitei em parar para não passar raiva! No próximo post, conto como foi o passeio pela cidade. Abaixo, um guia detalhado sobre...

Como chegar a Colonia del Sacramento

Para se chegar à cidade por Buenos Aires, há três companhias de transporte fluvial via ferry: a Buquebus, Colonia Express e a SeaCat. A viagem tem um tempo médio de 1h em embarcações rápidas. O check in deve ser feito com pelo menos 1h de antecedência e malas grandes podem ser despachadas, assim como ocorre em aeroportos. Muitos turistas compram o pacote para sair bem cedo de Buenos Aires e retornar de Colonia no fim da tarde. Porém, se tiver tempo, vale a pena passar a noite na cidade e voltar no dia seguinte, ou até mesmo seguir adiante para Montevideo ou Punta Del Este. As poltronas dos Ferrys boats não são numeradas, mas existe a primeira classe. A companhia disponibiliza também uma lanchonete para matar a fome durante a viagem.

(Um enorme avião, com mais espaço para enfileirar as cadeiras)

A Buquebus é a mais tradicional das três companhias, possui diversas opções de horários de travessia e, portanto, possui preços mais elevados que variam dependendo da época. É a única que possui o transporte de carro. Durante a viagem, podemos fazer algumas comprinhas no free shop do ferry boat com preços mais baixos que no Aeroporto Internacional de Ezeiza (Buenos Aires) e de Guarulhos (São Paulo). Em embarcações rápidas para day tour em tarifa programada pode sair em torno de 450 pesos argentinos.

A Seacat é a mais nova companhia que atua no trajeto Argentina-Uruguai e os preços são muito atraentes. Ida e volta em tarifa programada pode sair em torno de 200 pesos argentinos. Comprei os tickets da Seacat, mas a embarcação foi feita em um ferry construído pela Buquebus, ou seja, comprei uma passagem da Web Jet e voei de TAM.

(A paisagem depois de atravessar o Rio da Prata)

O Colonia Express é o competidor mais antigo da Buquebus em operação e tem preços bem acessíveis. Os barcos não são tão grandes quanto os do Buquebus, nem tão modernos quanto os da Seacat. Faz a travessia em uma hora e não transporta carros. Os preços variam entre 200 a 400 pesos argentinos dependendo do dia da semana.


Carol Lemos tem 28 e é formada em Engenharia de Alimentos. Nas suas últimas férias, foi para Buenos Aires com os amigos. Carol adora cozinhar, butecar e viajar e odeia, na mesma proporção, acordar cedo, fazer as malas e encontrar biscoito integral no avião. Ela também não gosta da palavra cerrado. Principalmente depois de ser barrada em um restaurante em pleno domingo a noite."Sabe de uma coisa que eu ODEIO nesse lugar? A palavra cerrado... eu gosto de abierto siempre". Carol continuou do lado de fora, mas fez amigos brasileiros que estavam por ali, rindo da situação.