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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Maratona madrilenha

Se eu tivesse que fazer uma lista com os dias em que eu mais andei por uma cidade, 28 de dezembro do ano passado seria um deles (junto com o dia em que fui tirar meu visto no Rio de Janeiro e o dia em que fiquei passeando a esmo por Grenoble a espera de alguns amigos "presos" na montanha). Não sou dada a frescuras e preguiças, muito menos em uma viagem. Acredito ser normal, quase imprescindível, andar uns bons 4 ou 5 quilômetros se você quer mesmo conhecer um lugar em pouco tempo. Mas o que aconteceu em Madrid foi uma verdadeira maratona.

(Prédios charmosos na Plaza de Oriente)

Isso aconteceu por dois motivos. O primeiro era o fato de que tínhamos que deixar o albergue antes do almoço e não teríamos aonde ficar depois. O segundo, e mais importante, era que tínhamos somente um dia para conhecer uma capital inteira, pois meia-noite estaríamos embarcando para Sevilha. Assim, arrumamos nossas malas e perguntamos se podíamos deixar as mochilas no albergue e voltar às 10h da noite para pegá-las. Conseguimos o favor sem custo adicional.

O dia estava lindo. Frio, sem sol, mas com um céu azul que só vendo. Não tinha ideia de onde começar. Estava pronta para subir de novo e perguntar à dona do albergue quais lugares ela nos recomendava passear quando me lembrei como é bom tem um homem - com mapa - no grupo. Passamos por ruas que misturavam a arquitetura de diferentes séculos. Os edifícios eram beges, rosas, amarelos, vermelhos, mas ainda assim, clássicos.

Chegamos então à Plaza de Oriente, localizada no centro histórico de Madrid. O espaço foi desenhado em 1844 e está cheia de passeios e belos jardins. No centro, uma estátua do século XVII famosa por ser considerada a primeira estátua equestre do mundo. Nela está representada o antigo rei Felipe IV. Não bastasse a praça ser um charme por si só, ela ainda está cercada por algumas das construções mais importantes do país, como o Teatro e o Palácio Real, residência da família real espanhola. Peraí. Família real?

(Estátua equestre e palácio real ao fundo... uma pequena parte dele)

Todo um império

Fiquei uns cinco minutos brigando com o Teichmann e pedindo para ele parar de me fazer acreditar que a Espanha ainda vivia uma monarquia. Então fui no fundo do meu cérebro na tentativa de rastrear antigas aulas de histórias e reportagens sobre o assunto... Foi quando me dei conta de que ele estava certo. Tinha me esquecido completamente que a Espanha tinha uma família real com direito a rei, rainha, herdeiros, luta pelo poder e ego inflamado.

(Em todo o passeio do Palácio, estátuas humanas tentam ganhar um dinheirinho com os turistas)

Talvez a minha dúvida tenha surgido depois de ter me encantado com uma Espanha até então moderna e independente, dona de monumentos históricos que tomavam novas formas de acordo com os usos que seus habitantes faziam deles. Mas os traços da monarquia realmente estavam lá. A começar pelo palácio... enorme! Uma foto panorâmica não seria capaz de pegar toda a extensão daquele prédio. Não por menos. Com 135m², esse é o maior palácio da Europa Ocidental.

A construção dessa obra faraónica, erguida sob as ruínas do antigo Real Alcázar que pegou fogo em 1734, durou 154 anos. O palácio parece ter duas partes principais. Ao fundo, a residência oficial com seus mais de 3 mil cômodos que incluem centenas de quartos, salões luxuosos e outros tantos camareiros responsáveis por deixar tudo em ordem a pedido da realeza. Na frente, um pátio enorme com poucas plantas para receber eventos e pessoas importantes. Os súditos ficam a tirar fotos.

(O pátio do Palácio)

Descobri mais tarde que realeza atual não mora nesse, mas em outro edifício, o Palacio de la Zarzuela. Assim, hoje, o Palácio Real é usado para reuniões, grandes cerimônias ou eventos. Aos visitantes ilustres, a sorte de poder entrar em um verdadeiro museu e se deparar com obras de artistas como Caravaggio, Diego Velázquez e Francisco de Goya. Aos reles mortais - como eu - tudo isso por 5 euros a meia, com direito a um passeio no jardim que de tão grande se tornou um parque.

Mas outros edifícios e monumentos na capital espanhola também fazem lembrar a realeza. Saindo do Palácio Real pela calle Mayor e depois pela calle de Alcalá se chega à Plaza de Cibeles, aonde está o Palácio das Comunicações. A ideia inicial era construir um prédio de estilo arquitetônico único para abrigar o correio da cidade. O governo então organizou um concurso e aprovou por unanimidade o projeto do arquiteto Antonio Palacios, mesmo debaixo de críticos que diziam que o tal desenho destoava do ambiente. A construção durou cerca de doze anos e ao final foi considerado um símbolo de progresso.

(Hoje, o prédio assume uma série de responsabilidades da prefeitura. Foto tirada desse link)

Ele é mesmo muito bonito. Acima de cada janela há uma escultura bem detalhada, normalmente são brasões cabeças de personagens da época. A estrutura é bastate pontiaguda, principalmente por causa dos diversos e pequenos bastões ao final de cada torre.

E na mesma rua, um pouco mais a frente, está a Puerta de Alcalá, um dos cartões-postais de Madrid. Muitos a comparam com outras que parecem ter servido de inspiração, como o Arco do Triunfo em Paris ou o Portão de Brandeburgo em Berlim. O que poucos sabem é que a Puerta de Alcalá foi o primeiro arco monumental construído depois do fim do Império Romano e, por isso, inspiração para todos os outros.

(Sempre que vejo essa imagem essa música me vem a cabeça)

No mesmo lugar em que ela foi construída havia um monumento similar apesar de bem menos grandioso. Era uma das cinco portas que marcavam as entradas para a cidade de Madrid. Mas em 1788, a mando do rei Carlos III, foi criado o projeto. O ponto de maior curiosidade - ao menos para mim - foi descobrir que as quatro esculturas de crianças lá de cima representam as quatro virtudes cardinais: a justiça, a fortaleza, a prudência e a temperança.

Nem só de classe vive uma cidade

Saímos da centenária história dos reis espanhóis e suas construções monumentais e fomos para outra... ainda mais velha. Ela não era monumental, mas misteriosa. E na verdade parecia inacabada. Grande pilares de pedra que suspendiam um pilar ainda maior formanto duas grandes portas em sequência. Ao fundo, um quadrado de pedra que podia ser entendido como um templo de oração ou ate uma tumba egípcia. Quase.

(A curiosidade do menininho a esquerda é compreensível: no inverno, mesmo sem neve, a água do lago fica congelada)

A construção parecia inacabada porque ela estava, na verdade, destruída. Ela era parte do original Templo de Debod, um templo do antigo Egito com mais de 2.200 anos. Foi erguido a mando do faraó Ptolomeu IV e dedicado aos deuses Amón e Isis, respectivamente, pai de todos os ventos e deusa do nascimento e da maternidade. Mas que raios ele estava fazendo em Madrid? Em 1968 a Unesco fez um comunicado internacional pedindo ajuda para salvar os templos de Nubia que corriam o risco de desparecer devido à construção da represa de Asuán. O Egito doou então quatro dos templos salvos para distintos países. Além de Madrid, Holanda, Itália e Estados Unidos também ganharam um presente.

A fila estava imensa, mas nem foi um problema para nós pois ainda estavamos terminando almoço (vulgo sanduíche do Subway). Lá dentro vimos réplicas de como seria o templo se estivesse perfeito ainda nos dias de hoje. Além das maquetes o local estava cheio de objetos egípcios e imagens de farós e hieróglifos retransmitidas por luz nas paredes marrons do local.



(O monumento ao rei Alfonso e o Palácio de Cristal visto de lado. Dois detalhes em um mundo de imagens bonitas)

Mas o último passeio do dia é, para mim, um dos que mais vale o registro. Se estiver em Madrid, não deixe de ir ao Parque del Retiro, um espaço verde de 1,18km² cheio de construções antigas, estátuas importantes, fontes, lanchonetes, espaços para a prática de esportes e muuuita sombra para descansar. Três pontos merecem destaque. O primeiro é o monumento ao rei Alfonso XII com um lago na frente aonde as pessoas passeiam em barquinhos azuis. O segundo é o Palácio de Cristal, erguido em 1887 e que sempre serviu à manutenção e exposição de flores de todo o mundo (há dois anos, porém, ela passou a receber exposições temporárias de arte contemporánea). E o terceiro, como não podia deixar de ser, é a graça que os jardineiros fazem com as árvores locais: eles as recortam em forma de cones, flores, cérebros e por aí vai...

Adios Madrid!

Saímos ao entardecer e passamos na frente do famosíssimo Museo del Prado, um dos mais importantes e mais visitados museus do mundo. Era 6 euros para entrar, mas uma das exposições gratuitas era de graça até às 19h e faltava quarenta minutos para o fim. Mas a fila estava extremamente gigantesca... eu fui a única a realmente lamentar não ter chegado antes para entrar na fila.

(Museo del Prado lindo de morrer. Pela falta de fila, ainda era bem de manhãzinha. Foto tirada desse link)

Mas tudo bem. Voltamos ao centro madrilenho para comer alguma coisa e... andar ainda mais. Fomos ao famoso El Corte Inglés (uma Galerie Lafayette para todos os gostos, inclusive para os gostos dos mais pão-duros) e outras lojas da cidade e pequenos mercadinhos com souvenirs. Às 22h, voltamos para o albergue, pegamos nossas mochilas e fomos para a rodoviária pegar o ônibus que nos levaria até Sevilha.

(Para entrar em um lugar como esse com um grupo de quatro mulheres é preciso foco)

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Liberdade para ser o que se é

Os meses na França me fizeram acostumar com cidades históricas, sempre cheias de monumentos milenares, palácios reais e igrejas góticas. Até os espaços mais modernos tinham sempre uma construção imponente, rodeada por cidadãos que se orgulhavam dela e do seu passado. Essas cidades estavam - no bom sentido - paradas no tempo. Assim era Clemont, Nice, Grenoble e até Paris, que deveria ser a vanguarda francesa.

(Centro comercial de Madrid. Foto tirada desse link)

Por isso Madrid foi uma surpresa. Ao invés de um espaço imóvel encontrei uma cidade em plena transformação. Os prédios que datam do século XIX recebem letreiros luminosos. Suas fontes centenárias que são cartões postais da cidade se transformam em bancos de pic nic em dias de sol. A capital espanhola tem senso de conservação, mas sabe interagir com seus moradores como poucas. O uso que as pessoas fazem da cidade a transforma em um local especial e faz de Madrid um espaço ao mesmo tempo histórico e moderno.

O conceito tomou forma com o tempo, mas a sensação surgiu logo quando cheguei à cidade. Ao contrário do que acontece na maior parte do mundo, o aeroporto de Barajas é distante da capital mas possui um esquema de transporte eficiente. Por três euros é possível pegar um metrô que percorre os 25 quilômetros de distância entre o local e o centro da cidade sem maiores problemas.

(A Gran Vía que eu vi era ainda mais colorida por cauda das luzes de natal. Foto tirada desse link)

Nosso hostel ficava na avenida Gran Vía, a qual descobrimos no mesmo minuto ser uma das mais importantes. Prédios enormes, lojas e mais lojas, trânsito pesado, centenas de pessoas. O centro de uma cidade como ele deve ser, com a diferença de que na Europa normalmente há construções monumentais em meio ao concreto.

Procuramos nosso albergue, o hostel Stella, que era logo ali, na Plaza del Callao. Sabíamos que seria mais ou menos, pois alugamos um quarto para quatro pessoas por 12,50 euros por cabeça, um preço irrisório. A entrada do prédio era feia e as escadas antigas, mas quando chegamos ao hostel ficamos impressionados. Sofá, mesa de centro, tapete no chão e quadros ao fundo. A moça que tomava conta era muito simpática e nos levou ao nosso quarto. Ele privativo e enorme. Tinha quatro camas de solteiro e um banheiro excelente, além de TV de Plasma, ar condicionado, toalha e sabonetinho, igual quarto de hotel.

(Vista da nossa varanda)

Mas o melhor mesmo era a vista: tínhamos uma varanda com a visão completa da praça de Callao, o microcentro da cidade. O primeiro comentário que veio à cabeça foi "estamos na Times Square!", possivelmente por causa do edifício Capitol que fica em uma das esquinas da praça e carrega um enorme letreiro luminoso da Schweppes.

(Times Square madrilenha. Foto tirada desse link)

Então descemos para ver de perto o que mais naquela praça nos lembrava o famoso postal novaiorquino. Os pontos de comparação eram vários, como os prédios enormes, o fluxo de pessoas sempre intenso e as luzes de natal. No centro havia até uma pista de patinação no gelo, bem ao estilo americano.

Mas as diferenças também eram claras. Na porta de um dos centros comerciais da praça não estava o papai noel, mas os três reis magos. Na Espanha, as crianças não ganham os presentes na noite do natal, mas no Dia dos Reis, em 6 de janeiro. Isso porque foi nesse dia que Melquior, Baltazar e Gaspar seguiram a estrela de Belém para levar ouro, mirra e incenso ao menino Jesus.

(É comum sair de casa por volta das 23h para comer ou dar uma volta. Por isso as ruas de capital espanhola estão sempre cheias)

Outra diferença clara e menos pontual apareceu ainda no aeroporto: mesmo rodeados por turistas falando francês, português, inglês e italiano, o espanhol soava mais forte. E, mais uma vez, eu não conseguia tirar uma palavra de espanhol da minha boca. Aconteceu o mesmo em Munique quando eu tentei me comunicar em inglês mas o francês já era algo tão constante na minha cabeça que todas as outras línguas estavam simplesmente bloqueadas. E esse foi só o primeiro dia de "mercis" no lugar de "gracias" e "salut" no lugar de "hola". Fazíamos isso a todo tempo. Quem se saía melhor era o Teichmann, que conseguia segurar a onda e separar o português, do espanhol, do alemão, do inglês.

Rodamos por ali, sem muita certeza do caminho. Passamos pelas ruas próximas à Gran Vía observando o movimento que não parava a medida que a noite ia aumentando. Chegamos a Puerta del Sol, uma praça enorme aonde estão alguns dos edifícios mais importantes da capital, como o convento de Nossa Senhora das Vitórias e a Casa de Correios com seu imenso relógio da torre. É ali que os madrilenhos se reúnem no dia 31 de dezembro para ouvir as 12 baladas do ano novo e comer os 12 bagos de uva (um a cada badalada).

(A fonte da praça Puerta del Sol é ponto de encontro entre amigos e amantes. Ao fundo, a famosa placa luminosa do Tío Pepe. Foto tirada desse link)

Ali também estão bares antigos, como o Café de Levante, um dos mais famosos cafés literários de Madrid, e o Café de la Montaña, conhecido também como café Imperial. Aberto desde o século XIX, ele se encontra no mesmo edifício da famosa placa do Tío Pepe, empresa com sede em Jerez de la Frontera responsável pela fabricação de vinhos e outras bebidas alcóolicas.

A Puerta del Sol é linda o ano inteiro, mas nas noites natalinas ela ganha um charme a mais com a enorme árvore de natal - cada ano diferente - colocada no centro da praça.

(No lugar de galhos verdes e bolinhas vermelhas, as cores aparecem em forma de luzes)

As hora passavam e já era meia noite quando fomos a um bar encontrar com alguns amigos da Agathe. O bar parecia tradicionalíssimo. Estava com algumas pessoas e, de forma espantosa, foi enchendo ainda mais ao longo da noite. Eram 7 pessoas e dois bancos. Fomos nos virando no inglês enquanto observávamos os famosos tapas sendo servidos para as pessoas a nossa volta. Chegar no bar de madrugada, beber em pé e petiscar sem parar eram hábitos daquele povo que só íamos entender dias mais tarde...

A noite, para nós, chegou ao fim às 2 da manhã. Nos despedimos e fomos embora. Agathe e seus amigos continuaram lá, entre tapas, cervezas y tonterías. Caminhava enquanto tentava dar forma ao sentimento que a cidade passava, um misto de força e liberdade. Quando cheguei ao hostel, fui até a varanda antes de dormir. Acho que a aquela noite sonhei exatamente o que eu queria sonhar.

(Um típico bar de tapas até na arquitetura, a começar pelas paredes a direita imitando os pilares dos palácios de inspiração comuns no país)

sábado, 29 de outubro de 2011

Low-cost: para não cair nas pegadinhas

A manhã chegou fria, mas com sol. Pena que aquele seria o nosso último dia em Paris. Levantei mais cedo que as meninas pois tinha combinado de passar no Museu do Louvre com o Teichmann. Arrumei meu mochilão, coloquei nas costas e saí. Foi um passeio super rápido, desses em que a gente chega, fica 5 minutos olhando para cima e para os lados tentando captar a essência do local, tira algumas fotos diferentes, outras muito clichês, e vai embora.

(Quer foto mais clichê que colocar a mão no final da pirâmide? E é claro que tiramos uma foto dessas... Foto tirada desse link)

Mas apesar da correria eu estava muito feliz. Daqui a algumas horas eu estaria em Madrid conhecendo um novo país. Porque daqui a algumas horas? Desde que cheguei a Clermont todas as minhas viagens foram feitas de trem ou de carro por causa das circunstâncias, das distâncias e dos preços. Pela primeira vez eu ia voar de avião.

Um alerta: todos acham que viajar na Europa é mega barato e que os turistas têm todas as vantagens do mundo. Ledo engano. De fato, viajar na Europa é mais barato do que viajar no Brasil mesmo convertendo a moeda (aliás, praticamente tudo na Europa é mais barato). Aqui, as passagens de avião são caras, as promoçõs são raras e as ofertas cheias de asteriscos minúsculos. As nossas companhias mais baratas jamais levariam o nome de low-cost e os nossos serviços aéreos são sempre demorados. De fato, o grande problema no Brasil é a falta de opção. Os preços são relativamente tabelados e as empresas não são tão diferentes assim.

Como voar barato na Europa?

Na Europa, as opções aumentam, mas é preciso estar atento a algumas dicas se você quiser voar barato:

(Uma manhã no aeroporto de Guarulhos é mais ou menos assim. Nos aeroportos da Europa é a mesma coisa. Foto tirada desse link)

1. Acompanhe sites como Melhores Destinos, Aquela Passagem e Decolar.com (mas os mais desconfiados já diriam: quando acharem uma oferta incrível, busquem também no site oficial da companhia).

2. Tente em várias datas, em diferentes semanas, altere o número de noites em um destino. Em um dia pode estar 50 euros mas no outro menos de 15.

3. Busque sempre ida e volta pois os trechos costumam ser mais baratos.

4. Leia as regras das promoções pois nem sempre ela é tão bonita quanto parece. As vezes ela é promocional porque o avião que você vai pegar é em um aeroporto a duas horas da cidade destino ou porque o limite de passagem é reduzido.

5. Compre com antecedência. Quanto antes maiores as chances de a passagem estar barata. Em compensação, quem deixa para comprar depois perde a possibilidade de participar de leilões ou de adquirir passagens por promoções-relâmpago.

Nós pecamos em quase todos os itens. A começar, nossas passagens Paris-Madrid e Sevilha-Barcelona foram compradas com pouca antecedência. Além disso, elas tinham uma data fixa para acontecer: não podíamos esperar muito para chegar à capital espanhola pois, caso contrário, passaríamos pouco tempo em Madrid e em Sevilha antes de ir para Barcelona que, impreterivelmente, era o nosso destino no dia 31. Não conhecíamos buscadores como eDreams, o Syscanner e o Matrix, dois dos melhores sites para procurar passagens em toda a Europa. Então, entramos diretamente no site de empresas com Ryanair, Vueling, Spanair e EasyJet.

A sorte é que, como disse antes, viajar de avião na Europa é mais barato que no Brasil em termos gerais. Encontramos passagens de Paris para Madrid por 45 euros e de Sevilha para Barcelona por 25. O item que não pulamos foi conferir as regras da companhia. Fomos preenchendo o formulário, lendo as regras e então vimos que ainda era preciso pagar por uma taxa de 15 euros em cada uma delas. Pegadinha nº 1. Mas ok, era em cima da hora.

A pegadinha nº 2 é que grande parte das companhias low-cost realizam seus voos em aeroportos menores, afastados da cidade, e as vezes o preço da passagem mais transporte até o local fica mais caro do que uma companhia comum. Mas nem sempre. No nosso caso ficou quase igual... com a diferença de que quase perdemos o voo. A passagem da Ryanair saía do aeroporto de Beauvais, a uma hora de Paris. Na estação de Porte Maillot há ônibus que pela "bagatela" de 15 euros levam os passageiros até lá.

(A rodoviária de Beauvais. Nada contra aeroportos pequenos. Eles são ótimos para desafogar o fluxo de aeronoaves dos maiores. Mas esperar 3 horas em um lugar como esse é dose. Foto tirada desse link)

Assim, eu o Teichmann pegamos o mapa e tentamos localizar a estação Porte Maillot quando a Tissi me envia uma mensagem. "Onde vocês estão? Já chegamos aqui". Calma, a gente está chegando. No meio do caminho, "já estamos na fila para comprar as passagens do aeroporto". Calma, quase lá. Saímos da estação final e o local era TÃO mal sinalizado que paramos três pessoas para perguntar. O celular toca de novo. "Cadê vocês?". Começamos a correr.

Chegamos na fila a tempo. Ali encontramos com a Agathe, a francesa mais brasileira que já conheci na minha vida. Nos tornamos amigas em uma situação completamente atípica: uma amiga da faculdade conheceu a Agathe em Belo Horizonte e disse para entrar em contato quando estivesse em Clermont. Já eram 4 meses de convivência quando estávamos combinando nossa viagem de fim de ano para a Espanha e ela disse que iria conosco. Empecilho linguístico? Nenhum. Ela falava português, com todos os "tipo assim" e palavrões que a gente adora repetir de 5 em 5 minutos. Com a trupe completa e os bilhetes comprados, estávamos prontos para embarcar.

Quantos prós valem os contras?

Depois de uma hora de viagem, chegamos ao Beauvais, tão pequeno que mais parecia uma rodoviária do interior. As filas estavam pequenas e nós estávamos com tempo. Compramos sanduíches naturais, colocamos as malas no chão e nos sentamos até a hora do voo. A pegadinha nº 3 tem a ver com o check-in: quem não imprime a confirmação da compra da Ryanair antecipadamente paga 40 euros. Mas dessa estávamos livres. Imprimimos e ainda tiramos xerox da impressão, para ninguém atrapalhar.

(Um dia eles vão cobrar até pelos itens de segurança... Imagem tirada desse link)

Com o bilhete na mão, sem filas, correto? Errado. Pegadinha nº 4: se você não é um cidadão europeu você precisa mostrar seu passaporte na "boca do caixa". O pior é que mesmo com todo aquele tempo sobrando só descobrimos isso 30 minutos antes do avião decolar. A Agathe e o Teichmann (descendente alemão) passaram e nos prometeram que o avião não saía do chão sem a gente. Claro que na hora do vamos ver eles não fariam diferença alguma, mas foi bom ter um conforto naquele momento.

Enfrentamos a fila e imploramos encarecidamente pro moço carimbar olhar nossos passaportes e carimbar nosso bilhete de avião antes de recolher as malas daquela fila imensa. Depois era hora de passar pela fiscalização das malas. A maior parte das low-costs não deixa o passageiro despachar suas malas. Ou seja: ele é obrigada a viajar com tudo nas mãos. Até aí tudo bem, mas a pegadinha nº 5 é que a mala não pode ter mais de 10kg. Lembro que um dia antes de viajar fui a uma farmácia pesar a minha mala. Por sorte ela tinha 9,8kg. Mas quando chegamos lá vimos que eles não colocam a mala em uma balança. Na verdade eles tem uma armação em aço e a mala tem que caber naquele espaço. Se ela entrar e sair, a pessoa pode passar.

(Foto tirada desse link)

O Teichmann tinha 15kg e, não bastasse isso, a mala dele era visivelmente maior que a nossa. Se não passasse de primeira ele teria que pagar 30 euros para despachar ou deixar meio mundo para trás. Então antes de irmos para a fila do passaporte divimos o que ele tinha, acabamos com a comida da sua mala (claro que comer doces natalinos alemães não era esforço nenhum) e rezamos para ele passar. Deu certo, por um milagre.

Depois disso foi tudo tranquilo. Mas fato é que viajar de low-cost pode se tornar uma aventura. Por isso vou enumerar as pegadinhas que citei até agora (e outras tantas) para você não cair em nenhuma delas quando chegar a sua vez:
  • Na hora de comprar a passagem leia TUDO que está escrito. As companhias colocam mil opções para o cliente como mala adicional, seguro de viagem, seguro saúde, etc. É preciso clicar nas casinhas desmarcando as opções caso não queira que o preço da sua passagem aumente.

  • Check-in pela internet e bilhete impresso na mão caso você não queria receber uma multa de 40 euros.

  • Malas pequenas são fundamentais. O Teichmann deu sorte mas já vi pessoas tirando roupas, bebidas e tudo o mais que você pode imaginar para não precisar de pagar e despachar o excesso de peso. Agora imagine deixar as suas compras ou as suas roupas preferidas no aeroporto? Vista tudo se for necessário.

  • Não adianta levar uma bolsa, uma sacola cheia de apetrechos e a sua mala. Eles só permitem UM volume em mãos.

  • Não há lugar marcado, a não ser que você queira pagar uma pequena taxa para ter prioridade de embarque. Caso não tenha feito isso não se espante ou queria matar o coleguinha que parece estar furando fila. Ele pagou o direito de escolher a melhor cadeira primeiro.

  • Há outras mil coisas irritantes: os assentos são super apertados e não reclináveis, o avião é um outdoor sem fim de tanta publicidade e tudo que é vendido no avião tem um preço, normalmente alto.

(Para ser barato, haja patrocínio. Foto tirada desse link)

Mas se vale a pena viajar low-cost? CLARO. Tenho a mesma opinião da Adriana Setti, jornalista e blogueira da Viagem e Turismo:

"Sim, eles esfregam na sua cara que você pagou barato. Sim, você perde mais tempo com deslocamentos. Sim, alguns detalhes são mesmo irritantes. Sim, eles são intolerantes e se aproveitam de qualquer distração dos passageiros para faturar. Mas se todas essas pequenas coisas fazem a passagem custar três vezes menos do as outras, tô dentro! Defendo a Ryanair com unhas e dentes porque eles não enganam ninguém: ao comprar a passagem você é ostensivamente informado sobre todo o procedimento, em letras garrafais". (texto completo nesse link).

E afinal, chegamos em Madrid, não chegamos?

(São e salvos, a espera do trem que ia nos levar para nosso albergue)