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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Viajando de carro

Sempre fui a favor de viagens automotivas. Se eu tivesse um semestre de férias preferia ir do Brasil ao Canadá de carro do que de avião, e parar em cada cidade que fosse encontrando no caminho. Transportes aéreos são lindos e rápidos, nos poupam tempo e nos dão a possibilidade de conhecer outros continentes sem enjoar durante um mês em um grande navio. Mas perdemos boa parte da paisagem.

(No inverno europeu, casinhas como essa são comuns são comuns pelo caminho. Foto tirada desse link)

No Brasil há uma complicação a mais: a (falta de) infraestrutura. Estradas de faixa única, pistas sem acostamento, buracos e mais buracos. Isso sem contar as pontes que parecem cair aos pedaços. Está melhorando? Sim. Mas ainda é uma vergonha nacional saber que um país que vai sediar a próxima Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos de 2016 tem estradas tão precárias. As ruas e avenidas urbanas não escapam a regra. Faça um teste: coloque um CD em um carro que o rádio não tenha anti-choque e veja quantas vezes a música vai parar ou pular por causa dos desníveis do asfalto.

Na Europa a música segue tranquila. A diferença entre um país dito subdesenvolvido para um desenvolvido (salvo exceções) é a qualidade dos serviços públicos oferecidos. Ou mesmo dos privados, já que as estradas hoje em dia estão nas mãos de grandes empresas. Elas cobram pelo seu trabalho em forma de pedágio. Mas o pedágio no velho continente vale a pena. As autovias são enormes, com várias pistas e esquemas de segurança por todo lado. Placas, asfalto lisinho e espaços com brita para "enfiar" os veículos que perderam o freio (até nisso eles pensaram!).

(E em 2010 a União Europeia ainda apresentou um plano para diminuir pela metade o número de mortes em suas estradas. Foto e matéria retiradas desse link)

E para quem não quer pagar pedágio, a estradinha antiga não foi destruída. Ainda está lá. Em quase todos os países europeus o condutor tem a opção de passar pela grande via, mais movimentada, maior, mais rápida, ou pela "estradinha", menor, mais escondida, mas igualmente boa. E as pequenas vias europeias tem qualidade superior a muitas das estradas brasileiras. Sem contar o visual...

A primeira boa experiência aconteceu em 2008, quando viajei a Portugal com minha família. Fomos do Porto até Lisboa de carro, parando aonde queríamos e dormindo em algumas cidades no meio do caminho. A qualidade das estradas impressionaram desde o primeiro minuto. Mas o prêmio ficou mesmo para a paisagem, principalmente no Vale do Rio Douro. A passagem estreita e cheia de curvas deixava a vista a capacidade dos portugueses de fazer da terra seu ganha-pão. Como o país é pequeno, cada pedacinho do campo era bem aproveitado. O resultado são morros com curvas de linha de vinhedos e oliveiras de cima a baixo. Uma das imagens mais bonitas que já vi na vida.

(Na primavera, a paisagens fica toda colorida pelas flores)

A segunda foi durante o intercâmbio, quando organizamos uma caravana brasileira, rumo à Oktoberfest. 14 horas de viagem, grande parte a noite, para chegar a Munique, na Alemanha. Como contei no post sobre essa viagem, o país chega a ter uma placa que significa "limite de velocidade não estabelecido". Só em estradas muito seguras - e, principalmente, com um povo que tenha noção - é possível colocar isso. Conduzimos ao lado de carros importados a 240 km/h e não vimos, nem na ida nem na volta, acidentes ou problemas.

Bem impressionadas com a experiência alemã, eu e mais duas amigas brasileiras alugamos um Twingo e viajamos pelo Sul da França. Além da certeza de uma boa estrada, o carro nos daria a liberdade necessária para a nossa ambição: 8 cidades em 7 dias. O outro ponto positivo era o preço. Alugamos o carro por 245 euros durante uma semana. O problema era só o dinheiro. Apesar do preço irrisório, teríamos dar uma caução de 1.200 euros. Demos um cheque sem fundo com 600 (#malandragem. Mas eles sabiam...) e dividimos o resto nós três. Na sexta-feira pela manhã deixamos Clermont.

(Uma amostra da vizinhança do nosso carro. Cidades antigas e casinhas de pedra apareciam de hora em hora)

domingo, 29 de agosto de 2010

De cabeça pra baixo

Blog pseudo-abandonado por bons motivos: estou na Europa começando o sonho dourado do intercâmbio. Demorou tanto... mas chegou! Ainda não sei quais serão meus horários na faculdade, minha disponibilidade de acesso a internet e minha rotina local... como disse, minha vida anda de cabeça para baixo nesses dias, mas espero poder postar tudo o que venho anotando desde o dia 25 de agosto, quando embarquei no aeroporto de Confins.

A viagem foi tranquila e com uma boa coincidência. Mesmo sem a chamada da aeromoça, uma fila se formou na frente do meu portão de embarque. Levantei e perguntei a uma menina se aquela era a fila para Lisboa. Ela me informou que sim e começamos a conversar, até que perguntamos nossos nomes e conferimos nossos bancos: 27 A e B. Sentaríamos do mesmo lado. Além disso, ela também era da UFMG e estava lá para um intercâmbio de um ano na Universidade de Coimbra. Sentamos juntas e nos ajudamos a passar aquelas 8 horas de voo de uma forma mais rápida.

Chegando a Lisboa era preciso pegar um avião para o Porto, meu destino final. Tinha duas horas para passar pela imigração, chegar ao outro lado do aeroporto e esperar o próximo voo. Tempo de sobra, não? Meu pai até brincou: "aproveita e já come o primeiro pastelzinho de nata em Portugal". Mas vocês não tem ideia do tamanho do aeroporto de Lisboa. Ele é imeeeenso. Além da fila da imigração (e do tão esperado e teso carimbo no passaporte), tivemos que sair literalmente correndo até o fim do terminal 1, pegar um ônibus para o terminal 2 e embarcar.

Tudo pronto, cheguei a Porto sem maiores problemas ou malas extraviadas. Passei três ótimos dias com parte da minha família que mora lá na cidade. Como planejado, meu pai chegou ontem e então embarcamos para Paris, onde estou neste exato momento. Aqui, na verdade, já são 23h10 e estou aproveitando esse tempinho de rede wi-fi para dar uma notícia.

Chego em Clermont-Ferrand no dia 1º de setembro e então organizo minha vida. Tenho muitas coisas a resolver por lá, como o meu apartamento na moradia, as matérias que farei durante o intercâmbio, questões de dinheiro e celular e tudo o mais que envolve passar 5 meses fora de casa. Até que tudo se organize, não sei qual será minha frequência por aqui, mas prometo entrar sempre que puder. Tenho muito o que contar e mostrar nesses 5 dias de viagens, casos e fotos!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O que fazer no Porto - 2ª Parte

2º passeio: Centro

TRAJETO: Pegar o Metro dos Aliados até a Avenida dos Aliados. Subir a Avenida até a Igreja de Santa Clara. Descer de novo até a Avenida e lanchar no Café Guarany. No final está a Praça da Liberdade. Seguir a direita pela Rua dos Clérigos e depois até a Rua Filipe de Nery. Visitar a Igreja e a Torre dos Clérigos. Em um canto da praça está o Centro Português de Fotografia e, no outro, a Livraria Lello.

Voltar a Praça da Liberdade. Descer a direita e visitar a Estação Ferroviária de São Bento. Subir de novo até a praça e seguir pela rua Sá de Bandeira (o restaurante Abadia está em uma rua paralela). Virar a direita na Fernandes Tomás. Lá está a Capela das Almas e o Mercado do Bolhão. Virar a esquerda e descer pela rua Santa Catarina. Lanchar no Majestic Café, dois quarteirões a frente do início da rua.

Avenida dos Aliados
É onde está o atual centro administrativo de Porto. Tem dezenas de prédios históricos. No canteiro central da avenida há cafés e banquinhos para as pessoas descansarem.

(A grande Avenida dos Aliados)

Igreja de Santa Clara
Construída no estilo manuelino, a igreja foi fundada no ano de 1416. No seu interior é possível ecnontrar um dos melhores exemplares de talha dourada do período joanino. A igreja fica no Largo 1º de Dezembro e funciona normalmente, com a diferença de que fecha de 12h as 15h30. Aos domingos ela fica aberta somente de 10h as 12h. E todos os dias... é de graça.

Igreja e Torre dos Clérigos
Igreja em estilo barroco construída entre 1732 e 1750. Ela foi montada para a irmandade dos Clérigos, que reunia três instituições beneficientes. A Torre foi a última construção do conjunto dos Clérigos. Ela tem 6 andares e 75 metros. Do alto, tê-se uma vista panorâmica de toda a cidade. A igreja é aberta à visitação todos os dias, de 10h às 19h, e nos fins de semana de 14h às 17h. A entrada é gratuita, mas para subir na Torre é preciso pagar 2 euros. Um preço irrisório para uma paisagem tão bonita!

(Torre dos Clérigos e a vista do Porto lá do alto. Primeira foto tirada desse link)

Centro Português de Fotografia
Antigo edifício da cadeia da Relação, o local abriga exposições de fotografia e uma biblioteca. Há também uma coleção de câmeras raras. Vale a pena entrar no site para saber quais são as novas exposições. O Centro fica ao lado da Torre dos Clérigos e funciona de 10h as 18h. Nos fins de semana fecha uma hora mais tarde. A entrada é gratuita.

Livraria Lello
Inaugurada em 1906, um dos únicos prédios na cidade a apresentar uma fachada neogótica. Por dentro, escadarias vermelhas em espirais e detalhes em dourado. É considerada a terceira livraria mais bonita do mundo. O funcionamento (como não poderia deixar de ser) segue o horário comercial.

Estação de trem de São Bento
Foi inaugurado em 1916, na Praça de Almeida Garret. Antigamente, o local era o Convento de São Bento de Ave Maria. O átrio principal é revestido com mais de 20 mil azulejos. A obra é do pintor Jorge Colaço e faz alusão a várias cenas da história portuguesa.

(Estação de São Bento mais do que cheia. Metade eram turistas que não estavam nem aí para o fato de aquilo ser uma estação, e sim um ponto turístico)

Mercado coberto de Bolhão
Mercado típico da região. Lá os moradores de Porto fazem suas compras, entre frutas, queijos, vinhos, temperos e outros artigos. O endereço é Rua Fernandes Tomas, mas como não tem nada lá perto que chame muito a atenção, não custa perguntar a algum transeunte se ficar perdido. No fim de semana o horário é restrito: sábado funciona de 8h às 13h e domingo fica fechado.

Capela das Almas
Construída no século 18. A igreja é muito simples por dentro, mas por fora é revestida de azulejos portugueses, formando imagens de santos. Não gaste tempo entrando na capela, o mais interessante está do lado de fora.

(Nem me lembro como era a igreja por dentro, mas por fora! Foto tirada desse link)

3º passeio - Foz

TRAJETO: Seguir pela estrada da Circunvalação até a rotatória (que na terrinha eles chamam de "rotunda") na qual está o Monumento aos pescadores. Virar a esquerda e seguir pela Esplanada do Rio de Janeiro. Na próxima rotunda, visitar o Castelo do Queijo. Procurar algum aluguel de bicileta para passear pela Avenida de Montevideu e Avenida Brasil. Quando a Avenida Brasil virar uma bifurcação, seguir pela Rua de Diu. Passar a praça do Império e seguir pela Avenida Mal. Gomes da Costa. Visitar a Fundação Serralves. Se sobrar tempo, pegar um ônibus até o final da Avenida Boavista e visitar a Casa da Música.


Monumento aos Pescadores
O nome oficial da estrutura é She Changes, de autoria da estadunidense Janet Echelmann. Também chamada de "A Anemona" ou Escultura de Rede, por ser inspirada em uma rede devido a cultura da pesca local. O monumento fica na Praça Cidade do Salvador.

(Como foi feito ou colocado aí? Não me perguntem... Foto tirada desse link)

Castelo do Queijo
Também conhecido como Castelo de São Francisco Xavier, dizem que o foi construído sob um local sagrado de uma tribo Céltica que veio para a Península Ibérica no século 6 a. C. Foi construído no século 15. D. Miguel usou o local para bomberdear as tropas liberais de D. Pedro. Célebre pelo seu miradouro, é um dos melhores locais para se apreciar o pôr-do-sol da cidade. Abriga ainda exposições temporárias. Ele funciona todos os dias, de 13h as 18h (exceto segundas-feiras) e a entrada é gratuita.

Fundação de Serralves
Museu de arte contemporânea, único do gênero na região norte do país. Ao lado fica o Parque de Serralves, com espécies da flora típica de Portugal. Também funciona todos os dias, menos às segundas-feiras. Os horários e os preços podem ser consultados nesse site. Aos domingos a vista é de graça.

Casa da Música
Foi construída para ser o espaço de encontro de todas as músicas. Inaugurado em 2005, tem salas, bares, biblioteca. O prédio por si só já é uma atração e tanto, com um formato singular e revestido de azulejos portugueses (mas nada conservadores). Cada parte da Casa funciona em horários diferentes, de acordo com os eventos no local. Já as visitas guiadas têm horários e dia específicos para acontecer. Entre no site oficial para conferir.

(Inovação em arquitetura. Foto tirada desse link)

Onde comer

Aqui, os locais já citados nesse e no post passado... e outros "lugarzinhos"

1. Chez Lapin: Tem de tudo, do nosso PF de cada dia até uma boa comida típica portuguesa. Fica na Rua dos Canastreiros, 42, Ribeira.

2. Café Guarany: Fundado em 1933, era ponto de encontro dos músicos da cidade. Sexta e sábado a noite a casa apresenta shows de fado. Fica na Avenida dos Aliados, 85, Centro.

3. Abadia: Fundado em 1939, era o o local onde os peregrinos religiosos (normalmente a caminho de Santiago de Compostela) descansavam. Serve comida portuguesa. Fica na Rua Ateneu Comercial do Porto, 22-24, Baixa (Zona histórica).

(Suculentos, não? A primeira foto é de um bacalhau a Gomes de Sá, uma das receitas típicas de Portugal. Abaixo, uma francesinha master, com o dobro de recheio da tradicional. Foto tirada desse link)

4. Majestic Café: É o mais tradicional café da cidade, fundado ainda em 1921. Era ponto de encontro deos maiores artistas e políticos da época. Fica na Rua Santa Catarina, 122, Centro.

5. Solar do Vinho do Porto: Comida boa, mas o que mais impressiona é a paisagem. O restaurante tem vista para o Rio Douro e garante um lindo pôr-do-sol. Fica na Rua de Entrequintas, 220, Quinta da Macieirinha. Abre às 16h.

6. Capa Negra: Conhece a francesinha? É o sanduíche mais famoso do Porto e faz sucesso entre os jovens. A forma clássica é feita de pão de forma, recheado com linguiça, salsicha, presunto e um filé boi, cobertos com queijo derretido e um molho especial. Já ouvi dizer que no Capa Negra está a melhor francesinha da cidade (apesar de muitos preferirem aqueles de barraquinha mesmo). Fica na Rua Campo Alegre, 191.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O que fazer no Porto - 1ª Parte

Depois do Rio de Janeiro, Porto foi a cidade mais bonita que já visitei. Para ter certeza de que não estou mentindo, vá ao bairro da Ribeira, na margem direita do Rio Douro. É nesse ponto que está a paisagem mais memorável de toda cidade. De um lado, Porto histórica, com suas casas coloridas de telhados marrons, umas juntinhas das outras. Do outro, o município de Vila Nova de Gaia, com os armazéns vinícolas e área verde. No meio, o lindo Rio Douro, o mais importante da cidade e, de bônus, a ponte Dom Luís I. A obra que lembra à Torre Eiffel, não por menos: seu criador, Teófilo Seyrig, era antigo sócio de Gustave Eiffel.

(Para completar a paisagem, os barcos típicos do Rio Douro: os rabelos. São pequenas embarcações usadas para transportar as pipas de vinho do Porto do Alto do Douro, onde são fabricadas, até Vila Nova de Gaia, onde são estocadas e comercializadas)

Essa é só uma das paisagens. Porto também é cheia de ruas apertadas, bonitas e cotidianas, de prédios históricos, de docerias de dar água na boca. Além disso, particularmente, gosto de meias-metrópoles. São aquelas cidades que tem tudo o que queremos em uma metrópole sem ser uma delas. Modernidade, serviços e um clime descompromissado. Agitadas e leves ao mesmo tempo.

Daqui a 10 dias vou estar lá novamente! Passarei dois dias na cidade do Porto na casa de uma prima. Como todos trabalham, fiz um roteiro do que visitar baseado nas informações "internéticas" e na minha antiga viagem. Se querem saber, tem coisa demais. Não pretendo fazer tudo, pois não terei tempo suficiente. Marquei no papel aquilo que tinha prioridade de acordo com minhas preferências pessoais. De toda forma, vou reproduzir aqui o roteiro completo para quem quiser escolher uma ou outra coisa.

(Um belo clique!)

Durante a pesquisa, destaquei um monte de lugares que podiam ser divididas em três passeios, de acordo com a proximidade das atrações. Hoje, o primeiro deles e, depois, os outros dois. Primeiro está o trajeto completo com os pontos mais interessantes sublinhados e, mais abaixo, um resumo das atrações com endereço, horário de visitação e entrada. Os preços são todos para estudantes. Se você não for, paga o dobro. Se se perder nas "direitas e esquerdas" da vida entre no google maps e visite a cidade virtualmente.

1º passeio: Ribeira

Trajeto: Pegar o Funicular do Guindais e parar na estação do Cais da Ribeira. Seguir a direita pelo Cais da Ribeira (na rua paralela ao cais está o restaurante Chez Lapin) e ir à Casa do Infante. Subir a Rua da Alfândega até a Praça Infante D. Henrique. Lá, visitar o Palácio da Bolsa. Ao lado, visitar a Igreja de São Francisco. Descer a Rua Infante D. Henrique e seguir a direita até a Rua Nova da Alfândega. Visitar o Museu dos Transportes e das Comunicações

Pegar um ônibus e voltar ao Cais da Ribeira. Subir a Avenida de Vimara Peres e virar a primeira a esquerda até a Sé Catedral. Voltar ao Cais da Ribeira. Andar pela Avenida Gustave Eiffel e depois atravessar a Ponte D. Luís I por cima (a melhor vista de Porto pelo município de Vila Nova de Gaia). Descer e andar pela Avenida Diogo Leite passeando pela Cais de Gaia.

Funicular dos Guindais
Foi inaugurado em 1891, mas fechado dois anos depois devido a um grave acidente. Em 2004, mais de um século depois, um novo funicular foi projetado no mesmo local. Entre os pontos mais importantes do trajeto do Funicular estão (em ordem) a rua Santa Catarina, a praça da Batalha, o Teatro Nacional São João, a Igreja de Santa Ildefonso, a Estação de São Bento e a Sé Catedral. O Funicular funciona de 8h às 22h de domingo a quarta e 8h às 24h de quinta a sábado e para andar nele é preciso um cartão de transportes Andante de título Z2.

(Descida no Funicular dos Guindais com vista para a Ponte Dom Luís I e o Rio Douro. Foto tirada desse link)


Casa do Infante
Também conhecida como Casa da Rua da Alfândega Velha. É um dos edifícios mais antigos da cidade. Construído em 1325, o local tinha um pátio e duas torres centrais onde funcionavam a Casa da Moeda e algumas habitações. Segundo a tradição popular, o patrono dos descobrimentos portugueses, Infante Dom Henrique, nasceu no local no ano de 1394. O prédio sofreu algumas modificações e passou por uma grande restauração em 1924. Atualmente, abriga o Arquivo Histórico Municipal e do Porto e o Museu Medieval. A casa funciona todos os dias, de 10h às 12h e de 14h às 17h. Dizem as más línguas que vale a pena visitar só por fora...

Palácio da Bolsa
A construção do Palácio começou em 1842. Construída em estilo neoclássico, é considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Atualmente é a Sede da Associação Comercial do Porto e recebe uma série de eventos. O Palácio está aberto de 9h às 18h30 e para entrar é apenas 3 euros

Igreja de São Francisco
É a única igreja gótica da cidade e um dos poucos edifícios medievais. Sua construção remonta ao século 14. Nos séculos 17 e 18 seu interior foi todo revestido de talha dourada, contendo mais de 600 kg de ouro. Não cometam o pecado de chegar depois das 19h30, quando a igreja já está fechada.

(As igrejas barrocas brasileiras, como as de Ouro Preto, foram inspiradas nessas belezuras douradas. Foto tirada desse link)

Museu dos Transportes e das Comunicações
O museu fica no Edifício da Alfândega. Há duas exposições permanentes. O Automóvel no Espaço e no Tempo traz carros, fotos, imagens, peças publicitárias e tudo o que está relacionado ao mundo automobilístico. A outra, Comunicação do Conhecimento e da Imaginação, mostra as diferentes formas de se comunicar. O local também oferece oficinas, mas é preciso agendamento prévio. uma nova exposição, aberta em 2006, busca resgatar e preservar a memória do edifício da Alfândega e da sua história como instituição reguladora das transações comerciais da cidade. Entre terça e sexta-feira, o museu fica aberto de 10h as 18h. Nos fins de semana ele só funciona de 15h as 19h, mas a entrada é gratuita!

Sé Catedral
É o principal edifício religioso da cidade. Começou a ser construído no século 12. Sofreu influência de várias correntes arquitetônicas, principalmente da barroca. Junto a ela está o centro histórico tombado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Funciona como toda igreja, com a diferença que ela fica fechada entre 12h30 e 14h30. A entrada gratuita, mas para subir ao claustro é preciso pagar 3 euros.


(O terreiro da Sé com a Catedral ao fundo (foto tirada desse link). Quando visitei o local, um grupo de dançarinos espanhóis estava descansando e resolveram dançar um pouco para os turistas. Usavam gaitas de fole e movimentos de dança típica!)

Ponte Dom Luís I
Ponte construída sob o Rio Douro para substituir a ponte pênsil que existia no local. Inaugurada em 1887, o projeto saiu das mãos do belga Tófilo Seyrig, sócio de Gustave Eiffel. Toda trabalhada em ferro, a arquitetura se assemelha à Torre Eiffel. É possível atravessá-la por cima ou por baixo. Dela tem-se a vista mais bonita do Porto e de Vila Nova de Gaia.

terça-feira, 8 de junho de 2010

É a idade!

A situação da população europeia é crítica. Isso porque ela está envelhecendo gradativamente. Se a alguns anos falar que o velho continente iria sofrer com o exceso de idosos parecia falta de respeito, hoje, percebe-se que o assunto precisa sim ser debatido com a devida preocupação.

(Com o passar dos anos, uma cena com essas fica ainda mais difícil, pois são as mulheres que vivem mais. Foto tirada desse link)

É visível. Lembro de quando fui para Portugal, em agosto de 2007, e visitei pequenos vilarejos do interior. Esses locais tinham pouquíssimas crianças. Ao contrário, era comum ver um velinho simpático andando pelas ruas de pedra ou duas comadres conversando na porta de alguma casa.

A vila de Junqueira, onde morava meu avô, é uma daquelas aldeias que vai acabar desaparecendo. No local moravam cerca de 40 pessoas. Entre elas, uma única criança. Não há jovens, pois todos vão estudar em cidades maiores. Quando se formam eles não voltam, pois não há emprego. Viram adultos moradores de centros urbanos. E o número 40 diminui a cada dia, pois os idosos vão morrendo e seus filhos, ao invés de voltar, vendem a casa que restou.

Em Junqueira, havia uma escolinha que ia até os 6 anos de idade, quando as crianças devem ir para outras cidades estudar. Ela fechou por falta de alunos. Esse processo começou em 2005, quando o governo português passou a fechar escolas maternais com menos de 20 alunos. Segundo o secretário de Estado da Educação de Portugal, João Mata, as 2500 unidades encerradas eram escolas "sem recursos adequados e onde as condições de ensino e de aprendizagem suscitavam em insucesso e abandonos escolares". A lei desagradou a população e é fortemente discutida no país até hoje.

Mas não mudou. Perto de Junqueira há sete vilas próximas e só uma tem escola. A outras foram fechadas. Agora, o governo manda vans escolares buscarem as crianças em suas casas todos os dias.

Meus pais, que voltaram do velho continente há pouco tempo, sentiram isso de perto. nas grandes capitais o problema mal se nota: há jovens por todos os lados e uma população extremamente ativa. Nas cidades um pouco maiores, o idosos estão em grande quantidade. Mas é nas pequenas vilas que vemos o que a gente tanto lê nos livros de geografia, mas não consegue visualizar. É um movimento de dentro pra fora que o turista do roteiro comum talvez nem perceba.

(Casa em Junqueria. Apesar da beleza, muitas já estão abandonadas)

Tendência mundial

Alguns motivos contribuem para o envelhecimento da população. Um deles é o crescimento da expectativa de vida. Enquanto a população europeia morria aos 45 anos em 1900, hoje ela ostenta uma expectativa de vida entre 75 e 80 anos. No Brasil, observa-se algo semelhante. Segundo dados do IBGE, em 1900 um brasileiro vivia em média 33,7 anos. Em 2000, esse número pulou para 68,5 anos. O crescimento da expectativa de vida foi causado, entre outros fatores, pelas melhores condições alimentares e sanitárias e pelos avanços na medicina.

O outro motivo para o envelhecimento é a queda da taxa de fecundidade. Segundo dados de 2008 do IPEA, na década de 1960 a média brasileira era de 6 filhos por mulher. Em 2007, o número caiu para 1,9. Na Europa é ainda menor. A Itália tem as piores projeções: 1,2 filhos. Diversas entidades já demonstraram que para a população de um país manter-se estável, é preciso que cada mulher tenha ao menos 2,1 filhos. Nenhum país europeu, porém, passa no teste.

A Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa afirma que o envelhecimento da população é um dos maiores desafios que o continente enfrenta. A mão de obra na Europa já está escassa: a cada 4,4 pessoas com idade para trabalhar há uma pessoa idosa. Isso sem contar os gastos desses países com médicos, seguro-saúde e aposentadoria.

Se o problema já é grande quando pensamos dentro de uma lógica brasileira, imagine na Europa, que garante todos os direitos de seus cidadãos! Não estou dizendo que os países não devam fazer isso, principalmente se eles pagam tantos impostos. Mas sabemos que um país pode ficar "capenga" quando seus gastos orçamentais se elevam muito.

(Hoje, um dos maiores desafios é assegurar os direitos dos idosos, como desfrutar de assistência especial do governo e envelhecer com dignidade. Foto tirada desse link)

E o problema vai além do financeiro, pois o país começa a criar uma cultura ao redor de toda essa "segurança social". Segundo minha própria minha tia, que mora em Porto, as pessoas estão ficando preguiçosas. Meus pais demoraram 2 dias para conseguir uma procuração pois a funcionário não conseguiria atender o incrível número de 4 pessoas em menos tempo. Quando alguém perde o emprego ela permanece assim por meses a fio, já que o seguro desemprego dura 3 anos. Até a comida dos doentes eles levam em casa. Acho todos esses benefícios ótimos, se querem saber. São frutos de lutas de uma população lutando pelos impostos que pagam. Mas essa cultura quase assistencialista, um dia, pode se tornar insustentável.

DICA: A Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra realizou um estudo do perfil de envelhecimento da população portuguesa. A ideia é, por meio dessa pesquisa, identificar as peculiaridades dessa "geração" e, assim, proporcionar um maior bem estar para essa população. Para quem quiser se aprofundar no assunto é só entrar nesse site.