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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O mundo de outro ângulo

Muitas pessoas participaram da promoção Quer ver o mundo de outro ângulo?, uma parceira entre o blog Eu mundo afora e a Escola de Parapente Base da Nuvem. A ganhadora foi uma menina que se dizia azarada e medrosa, mas que deve ter mudado um pouco de opinião depois desse fim de semana. A Bárbara nos enviou fotos e escreveu um texto contando tudo o que sentiu e durante o voo. Mas o mais legal mesmo é ver  o rosto dela no vídeo feito pelo Alexandre, no final do post!

Azar na vida, sorte no voo

Foram várias participações em sorteios, várias rifas compradas e várias apostas nos bingos... todos sem sucesso. Mas nos últimos dias, com um simples clique, eu ganhei o meu único e inesperado prêmio: um salto de parapente. E o azar de uma vida foi totalmente recompensado!

Partir para uma experiência como essa não foi nada fácil pra mim. Além do azar que me acompanha desde os meus tempos de criança, eu sempre tive medo de altura. Mas como amarelar numa hora dessas? Era a minha chance de voar ou a minha sorte é que “sairia voando” pra sei lá quando voltar.


E foi assim que sábado, às 14 horas, eu estava no Topo do Mundo, a mais de 1500 metros acima do nível do mar, excelente para aquele meu “medinho” de altura. A tranquilidade do meu instrutor, Alexandre, o Alê, foi essencial para manter minha calma, já que há muitos anos ele faz esse tipo de voo duplo pela escola de parapente Base da Nuvem.

Enquanto ele colocava os equipamentos de segurança em mim, ele perguntou: “Tá tudo bem? Você tá tranquila?”. E eu respondi: “To sim, é só um medinho de altura”.  Já nos posicionando para o salto, ele então me disse: “Não se preocupe, eu também tenho”. Esse sim foi um momento de tensão. Eu não sabia se isso era uma boa ou má notícia! Acontece que no meio do meu momento reflexivo, nós saltamos. E o salto foi tão leve, tão tranquilo que eu me acalmei.


A vista era deslumbrante e a sensação muito gostosa. Meu medo perdeu espaço, a não ser quando o Alê falava: “ Vou tentar subir um pouco mais”. Mais? É possível? Já estávamos a uns 800 metros acima daquele morro. E quando subimos vimos o outro lado da Serra da Moeda, uma linda vista panorâmica da Lagoa dos Ingleses.

Durante o voo eu me lembro de ter perguntado pro Alê, se ele tinha vontade de pular de paraquedas e ele me disse que não, que por ter esse medo de altura ele não gostaria de sentir a sensação de ser jogado, e de cair em queda livre. E, completou dizendo algo que descreveu totalmente minha experiência: “Eu gosto mesmo é dessa sensação de estar voando, de estar flutuando!” Exatamente o que eu senti. Eu acho que é por isso que eu não tive medo, eu estava curtindo, como se eu tivesse em um avião, com uma vista muito mais linda e uma sensação maravilhosa!


No fim do voo o Alê me perguntou: “Você quer continuar descendo tranquilamente e curtindo a paisagem ou prefere descer em uma manobra?” Eu nem pensei duas vezes, afinal nós já estávamos a mais de 1000 metros de altura e meu azar estava de férias. Ele me disse então pra olhar para a direita, foi quando começamos a descer em hélice. Eu não conseguia nem pensar nesse momento, dá pra ver pelo vídeo que eu até esqueço da câmera e começo a gritar! Era muita adrenalina! Eu me lembro apenas de olhar pra BR040, estrada que eu pego para visitar meus pais, e pensar, agora sempre que passar por lá vou lembrar da ótima sensação que essas pessoas têm ao voar do Topo do Mundo, curiosidade que eu sempre tive quando viajava, e que por um momento de sorte eu pude vivenciar.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Promoção: Quer ver o mundo de outro ângulo?

Você já voou? Sabe como é tirar os pés do chão, abrir os braços no céu e sentir o vento frio lá de cima? Eu sei. Tive a oportunidade de fazer um voo de paraglider em maio de 2010, no Topo do Mundo, município de Brumadinho. Contei tudo no blog (nesse e nesse link), com direito a muitas fotos. É uma sensação deliciosa... sem contar na paisagem linda que se tem lá do alto.

E aí, já se convenceu? Então prepare o fôlego e participe da promoção do blog Eu mundo afora e da escola de parapente Base da Nuvem. No dia 15 de agosto, vamos sortear um voo de paraglider no Topo do Mundo! Para concorrer é só seguir as instruções abaixo:


Para participar é só...

1) ... acessar esse link e curtir a página de facebook do Eu mundo afora.
2) ... acessar esse link e curtir a página de facebook da Base da Nuvem.
3) ... compartilhar a imagem acima na sua página de facebook.

Observações importantes:

  • Não é preciso compartilhar as fotos das duas páginas.
  • Quem curtir só uma página não concorre à promoção.
  • O sorteio será realizado no dia 15 de agosto.
  • O nome do ganhador será publicado nas páginas de facebook dos realizadores. O contato inicial será feito via facebook e o ganhador terá uma semana para responder à mensagem e informar outros dados.
  • O ganhador terá até um mês para realizar o voo.
  • Caso o ganhador não possa comparecer, poderá transferir o prêmio para outra pessoa mediante contato direto com o Alexandre, instrutor da escola de parapente Base da Nuvem.
  • Outros custos, como transporte, não estão incluídos.

Boa sorte a todos os candidatos! =)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Impressões do sertão mineiro

Dizem por aí que a vida é feita de momentos. Eu diria que a vida é feita de encontros. Encontros com lugares, com culturas, com pessoas. Já faz 12 dias que estou viajando pelo norte de Minas com o projeto Cinema no Rio e encontrando lugares diferentes, culturas populares e pessoas incríveis. Seguindo essa lógica, posso dizer que que estou vivendo uma vida inteira em pouco tempo. Enquanto a viagem não termina, deixo aqui algumas impressões da vida no sertão.

(Em Barra do Pacuí, mulheres preparam os arcos para a Folia de Reis, uma tradição que eu aprendi aqui. Foto: André Fossati)

 - Durmo na beliche e já bati minha cabeça no teto da cabine várias vezes. Mas continuo achando que escolhi a cama certa porque acordar com o sol refletido no Velho Chico realmente não tem preço.

 - Aliás, a combinação entre sol e rio é uma das coisas mais impressionantes que tem por aqui. No décimo dia, resolvemos acordar cedo para ver o sol nascer. Um foi chamando o outro que foi chamando o outro e, no final, éramos 8 pessoas no teto do barco. A profusão de cores no céu parecia não acabar. Mais bonito ainda foi ver o pôr do sol. A correnteza do rio refletindo azuis, rosas, amarelos e laranjas. Vez ou outra passava um barquinho na contra-luz, formando a imagem ideal para um foto. Agora, todo dia é dia de ver o sol descer no São Francisco.

(Pôr-do-sol de ontem, em Pedras de Maria da Cruz)

 - Ontem comemos uma peixada feita especialmente pelo Zinho, o cordon bleu do nosso barco. Aos que, como eu, nunca gostaram de peixe de água doce, tente comer um deles pescado e feito na hora, com os temperos do norte de Minas. Não tem erro.

 - O nível do São Francisco está baixo. Isso pode ser uma questão climática e de falta de chuvas, não necessariamente um sinal de que ele está morrendo. Mas uma coisa é certa: ele está vivendo um processo de assoreamento. Ouvi muitas pessoas dizerem que antes os bancos de areia não eram tão frequentes e o rio tinha menos sedimentos. Isso a gente pode sentir na pele depois de nadar e voltar cheia de areia. O que não muda é a sensação de frescor ao pegar a canoa, ir até aquele canto afastado e cair nas águas frias do Velho Chico embaixo de um calor de quase 40 graus.

(Vida boa...! Foto: André Fossati)

 - Sobre as cidades, elas realmente têm o que precisam ter. Lembro que fiquei espantada com o número de tabacarias na França. Já no norte de Minas, o número de sorveterias em algumas cidades atingem uma cifra espantosa. Não por menos, o número de bares também.

 - Calor, muito calor. Me disseram no início da viagem que quanto mais a gente descesse o rio mais calor eu ia sentir. Sábias palavras. Sábias e inúteis porque saber isso não me fez suar menos... mas pelo menos a gente foi se aclimatando com o tempo. O pior momento é logo depois do almoço. Até o vento parece tirar uma siesta e agora eu não sei mais se tudo para porque as pessoas ficam com muito calor, ou se as pessoas ficam com muito calor porque tudo para.

(Só as crianças - sempre elétricas - se atrevem a se mexer depois do almoço)

 - Quer ir para o sertão mineiro sem ficar longe da sua família? Compre um chip da Vivo. Não estou ganhando nada para fazer propaganda (infelizmente), mas saibam que na maior parte das cidades pelas quais passei essa era a única operadora com sinal.

 - ... em compensação, não se preocupe com a sua vida virtual. A cidade pode não ter sinal de celular... mas tem uma lan house. Chega a ser engraçado constatar isso, mas é verdade. Incrível como a  internet se tornou uma necessidade em todos os rincões do Brasil - quiça, do mundo. Eu estou em uma lan house nesse exato momento (enquanto isso, o meu celular Tim continua morto).

(Apesar da internet estar relativamente disseminada, as belezas do norte de Minas ainda têm muito a ver com a miséria local)

 - A vergonha é inversamente proporcional à presença. A regra vale para todo e qualquer tipo de pessoa, inclusive para as que nunca se viram na vida. Por mais que o trabalho ocupe grande parte do nosso dia, somos um grande grupo vivendo em um barco. Roncos, problemas intestinais e confissões amorosas viraram conversas coletivas com uma grande rapidez.

 - Todo lugar é cheio de vida. Seja ela vegetal, animal ou humana. Basta abrir a cabeça para o novo e aceitar que todas as coisas são dotadas de um conhecimento tão ou mais válido que o seu. Aqui no Velho Chico conversei com gente de todo tipo. Crianças, jovens, adultos e, principalmente, idosos. Nunca deixei de respeitar e nem de enxergar o outro, mas aqui eu aprendi também a dar voz ao outro, a escutar e tornar aquele discurso legítimo.

(Quilombola e seu tambor. Fora do roteiro, mas bonito de ser ver)

 - Voltando ao início desse texto, a vida é feita de encontros. Não esteja aberto somente ao encontro com o lugar e com a natureza, esteja aberto ao encontro com as pessoas. A maior riqueza do norte de Minas é a sua gente. Doidos de pedra e velinhas benzedeiras. Líderes comunitários e pescadores tradicionais. Gente que participa de danças folclóricas, de moda de viola, de batuque. Gente que borda, que colhe, que planta. Gente que vive a partir das oportunidades que a terra dá e que talvez entenda muito melhor do que a gente a conexão entre pessoas e natureza.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

São Francisco, rio-mar

Um rio é todo um mundo. Mundo incompreensível para quem não vive a sua realidade. Realidade de cheia, realidade de seca. Realidade de água. Eu não entendia a realidade do São Francisco, mas ainda assim estava ansiosa por conhecê-la ao longo do projeto Cinema no Rio. Afinal, um curso d’água chamado de "Integração Nacional" em um país tão enorme quanto o Brasil seria, no mínimo, importante. E grande. E forte. Um mundo, como todo rio deve ser.

(Essa foto dá uma ideia geral da largura do Velho Chico, ainda em Pirapora)

Esse lindo Velho Chico é mesmo isso. Em Pirapora ele não é tão grande, mas se ali ele já está daquele tamanho, com certeza vai se tornar maior. E é incrível imaginar que ele ainda vai atravessar Minas Gerais, ir para a Bahia, passar por Pernambuco, Alagoas e terminar no Sergipe. Por isso digo que quando o vi pela primeira vez eu não percebi, mas entendi, principalmente, a sua grandeza.

E entendo ainda mais ao longo dos dias. Escolhi, não por menos, a beliche de cima, a única do minha cabine com vista para esse rio-mar. Acordo todos os dias com a luz do sol refletida no rio diretamente nos meus olhos, através da janela ao lado do meu travesseiro.

(De manhã, depois de acordar, essa é mais ou menos a vista que tenho do barco)

Aqui, a relação que tenho com o São Francisco pode ser tudo, menos superficial. Viajo no barco, como no barco, durmo no barco. Convivo com uma tripulação composta por pessoas que já viajaram por ele outras vezes ou que vivem do rio, da pesca ou da navegação.

A primeira vez que içamos âncora foi no trecho Pirapora-Barra do Guaicuí, dois dias depois da nossa chegada. De carro, o percurso pode ser feito em 30 minutos, mas de barco são pelo menos duas horas.
 - Porque heim, capitão?
 - Porque o rio é sinuoso, aí a gente tem que ir assim ó – e fez um movimento com as mãos em zig zag.

(O Benjamin Guimarães, único vapor desse tipo no mundo, já faz parte da paisagem de Pirapora)

Assim seguimos por todas as cidades. Duas horas de viagem, três, quatro. Longe de achar a demora um problema, acho genial. Tão raro, mas tão bonito, quando é o homem que obedece a natureza, e não o contrário. É por isso que, as vezes, prefiro não ligar meu mp3 ou escutar música. O barulho do motor é a trilha desse e de mais tantos dias no barco, dias que eu passo escrevendo, fotografando, conversando, observando a correnteza.

No meio do caminho, a gente vê canoas de pescadores e barcos de gente que realmente usa o rio para se locomover. Quando passa um desses, a tripulação acha normal. Alguns de nós, ao contrário, corre para tirar uma foto. Parecemos estrangeiros dentro do próprio país. Estamos mesmo em um novo mundo.

(O pôr do sol no Velho Chico)

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cenário de filme

Há algum tempo eu comecei a trabalhar para o projeto Cinema no Rio, projeto que leva cinema para as populações ribeirinhas do rio São Francisco. Conheço o projeto há tempos e sempre achei a proposta incrível. Enfim, chegou o dia de partir: embarco hoje para Pirapora e sigo por outras 12 cidades do norte de Minas até o dia de maio. Talvez eu suma, talvez não. Talvez eu tire fotos incríveis, talvez não. Talvez eu seja absorvida pela beleza do velho chico, talvez eu traga boas histórias para contar. Histórias. É isso que esse projeto simplesmente incrível tem para contar. E que eu, vou tentar trazer para cá também!


Projeto Cinema no Rio São Francisco embarca em uma edição difundindo a sétima arte pelas lindas paisagens da região do Velho Chico

Um rio que nasce no meio da serra e desce lento pelos mais incríveis cenários brasileiros. Veredas, florestas nativas e vilarejos históricos. Essas e outras paisagens encontradas no vale do rio São Francisco são o pano fundo do projeto Cinema no Rio, que desde 2004 percorre o rio da integração nacional com o objetivo de democratizar o acesso à cultura exibindo filmes para as comunidades ribeirinhas.

(Foto: André Fossati)

Esse ano o projeto completa sete anos de difusão da sétima arte. Para comemorar a data, a equipe parte para mais uma expedição no dia 20 de abril. Dessa vez, o Cinema no Rio vai percorrer 13 cidades no estado de Minas Gerais.

O projeto comemora também os 510 anos do Velho Chico, esse caudaloso rio habitado por indígenas e anteriormente conhecido como opará, algo como “rio-mar”. Ele foi descoberto por Américo Vespúcio no dia 4 de outubro de 1501, dia de São Francisco. Desde então, fez parte de importantes momentos históricos do país.

Assim, o Cinema no Rio realiza uma série de atividades com o objetivo de promover o intercâmbio com as comunidades que vivem às margens do rio São Francisco. “Levamos o cinema a locais desprovidos de espaços de exibição, oferecendo cultura, arte e entretenimento à população com acesso restrito a esses bens. Nossa idéia é valorizar e resgatar a cultura local“, afirma o diretor da CineAr Produções e responsável pela execução do projeto, Inácio Neves.

(Sessão de filmes ao ar livre. Foto: André Fossati)

A principal atividade é a exibição gratuita de filmes nacionais. Esse ano, o projeto conta com oito curtas e seis longas-metragens, entre eles os recentes O Palhaço, com direção de Selton Mello, e Hotxuá, com direção de Letícia Sabatella e Gringo Cardia. O premiado Girimunho, com direção de Clarissa Campolina e Helvécio Marins Jr, também faz parte da lista. Depois de ser exibido em festivais nacionais e internacionais, o filme finalmente será mostrado à cidade de São Romão, aonde foi gravado. “O Girimunho nasceu no projeto Cinema no Rio e agora vai ser visto pelos habitantes que me ajudaram a produzi-lo. É o local onde eu mais tenho vontade de passar o filme”, conta Helvécio Marins Jr, diretor do longa.

Outra atividade importante é a produção e veiculação de um documentário local sobre a cidade e seus habitantes. “Nos outros anos a população era mostrada nos filmes. Dessa vez ela vai fazer parte da própria produção desse curta-metragem”, adianta Inácio.

(Distribuição de pipoca durante as sessões. Foto: André Fossati)

As comunidades ainda ganham conhecimento com a oficina de fotografia, direcionada a crianças de 12 a 16 anos. Os oficineiros vão conversar sobre o assunto, ensinar as regras básicas e deixar eles saírem pela cidade fotografando tudo que for interessante. “É o olhar deles sobre o espaço em que vivem”, explica Inácio. Cada participante também será fotografado. O material será então editado e exibido na telona antes dos filmes.

Desde que foi criado, o projeto passou por diversas cidades de Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Com as sessões gratuitas dos filmes o Cinema no Rio já reuniu, ao longo de seis edições, público superior a 200 mil participantes.

(A pesca no Velho Chico. Foto: André Fossati)

E apesar de cada película contar com um cenário particular, as belas paisagens do rio São Francisco são os verdadeiros panos de fundo do projeto. Os barqueiros que saem pela manhã em busca de peixes, as mulheres que lavam suas roupas com as águas verdes do Velho Chico, o vapor Benjamin Guimarães que dá o ar da graça em Pirapora.

O Cinema no Rio já saiu no blog de outros viajantes, confere lá:
 - Jeguiando
 - Sem Destino
 - Nerds Viajantes
 - Extremos

sábado, 14 de abril de 2012

A boemia invade a cidade

Um dia me perguntaram o que eu mais gostava em Belo Horizonte. A primeira coisa que me veio a cabeça foi "a noite". Lembrei das images dos quarteirões fechados da Praça da Savassi, cheios de mesas, das ruas do Santa Teresa, sempre boêmias, e dos pequenos bares em esquinas escondidas que, contra tudo e todos (inclusive contra as leis da publicidade que pregam a exposição da marca para alcançar sucesso), se enchem de gente. Até hoje eu me pergunto se é isso mesmo o que eu mais gosto, porque eu realmente gosto de muitas coisas na minha cidade. Mas uma certeza que tenho é que o clima botequeiro é parte da alma de beagá.

(Butecos enchem as calçadas do bairro Lourdes. Foto tirada desse link)

Essa pergunta me veio a cabeça novamente no início dessa semana, quando vi alguns bares decorando paredes e tetos com bandeirolas do Comida di Buteco, o maior concurso gastronômico do Brasil. Para quem não sabe, o Comida di Buteco foi criado em Belo Horizonte, em 2000, como uma forma de incentivar a culinária local. Foi um sucesso quase instantâneo. O concurso foi movimentando o setor gastronômico e ganhando cada vez mais adeptos. Hoje ele se expandiu tanto que já está em 16 cidades.

É um evento genial em todos os sentidos, mas há um motivo que torna esse fato incontestável: ele valoriza o que é nosso. Historicamente, o Brasil sempre foi um país influenciado por outras culturas. Começou com a chegada dos portugueses e continuou com a vinda de africanos em navios negreiros, com a disseminação da "alta cultura" europeia e, mais tarde, com o american way of life. Por sermos um país tão novo e tão diverso, demoramos a enxergar o que era "nosso" e o que era "do outro". Essa distinção ficou mais clara na época da independência do país, devido a necessidade de criação de uma identidade nacional, e se aprofundou no século XX, a partir de uma série de movimentos de valorização da cultura tipicamente brasileira. Foi aí que o Brasil se tornou referência (por vezes mundial) em alguns quesitos, como música e dança. Mas no que diz respeito à gastronomia, ficamos para trás.

(Acima, o Barracão Butiquim, um dos melhores bares de Belo Horizonte, é nada mais nada menos que o quintal de uma casa. Um bar tipicamente brasileiro, com comida tipicamente brasileira. Foto tirada desse link)

A verdade é que não somos um país de pratos chiques, mas de pratos criativos e fáceis de comer. Tampouco um país de restaurantes finos, mas de self-service no almoço e petisco no jantar. E isso parecia péssimo frente a um mundo em que só os restaurantes de lux ganhavam prêmios e estrelas. É aí que entra o Comida di Buteco. Ao perceber que apesar de toda riqueza gastronômica, os bares não tinham o prestígio que mereciam, criou-se um concurso para exaltar a criatividade desses estabelecimentos.

(O prato do Adega e Churrasco: Carne ao Pupurri de Minas. Foto tirada desse link)

Como o próprio idealizar do concurso diz: "Há séculos, o boteco faz parte da paisagem de nossas cidades. Mas por ser um espaço de comércio popular, não despertava a atenção necessária e, portanto, vivia à margem da sociedade. Quando o Comida di Buteco começou em Belo Horizonte, foi como se colocássemos um holofote sobre toda a riqueza da culinária de raiz da nossa região e destes estabelecimentos que tem, em sua maioria, uma história familiar por trás. Isso mudou a forma como as pessoas viam o boteco, e, junto a esse carinho para o qual a população se despertou, os estabelecimentos também tiveram a oportunidade de se profissionalizar e de se tornar sustentável, sem deixar de lado sua essência" (Eduardo Maya, no site oficial do concurso)

(Os bares Barção Moreira com o prato R&J e seus convidados e 222 com o prato Foi no jiló, agora é na bruschetta!. Fotos tiradas desse link)

Como disse, é uma ideia genial. O Comida di Buteco convida bares tradicionais, com comida de qualidade, e traz visibilidade e oportunidade de crescimento. Em troca, o bar tem que usar sua criatividade e fazer um prato delicioso para o público, que normalmente continua no cardápio mesmo depois do fim da competição. O concurso movimenta milhões de reais por ano, cria centenas de receitas novas e leva milhões de pessoas aos butecos das cidades participantes. E o mais importante: incentiva o turismo (internacional, inclusive), a gastronomia local e faz o brasileiro se orgulhar da sua cultura. Por mais besta que possa parecer, chego a ter orgulho de ter nascido na cidade que inventou o concurso.

(O Balaio de Gato ainda não está no evento, mas é uma das minhas apostas para as próximas edições. Foto tirada desse link)

O Comida di Buteco 2012 começou ontem. Em Belo Horizonte são 41 bares participantes espalhados por todas as regionais e o ingrediente especial desse ano é o queijo minas. Se beagá já é a capital do boteco em dias normais, ela vira de cabeça para baixo quando o concurso começa. Por volta das 18h os bares já se organizam para receber as pessoas. Milhares delas, todos os dias. Há inconvenientes como filas e bares lotados, mas vale a pena esperar. A boemia invade (mais) cidade.

Para conhecer todos os bares participantes da edição 2012 é só clicar aqui!

segunda-feira, 21 de março de 2011

BH foi tomada pelo verde

Quem tentou passar pela Savassi na tarde de sábado encontrou carros a 0 km/h devido ao trânsito e teve de esperar de 30 a 60 minutos para atravessar o bairro, um dos mais típios de BH. Sofreu mesmo quem estava só de passagem, já que a maioria das pessoas ia ficar por ali para aproveitar o St. Patrick's Day, ou Dia do São Patrício.

(Turbilhão de pessoas. O verde reinava absoluto)

O santo que levou um número de pessoas assustardor para as ruas nem é brasileiro. Padroeiro da Irlanda, São Patrício foi o responsável por levar a religião católica àquele país. Muitos dos símbolos irlandeses, como o trevo e a cor verde, foram criados devido ao santo, que usava a planta para explicar a Santíssima Trindade. Na Irlanda, 17 de março é feriado nacional, que eles comemoram se fantasiando e bebendo muita cerveja. Aqui, nada de feriado. O resto...

Sobrou festa

Durante toda a semana, a festa foi o assunto. Escutei dezenas de pessoas falando que iam, discutindo o ponto de encontro e pesando em qual roupa (verde) iriam usar. A maior dificuldade era saber em qual festa ir. O primeiro evento do tipo em Belo Horizonte aconteceu em 2007, em uma parceria entre BH Rugby e a cervejaria Frei Tuck.

Esse ano, o BH Rugby fechou com o pub Major Lock. A festa seria celebrada na Av. Getúlio Vargas, de 14h às 22h. Barracas venderiam cerveja (além da típica cerveja verde) e comidas: pizzas irlandesas. Um palco seria montado e contaria com a apresentação de DJs e bandas, algumas tocando música celta. O traje verde seria item obrigatório. Caso contrário os gnomos verdes contratados pelos organizadores te dariam beliscões.

(Palco na Getúlio Vargas. A noite, luzes verdes iluminavam o ambiente)

A cervejaria Frei Tuck, por sua vez, montou sua tradicional festa no endereço de sempre: Rua Andaluzita, esquina com Av. do Contorno. Além do tradicional chopp Walls verde, muita música celta e rock and roll. Para os apreciadores da boa festa (ou para os ricos mesmo) dentro do Frei Tuck seria montado uma área VIP. Pagando 100 reais o cliente teria direito a uma camisa do evento, amplo cardápio e 60 reais convertidos em consumação.

Dia Verde

O fato é que, independente da festa, parecia que todos os jovens de BH estavam ali. Acompanhados também pelos adultos, idosos e etc. A Polícia Militar estima que mais de 35 mil pessoas tenham passado pela Savassi. Que a divulgação foi boa, isso não se discute. O problema foi exatamente esse: divulgação demais, adesão demais e, na hora do "vamo vê" uma organização pouco eficiente.

(Grupo de amigos se diverte: roupas verdes, chapéus e suspensório. O pote de ouro, no caso, era a cerveja)

A festa estava programada para ocupar a Getúlio Vargas, entre as ruas Paraíba e Rio Grande do Norte. O movimento, porém, foi até a Pernambuco e as grades colocadas no local foram retiradas em poucas horas de evento. O movimento se alastrou também pelos bares, lojas, shoppings e ruas da Savassi. Mesmo a quilômetros de distância era possível encontrar grupos de pessoas verdes no caminho. A cerveja era um problema: uma fila enorme para pegar a ficha, outra maior ainda para pegar a cerveja (e quem tentou comprou no barzinho mais próximo, bebeu quente). A famosa cerveja verde era cara: 4 do chopp + 5 da anelina. Que não tinha gosto de nada. Gnomos? Naquele mundo de gente quem viu um já ficou feliz. E aqueles que comeram a pizza não viram lá grande diferençe entre a brasileira e a irlandesa.

O sucesso da festa é flagrante: BH ainda é uma cidade carente de grandes eventos. Há muitos shows, bares e festas, mas a maioria em espaços fechados. Quando há festivais e mostras em espaços abertos, é para um público específico. Não temos um Carnaval ou uma Semana Santa. Nos grandes feriados todos viajam, pois sabem que a cidade não oferece muitas opções. O St. Patrick's Day foi o contrário: um evento aberto, para todos. Ninguém esperava encontrar 35 mil pessoas por ali. A inexperiência e a crença na ideia de que o belorizontino não "sai à rua" podem ter sido, nesse caso, o motivo para os erros.

(Meia colorida e cachimbo na boca. Quem quis entrou no clima da festa)

Para muitos, a festa foi péssima. Muita muvuca e pouca bebida. Por isso, optaram por trocar de festa. Há alguns metros dali, a rua Andaluzita trazia algo similar. O problema é quando muitas pessoas pensam na mesma coisa ao mesmo tempo... Ainda assim, quem ficou no evento do Frei Tuck afirma que o local estava mais agradável.

Para outros, entretanto, um ótimo evento. Quem aproveitou fazia parte do grupo dos "auto-suficientes", aqueles que levaram a própria bebida e encontraram um cantinho legal pra ficar. Afinal, cerveja, amigos e show de graça é uma mistura que não tem muito erro!

quinta-feira, 17 de março de 2011

O estilo de vida em Escarpas do Lago

Capitólio é uma simples cidade do interior. Tem ruas de pé-de-moleque, uma bela igrejinha na praça principal e casas humildes. Vez ou outra, no meio da população pacata você vê uma pessoa mais chique. No Carnaval, no meio da festa na rua, na parte da tarde, vimos um grupo estrangeiro. Os trajes "turísticos" já evidenciavam: mulher com écharpe no meio do verão brasileiro, homem com sandália da Timberland e uma enorme câmara fotográfica na mão. Para termos certeza ficamos lendo os lábios deles. Coversavam em inglês.

Estavam de passagem. Olharam curiosos para o movimento, sorriram como se quisesem participar do "fuzuê", entraram no carro e foram embora. Capitólio não é o lugar dessas pessoas. Em Escarpas do Lago, porém, poderíamos encontrar facilmente esse tipo de turista.

(Deck de Escarpas com os "barquinhos" dos endinheirados)

Muitos acham que Escarpas é um condomínio fechado ou mesmo uma outra cidade, mas Escarpas é um bairro da cidade de Capitólio. Como disse no outro post, o local começou a ser construído em 1978, privilegiando o luxo e o requinte. Ali é o paraíso dos endinheirados que querem uma casa de veraneio. Passear pelo bairro é como abrir uma revista de decoração, já que a tranquilidade local é tanta que é possível ver até o interior das casas pelos vidros e cercas, sempre abertos.

No fim de semana antes do carnaval, passei dois dias em Escarpas, na casa de uma amiga. Essa paz, inclusive, me chamou muito a atenção. O lugar não tem rondas de segurança até anoitecer, a maior parte das casas não possui câmeras, cerca elêtrica, arame farpado ou qualquer outro tipo de instrumento que possa barrar a entrada de um bandido. Para completar, os portões ficam abertas para quem quiser ver os casarões, lanchas, carros importados e quadricíclos da galera.

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(Algumas das casas de Escarpas. Ainda não escolhi a minha...)



Mar de Minas

A grande vedete é mesmo o Lago de Furnas. É a maior extensão de água do estado e por isso mesmo conhecido como “mar de minas”. O Lago abrange 34 municípios e produz cachoeiras, cânions e outras formações naturais. Algumas tem acesso por meio de estradas de terra. Para outras, é preciso ter um barco (ou ter amigos que tenham =] ) ou contratar alguma agência local que faça o passeio. Entre as cachoeiras mais bonitas está a Cachoeira da Lagoa Azul, rodeado por águas de cor azul piscina que, sinceramente, eu não sei se onde vieram.

(Cor assim eu só vi em praias ou lago com pouca profundidade. Foto tirada desse link)

Outra atração são os cânions, grandes paredões rochosos (com mais de 20 metros de altura) cheios de reentrâncias que foram formados através da ação do rio e também por outros fatores, como o movimento de placas da crosta terrestre.

Apesar da beleza do lago, alguns pontos são extremamente poluídos. É o caso da Prainha de Capitólio, uma praia artificial criada em 1988. Perto dali, esgoto in natura é jogado diretamente no lago. Mas de forma geral o Lago de Furnas é limpo e as pessoas podem se banhar sem maiores preocupações.

(Paisagem assim que se sai de barco do deck de Escarpas. A marinha estava lá no fim de semana antes do carnaval e minha amiga esqueceu sua carteira de motorista de barco... quase ficamos na vontade)

Além de um bom lugar para nadar, os moradores encontraram nesse grande espaço aquático outra diversão: os esportes náuticos. No deck principal, perto do clube, lanchas e mais lanchas ficam estacionadas. Nos fins de semana elas são usadas para dar um passeio, fazer um churrasco ou brincar de wakeboard.

Farra restrita

Escarpas é um bairro tranquilo onde a principal diversão das pessoas é andar de barco e passar o dia com os amigos, tomando uma cervejinha. Por ser um local “de elite” as regras quanto à farra carnavalesca são rígidas. A festa acontece a tarde na praça principal. Um bloco toca samba e marchinhas de carnaval e, nos intervalos, as pessoas ligam o som dos seus carros no último volume (mais de um ao mesmo tempo, o que causa uma certa confusão). Até o ano passado, um pequeno trio elétrico passava pelas ruas tocando música e seguido por seus foliões. Devido à reclamação dos moradores, porém, ele foi proibido.

A noite, as pessoas fazem festas na suas próprias casas ou se dirigem à Cápitólio para curtir os shows. Escarpas resta tranquila para aqueles que querem descansar.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Essa alegria de fazer um carnaval

14 pessoas. 1 casa de 3 quartos. Muita chuva. 7 fardinhos de cerveja por dia. 1 jogo onde quem erra bebe. 6 quilos de carne para churrasco. 5 dias de muita festa. Números que ilustram perfeitamente como foi o meu carnaval esse ano.

A organização começou de forma conturbada. Desde janeiro a certeza era uma: praia. A cada semana o número de pessoas que aderia o grupo mudava. Alguns encontravam uma casa ali, outros desistiam de uma viagem aqui, e no final éramos 6 pessoas a procura de um apê na costa carioca (sul ou norte pouco interessava).

(Sala de casa. Detalhe para o pano bege pendurado na porta: uma cueca encontrada no banheiro - que virou nosso estandarte)

Uma semana antes do carnaval e uma semana antes de fechar o apê, pequeno mas sincero, alguns amigos quiseram dividir o "aluguel" pois o feriado já era na próxima semana e eles ainda não tinham arranjado nenhum lugar para ir. Voltamos atrás e encontramos uma casa em Capitólio à R$ 1800. Dois dias depois mais quatro pessoas entraram no esquema, o que daria cerca de R$ 130 para cada um. Negócio fechado.

Duas cidades em uma só

Capitólio é uma cidade simples que fica cerca de 300 km de Belo Horizonte. A grande atração do local é mesmo o Lago de Furnas, também conhecido como "Mar de Minas". O lago é a maior extensão de água do estado. Ele abrange 34 municípios e traz cachoeiras, cânions e belas paisagens naturais. Outro ponto alto da cidade é o bairro Escarpas do Lago, que começou a ser construído em 1978 e, no lugar da simplicidade, seus proprietários ergueram casas de arquitetura trabalhada e design de luxo. O resultado são construções requintadas e vizinhança rica.

(Igrejinha de Capitólio. A construção mais bonita da cidade)

Nossa situação era bem diferente: nos instalamos em Capitólio mesmo, a um quarteirão de distância da igreja da cidade. Éramos 14 pessoas dividindo um casa com sala, três quartos e um banheiro. Tenho um amigo que tem a teoria de que, no carnaval, quanto pior melhor: quanto pior sua casa mais as pessoas vão rir da situação, quanto mais tontos seus amigos estiverem maior a probabilidade de boas histórias, quanto mais feia a menina que você ficar for maiores as chances de você se tornar o melhor do grupo. E por aí vai...

Por um certo lado, ele tem razão. No Brasil, o Carnaval é aquela época do ano em que queremos curtir, esquecer os problemas e cair na farra. Se as coisas não vão bem, ok, agora é a hora de se desligar e aproveitar. As preocupações a gente deixa em casa. Não que eu ache que o feriado seja um motivo para se fazer o que quiser, beber todas, dar vexames ou ofender as pessoas. Quem faz isso sempre fica com ressaca moral. Mas casa ruim e tempo chuvoso não é motivo para não curtir e até rir da situação.

A festa

A verdade é que nos divertimos à beça. O dia começava às 12h, ainda cansados do dia anterior. Depois de tomar café da manhã a pão de sal, margarina e presunto, alguns se organizavam para para comprar a comida do dia enquanto outros já abriam uma latinha de cerveja. O som acordava com a gente: em menos de 20 minutos o mini alto falante já espalhava música por toda a casa.

Trocávamos de roupa e íamos para a garagem da casa. Enquanto o churrasco começava o grupo da bebedeira fazia uma rodinha e ficava jogando conversa fora. Uma hora ou outra, alguém pedia o baralho. Começava o sueca, um jogo em que cada carta aberta representava uma ação envolvendo um ou mais goles de bebida. A melhor carta é o 10: no primeiro as pessoas não podem falar "não" ou "num. No segundo ninguém pode dizer nomes ou apelidos. No terceiro ninguém pode apontar e, no quarto, não se pode pegar o copo com mais de três dedos. Era a carta campeã de vacilos e, por causa dela, todo mundo ficava bêbado.

(Festa na rua)

Choveu TODOS os dias. Algumas pancadas fortes e alguns momentos de sol, mas na maior parte do tempo o que a gente ganhou foi uma chuvinha insistente. Pelo menos nas tardes dos dois primeiros dias a festinha na praça da igreja estava ótima. Som alto e muita gente na rua. Dançamos e pulamos até anoitecer. Nos outros dias acabamos passando a tarde em casa, comendo, cantando e rindo.

Depois do revezamento de banhos, saíamos de casa, por volta da meia noite. A chuva dava uma certa desanimada, mas os ingressos para o Carnapitólio estavam pagos e... carnaval é festa. E os shows foram ótimos! Muito axé, algum pagode, um pouco de funk. Eles eram realizados na prainha de capitólio, onde foi montado uma estrutura com tendas, barraquinhas de comida e bebida e palco de shows. Por causa da chuva, o chão estava um lixo: brita, pedras, areia e poças d'água. Compramos até capa de chuva.

Alguns problemas aconteceram e a organização do evento falhou feio. O show do Rick e Ricardo no segundo dia não existiu (o que me deixou bem feliz, na verdade) e o show do Alexandre Peixe, no quarto dia, começou às 7h da manhã e durou 40 minutos. No mais, as bandas que tocaram eram ótimas e pulamos até altas madrugadas. Na volta pra casa, muito cansaço e algumas pessoas ainda no pique, muito bêbadas. E garanto que essa era a rotina da maioria dos turistas por ali.



(Festa a noite com show da banda Chicafé. A capa de chuva ficava dobrada, no bolso do short, pronta para ser utilizada)




No ano passado fui para Diamantina e passei um ótimo carnaval. Em Diamantina há todo um clima, uma aura diferente. Pessoas vêm de todo o país (e até de outras parte do mundo) para curtir aquela que é uma das melhores festas de Minas Gerais. Para quem não gosta de muvuca, porém, a cidade é o caos. 30 minutos é o tempo que se gasta para andar 10 metros no meio da praça onde se realizam os shows. Em Capitólio a coisa muda e eu, particularmente, prefiro. A bagunça é menor e há mais espaço para dançar e curtir com os amigos.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Desafio Suco

Depois do Desafio Pão de Queijo, resolvi me lançar em uma nova empreitada. Primeiro porque gostei da peregrinação por Belo Horizonte. Segundo porque comi um monte de coisa gostosa. E terceiro (e talvez o mais bacana) porque sinto que conheci mais sobre a cultura da minha cidade e do meu país assim.

Como estou numa fase muito saudável da minha vida escolhi testar todos os sucos de BH e fazer o Desafio Suco! O esquema é o mesmo do anterior: tomei como base a revista Veja Comer e Beber em Belo Horizonte. Na revista há uma lista com os 10 "melhores" sucos da cidade. Coloquei melhores entre aspas pois, obviamente, há controvérsias. Duvido muito que os jurados visitam todos os estabelecimentos para dizer qual deles é o melhor. Uma das formas mais fáceis de comprovar isso está na própria revista, pois alguns jurados votam em um local que sequer aparece na lista dos 10 "melhores". Dessa vez, além da lista oficial coloquei também a lista dos jurados. Foram 12 sucos no total.

(No Néctar da Serra o cliente pode escolher se vai bater sua bebida com água, suco de laranja, leite, iogurte, água de coco ou sorvete de creme. Foto tirada desse link)

Julgar sucos foi difícil. Primeiro tive que estabelecer algumas regras básicas. A primeira delas foi excluir qualquer mistura que tivesse algum tipo de bebida alcoólica. A segunda foi sempre pedir o tamanho médio (500 ml) para ver se a bebida enjoava depois de um tempo. A terceira, e mais difícil, foi decidir não provar a mesma coisa em todos os lugares. Julgar coisas iguais é complicado. É preciso um paladar apuradíssimo. Vamo supor que eu escolhesse pedir suco de laranja e acerola em todos os lugares: como diferenciar 12 sucos iguais?

Mas esse nem era o mais problema, pois talvez desse certo. O problema mesmo é que eu seria injusta em pedir a mesma coisa em todos os lugares. E se o suco mais famoso de um lugar "x" fosse todo feito com frutas da Amazônia? E se a graça do estabelecimento "y" fosse um suco com 5 tipos de frutas diferentes? Eu ia chegar e pedir um simples laranja com acerola? Assim, decidi chegar no lugar e perguntar sempre a mesma coisa: "qual o suco que sai mais? O que você me indica?". A resposta seria o meu pedido.

(Vai por mim, trocar o refri por um suco é sempre a melhor opção! Foto tirada desse link)

Segue abaixo a minha lista pessoal dos sucos da revista Veja Comer e Beber em Belo Horizonte 2009-2010, do pior para o melhor. O preço que aparece diz respeito ao suco que pedi. Em quase todas as lojas o valor varia de acordo com a combinação escolhida.

Ah, a propósito, assim que acabei o desafio chegou a revista 2010-2011. Em uma rápida comparação vi que dois endereços daqui haviam saído e um endereço tinha sido incluído, a lanchonete Smoo. O local foi inaugurado em dezembro passado e serve smoothies, um tipo de bebida feita com suco e sorbet, um sorvete a base de água. Na dúvida, provei também! A mim, ele parece mais um milk shake do que um suco pelo fato de ser extremamente cremoso e gelado como um sorvete, por isso não inclui na lista.

Açai Sabor e Energia
O nome do suco que a moça disse que mais saía era Energimix, com guaraná em pó, xarope, açai, frutas, mel, limão, granola e leite. Achei incoveniente só ter sucos de 700 ml. Como não tinha tempo de beber tudo lá, falei que queria levar. Eles me entregaram o suco em uma embalagem horrorosa que dava até nojo de beber depois. Não queria falar dela, já que isso não tem lá muito a ver com o gosto do suco, mas não consegui fingir que isso não aconteceu. O suco é ruim. Açai no suco é um erro. Se você quer suco de açai ok, mas se você quer açai com outra coisa pode esquecer porque tudo fica com gosto dessa fruta. Só senti gosto de açai, granola batida e mamão (quer dizer, eu acho que era mamão).
Endereço: Rua Pouso Alegre, 1154 - Floresta
Preço: R$ 6,50 - 700 ml

O Ponto da Energia
O pior atendimento de todos. O moço só falava "todos saem muito". Foi a única vez que escolhi o suco sozinha. Pedi o anti-fome, um suco estava indicado na revista, mas eles não serviam. Fiquei me perguntando quem escreve as matérias na Veja e como fazem para terem informações tão erradas. No fim, o suco que escolhi tinha agrião, própolis, limão, mel, acerola, laranja e xarope de guaraná. Eles bateram tanto que o suco ficou ralo. Só dava pra sentir o gosto de guaraná e agrião (e o azedinho da laranja e da acerola). Bem mais ou menos. E, pra completar, enquanto estava olhando o cardápio vi que eles colocam o suplemento abulmina em alguns sucos. Isso é errado, não?
Endereço: Rua Pouso Alegre, 884 - Floresta
Preço: R$ 2,00 - 300 ml / R$ 3,00 - 500 ml / R$ 4,50 - 700 ml

Guaraná e Cia
Não sei o que dizer sobre esse suco. E isso não é bom nem ruim, eu simplesmente não tenho palavras porque não tenho com o que comparar. Diferente, gostoso, estranho, sei lá. Tomei o Raimundão, com guaraná em pó, xarope, amendoim, castanhas de cajú e do Pará, mel, limão, catuaba, marapuama e leite. Como uma das regras é nada de bebidas alcoólicas, pedi pra tirar. Perguntei se mudaria o gosto e ele disse que não pois o que mais realça é o leite e o amendoim. Ia tirar a catuaba e o pó de marapuama, que vinham juntos. Quando vi o suco rolou um preconceito porque ele tinha uma cor feia, meio marrom claro. Mas que cor teria algo que mistura leite, amendoim e guaraná, afinal? Enfim, era gostoso. Como disse o moço, só senti gosto de leite, amendoim e castanha, muitos pedaços de amendoim e castanha, por falar nisso. Nada de economia. É um suco pra dar aquela "sustança". Estava exageradamente doce, mas bom. Peculiar, eu diria.
Endereço: Mercado Central (Av. Augusto de Lima, 744 - Centro), loja 130
Preço: R$ 3,70 - 500 ml / R$ 7,00 - 750 ml

Sabor Sutil
Foi a loja mais feia que visitei. Se não estivesse na revista jamais entraria lá (mais um dos motivos que me fazem duvidar dessa lista da Veja). O garçom me disse que o mais vendido era o de frutas: abacaxi, laranja, banana e mamão. Pedi um suco e ganhei uma vitamina. É bem pesado, mas se essa é a proposta, eles cumpriram bem, pois estava gostoso. Para o meu gosto um pouco de água caía bem.
Endereço: Rua Inconfidentes, 978 - Savassi
Preço: R$ 3,50 - 400 ml

Ponto do Açai
Escolhi o Suco do Ponto, com morango, framboesa, amora e melancia. Uma mistura de frutas vermelhas. O suco é encorpado e muito refrescante, principalmente pelo fato de o gelo vir triturado e não em inteiro. O morango e a amora se destacavam mais. Em compensação, não senti gosto nenhum de melancia e o achei o suco um pouco aguado... O atendimento foi ruim. Ninguém sabia me indicar o que mais saía, nem a própria dona. (Só um P.S.: para mim, essa é a casa com o melhor creme de açai da cidade! Não se pode ser bom em tudo...)
Endereço: Rua Passatempo, 558 - Sion
Preço: R$ 4,90 - 300 ml / R$ 5,90 - 500 ml

Carioca da Esquina
A loja estava uma zona. Talvez fosse o horário... era 18h e parecia que todo mundo que saía do trabalho passava lá. A dona era a única para atender todo mundo enquanto as cozinheiras serviam. Ela foi um tanto grossa: pedi uma opinião e ela me disse ironicamente para escolher sozinha. Quem me deu a dica foi uma das atendentes, muito simpática, por sinal. Ela me disse para pegar o Arpoador, com laranja, tangerina e hortelã. O mais refrescante de todos os sucos que experimentei. Porém, estava ralo. Não sei se a culpa é dos ingredientes, mas...
Endereço: Rua Levindo Lopes, 293 - Savassi
Preço: R$ 3,90 - 300 ml / R$ 4,90 - 500ml

Sucos Du'a
O mais legal dessa loja é que ela é completamente natural. Todas as frutas, hortaliças e legumes ficam expostos na frente do cliente. Tanto que no cardápio não tem misturas com amora, cupuaçu e outras frutas como essas pois o dono não usa polpa. Ponto pra ele! Provei o de laranja, gengibre e maçã. Não gosto de gengibre pois me lembra remédio pra gripe, mas tinha pouco e estava gostoso. Pra quem não gosta de pedaços de fruta no meio do suco não é uma boa opção. A maçã, por exemplo, deixa aquela papa na boca (sabem qual?). Como eu gosto, estava ótimo.
Endereço: Rua Antônio de Albuquerque, 133 - Funcionários
Preço: R$ 4,80 - 500 ml (tamanho e preço únicos).

Vitale
A moça me deu duas opções. Uma delas era o suco de guaraná, mel, limão e gengibre. Além de ter cansado desses sucos fortes com guaraná, me pareceu uma opinião muito pessoal. Assim, fiquei com o de morango, kiwi e laranja. O lugar era lindo (associado a uma academia), o pessoal bem bacana e o suco ótimo. Dava pra sentir o gosto das três frutas. Tinha um pedaço de polpa solto no suco. Achei que era gelo e só percebi a diferença quando coloquei na boca e mordi. Fica feio para o cliente, parece que bateram pouco a polpa... mas até achei uma boa ideia: gelo com gosto. Porque ninguém fez isso ainda?
Endereço: Rua Pernambuco, 618 (loja 2) - Funcionários
Preço: R$ 4,00 - 500 ml

Deck do Guaraná
A moça do caixa era super simpática e me disse que um dos mais pedidos era o Super C, com guaraná, hortelã, laranja e acerola. Tem um gosto forte e muito bom. O guaraná e o hortelã são bem acentuados. Já a laranja e a acerola parecem uma coisa só, você sente um azedinho gostoso lá no fundo, contrastando com o doce do resto do suco.
Endereço: Av. Bandeirantes, 809 (loja B) - Sion
Preço: R$ 4,50 - 300 ml / R$ 6,50 - 500 ml

Recanto do Açai
Sabe quando você fica triste ao perceber que aquele sorvete maravilhoso está chegando ao fim? Foi assim que eu me senti mesmo depois de quase 400 ml do suco. Estava muito bom! Quando vi o cardápio me perguntei porque esse lugar estava na lista, já que a maioria dos sucos só misturava duas frutas (quando não era uma só). Sempre que a gente escuta sobre sucos pensa em 3, 4 ou 5 sabores misturados. Mas, afinal, de que adianta um monte de frutas que não ficam bem juntas. Acho que eles pensaram nisso e, para descomplicar, preferiram oferecer um cardápio simples. E são ótimos no que fazem!
Endereço: Av. Alfredo Camarati, 249 - São Luiz
Preço: R$ 5,00 - 500 ml (tamanho único).

Néctar da Serra
Queridinho da Veja, o Néctar da Serra vem ganhando o primeiro lugar desde que a revista existe. Não por menos. A começar pelo atendimento: a moça do caixa foi super simpática e me deu várias dicas. Quando eu perguntei qual era o mais pedido de todos ela me indicou o de laranja, amora e framboesa. Uma delícia! Parecido com o do Recanto do Açai, mas ganha pela variedade do cardápio e por ter três sabores, todos muito bem definidos.
Endereço: Av. Bandeirantes, 1839 - Mangabeiras ou Rua Santa Rita Durão, 929 - Savassi
Preço: R$ 5,00 - 400 ml (tamanho único).

Marietta
O Néctar que me perdoe... mas o suco do Marietta estava muuuuito bom! Por coincidência, eles eram bem parecidos. Provei o de laranja, amora e morango. Era bastante encorpado e deu pra sentir o gosto das três frutas, além das sementes de morango, que deixam o suco bem natural. O atendimento também foi certeiro: "qual que sai mais?", "laranja, morango e amora", então é um desse mesmo". E bingo!
Endereço: Pátio Savassi (Av. do Contorno, 6061 - Savassi), loja 135 ou BH Shopping (BR 356, 3049 - Belvedere), loja OP 66 ou Diamond Mall (Av. Olegário Maciel, 1600 - Lourdes), loja Bg 63
Preço: R$ 5,90 - 500 ml (tamanho único).

segunda-feira, 5 de julho de 2010

As flores da estação

Quando a gente está acostumado a andar em um local , certas coisas passam batido. É o que acontece aqui em BH. A cidade é muito bonita e muito arborizada. Mas é tão comum ver sequências de árvores e plantas verdes nas calçadas, canteiros centrais e jardins dos prédios que, por vezes, esquecemos que elas estão ali.

Tanto que nem sei se foi esse fim de semana que tudo começou ou se já faz algum tempo, mas vocês já pararam pra reparar nos ipês da cidade? As árvores estão todas floridas!

(Ipê na Praça da Estação. Foto tirada desse link)

O ipê é uma árvore brasileira originária da Mata Atlântica e seu nome significa "árvore com casca grossa". A espécie é muito usada na arborização da cidade, pois suas raízes não são agressivas. Os ipês florescem uma única vez no ano, na época do frio. E quanto mais frio e seco o tempo estiver, maior é sua floração.

Em BH, encontramos três espécies. O ipê-amarelo, em menor quantidade, o ipê-roxo e o ipê-rosa. Os dois últimos são bem parecidos, mas podem ser diferenciados por um pequeno detalhe: o ipê-roxo perde todas as suas folhas durante a floração, fato que não ocorre com o ipê-rosa.

Para mim, essa é outra peculiaridade de BH. Primavera? Que primavera? A cidade fica bonita mesmo é no inverno, com suas flores coloridas. Apesar do imenso calor que insiste em nos fazer esquecer, moramos sim em uma cidade montanhosa!

(Praça do Papa. Foto tirada desse link)







(Imagens da Praça da Liberdade, um dos melhores locais para apreciar a beleza dos ipês no inverno. Além de muito floridos, a praça tem exemplares das três cores. Fotos tiradas desse e desse link)

(Alameda dos Ipês, na região da Pampulha. Foto tirada desse link)

(Parque Municipal. O Othon Palace Hotel está ao fundo. Foto tirada desse link)

P.S.: Esse é o post número 100!! Quem diria que esse blog ia funcionar heim?! Heheheh! Obrigada a todos que viram, leram, comentaram e divulgaram. E todos que não fizeram nada disso, mas apoiaram de algum jeito também!

P.P.S.: Olhando meu blog e o post anterior sobre Copa do Mundo eu pergunto: existe alguém mais pé frio do que eu? TODOS os times que torci nas quartas perderam... Acho que vou a vestir a camisa da Alemanha. Espero que funcione...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Lá de cima

O post passado fez sucesso, principalmente para o Alê, que vai ganhar um dinheirinho extra com o tanto de gente que me pediu o telefone dele. Como muita gente comentou as imagens, vou postar mais fotos! Quem sabe assim ele não me repassa uns 10%? =]

(Nessa hora eram três paraglider só de um lado da montanha)

(Uma visão paradisíaca...)
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(A esquerda, o Bombis se ajeitando para fazer um voo duplo. A direita, um homem esperando o vento e a hora certa de puxar o paraglider para cima. Os visitantes que vão ao Topo do Mundo só para ficar admirando ficam sentados no mesmo morro que as pessoas pegam impulso para saltar )



(Dá pra perceber que Asa Delta é mais complicado só de ver o homem arrumando os equipamentos. Em compensação, a sensação deve ser a mais próxima de estar voando, pois as pessoas ficam deitadas. A Gabi comentou que é como ser um passarinho. Pra mim, ele tava parecendo mais uma minhoca mesmo)
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(Ta vendo um ponto amarelo lááá no fundo a esquerda? Sou eu!)