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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Colorido urbano

Grafite é o nome dado à todo tipo de inscrição - caligrafia ou desenho - feito em um suporte que não foi pensado para tal. Esse tipo de representação foi deixado de lado por muito tempo e até mesmo visto como forma de rebeldia. Há alguns anos, porém, o tema passou a ser levado a sério e hoje o grafite é considerado um tipo de arte visual, ainda que em ambiente urbano.

(Belo Horizonte)

Se levarmos em consideração a definição de grafite, também temos de incluir as tão contraditórias pichações e as intervenções feitas em monumentos públicos. Fugindo um pouco do debate sobre a validade desse tipo de ação, não há como negar que alguns grafites são verdadeiras obras de arte. E essas obras de arte fazem algumas ruas parecerem museus a céu aberto, capazes não só de embelezar a cidade como de comunicar a quem passa certos pontos de vista.

(O abandono. Belo Horizonte e Sevilha)

(Sevilha e Belo Horizonte) 

(Muitos grafiteiros enxergam sua arte como efêmera e, por isso mesmo, é constantemente usada para expressar um estado de espírito. Belo Horizonte e Sevilha)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Viagem rumo ao fundo do mar

Atravessar o oceano Atlântico e recomeçar a vida em outro continente. Foi em busca desse sonho que 2.240 pessoas embarcaram no Titanic, o maior navio jamais construído até então. Nele estavam crianças, adultos e velhos. Jovens sonhadores e famílias inteiras. Gente de toda parte do mundo com todo tipo de passado e uma nova perspectiva de futuro.

O Titanic saiu do porto de Southampton no dia 10 de abril de 1912. Quatro dias mais tarde, por condições atmosféricas ou por irresponsabilidade da tripulação, o navio naufragou nas gélidas águas do Atlântico levando mais de 1.500 pessoas com ele.

(Foto da viagem inaugural do imenso Titanic)

Da história do Titanic muito se sabe. Do desespero que passaram as pessoas que estavam ali dentro ao ver o que estava acontecendo muito se imagina. Por mais explorada que esteja, a história da viagem desse enorme navio transatlântico ainda chama minha atenção.

(Réplica em escala real do Titanic)

Tive certeza disso depois de visitar a exposição sobre o Titanic aqui em Sevilha (Pabellón de la Navigación, aberta até o dia 7 de abril. Entradas a 10 euros - segundas-feiras a entrada sai por 5 euros. Mais informações nesse link). Sinceramente, eu esperava que tivesse mais objetos e mais reproduções dos ambientes do navio. Ainda assim, me parece absurdo pensar que tudo o que estava a minha frente eram documentos de pessoas que passaram por aquilo ou materiais retirados do fundo do mar.

(Espreguiçadeiras dos pátios do navio e conjunto de porcelanas usados nos jantares de luxo)

Ainda mais interessante do que ver os objetos e imaginar como um navio daquele tamanho naufragou é escutar a história de alguns dos seus passageiros. A história do Titanic são as histórias de quem estava a bordo. Algumas são realmente incríveis como a de Margaret Brown, uma estadunidense muito rica que devido ao seu espírito de liderança ajudou muitas mulheres a entrarem nos botes salva-vidas. Algumas horas mais tarde, quando encontraram ao Carpathia, ela foi uma das principais lideranças na organização da lista de sobreviventes, da comunicação entre os tripulantes (por falar mais de uma língua) e mais tarde mandou encomendar uma medalha para cada um dos tripulantes do Carpathia, por toda a ajuda.

(A "inafundável" Margaret Brown e foto de um bote com sobreviventes do Titanic)

A verdade é que os botes podiam suportar cerca de 1.200 pessoas, pouco mais da metade da tripulação. Além da falta de equipamentos de segurança para todos, o desespero das pessoas foi tão grande que muitos botes não navegaram com uma capacidade ainda menor.

(Maquete dos botes que deveriam salvar a vida dos tripulantes do Titanic)

Outra história digna de cinema é a de Rosalie e Isidor Straus, um rico casal alemão. Assim que o navio bateu no grande iceberg, eles foram levados ao ginásio para tentar entrar em um dos botes. Como a ordem era a de esperar que todas as mulheres e crianças ocupassem os lugares nas pequenas embarcações, Isidor não aceitou sentar-se ao lado de sua mulher. No mesmo instante, Rosalie deixa o bote dizendo que passou toda a vida com seu marido e não iria onde quer que ele fosse. Os dois então se sentaram em uma das espreguiçadeiras do convés e seguiram abraçados, esperando juntos a sua morte.

(O casal Straus causou comoção na comunidade judia)

Como hoje em dia é quase impossível pensar em Titanic sem se lembrar do filme, a exposição faz referência a algumas passagens do longa metragem e desmitifica verdades e mentiras. Para os amantes da história de amor entre Jack e Rose, sinto-lhes informar que aquilo é mentira. O caso foi inspirado em diversos incidentes e personagens que existiram mas a história em si não é real. Na exposição explicam que o caso que deu maiores bases para a criação do casal foi inspirados na história de um casal que se casou contra a família. O marido queria dar uma vida melhor a sua esposa e por isso embarcou no Titanic, com a intenção de recomeçar tudo do outro lado do oceano. O homem deu um colar para sua mulher dias antes de partir (muito menor que o do filme).


(Réplicas de alguns dos ambientes do barco. Na primeira foto, o corredor que dava passagem aos camarotes de primeira classe. Na segunda foto, um salão privado)

Uma da histórias verdadeiras é a dos músicos. Em uma tentativa de acalmar a todos - e a si mesmos - pararam de correr e começaram a tocar. Alguns sobreviventes relatam que no meio de toda a confusão, ainda escutavam os acordes de uma linda canção, o hino Nearer, My God, to Thee (algo como "mais perto de ti, senhor").

(O navio e a sala de comunicação de onde foram passadas as primeiras informações sobre o naufrágio)

Outra parte super interessante da exposição é o enorme bloco de gelo com ares de iceberg. A maior parte das pessoas que não se afogaram, mas morreram por hipotermia ou congelamento. É fácil entender como isso é possível deixando a mão por alguns segundos ali no gelo... A dor é insuportável.

(Réplica de um quarto da 3ª classe)

(Pintura da famosa escadaria da sala de jantar)

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Blogueiros de Viagem e Hostelling International fecham parceria

A Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem (RBBV) e a Hostelling International (HI), através da Federação Brasileira dos Albergues da Juventude (FBAJ) uniram forças para a realização de uma parceria inédita entre blogs brasileiros de turismo e viagens e os proprietários de albergue da rede.

(Carlos Augusto e Pedro Serra, durante encontro de proprietários da HI. Foto: Pedro Serra)

Desde o dia 24 de setembro desse ano, blogueiros membros da RBBV poderão se hospedar gratuitamente nos albergues da rede HI em todos os países das Américas, além de receber carteiras de alberguistas da Hostelling International.

A rede Hostelling International (HI Hostels) é a criadora do conceito de alberguismo no mundo e possui um know-how centenário. Com quatro milhões de associados e mais de 4.000 estabelecimentos no mundo, é a maior rede de hospedagem econômica mundial. A rede HI no Brasil conta atualmente com 98 hostels, com vários empreendimentos em fase de credenciamento , localizados nos principais destinos turísticos do país e 70 mil associados.

Segundo o jornalista Pedro Serra, editor do blog Sem Destino, responsável pelo acordo, a parceria é um reconhecimento do trabalho desempenhado por dezenas de blogs na divulgação de destinos nacionais e internacionais.

“Lutamos muito pela profissionalização da blogsfera de viagem e pelo reconhecimento dos blogs como um canal de mídia importante na divulgação dos destinos”, diz Pedro, que reconhece essa parceria como a coroação de um trabalho iniciado em novembro 2011 com a criação da RBBV.

Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem é uma comunidade composta por mais de 180 blogueiros comprometidos com a publicação de diferentes temas diretamente ligados a turismo e viagens. Inicialmente criada através da troca restrita de experiências pessoais nas redes sociais, a RBBV criou, em maio de 2012, um site aberto ao público para aproximar leitores, mídia e entusiastas dos diversos temas discutidos.

De acordo com o presidente da FBAJ,  Carlos Augusto Silveira, “cada vez mais os blogueiros fazem parte do trade. É neles que as pessoas se inspiram para viajar”. Carlos acredita na importância da opinião de blogueiros de turismo e viagens na tomada de decisões de viajantes independentes. “As opiniões honestas dos blogueiros também nos ajudarão na melhora da qualidade dos nossos serviços”, completa.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O mundo de outro ângulo

Muitas pessoas participaram da promoção Quer ver o mundo de outro ângulo?, uma parceira entre o blog Eu mundo afora e a Escola de Parapente Base da Nuvem. A ganhadora foi uma menina que se dizia azarada e medrosa, mas que deve ter mudado um pouco de opinião depois desse fim de semana. A Bárbara nos enviou fotos e escreveu um texto contando tudo o que sentiu e durante o voo. Mas o mais legal mesmo é ver  o rosto dela no vídeo feito pelo Alexandre, no final do post!

Azar na vida, sorte no voo

Foram várias participações em sorteios, várias rifas compradas e várias apostas nos bingos... todos sem sucesso. Mas nos últimos dias, com um simples clique, eu ganhei o meu único e inesperado prêmio: um salto de parapente. E o azar de uma vida foi totalmente recompensado!

Partir para uma experiência como essa não foi nada fácil pra mim. Além do azar que me acompanha desde os meus tempos de criança, eu sempre tive medo de altura. Mas como amarelar numa hora dessas? Era a minha chance de voar ou a minha sorte é que “sairia voando” pra sei lá quando voltar.


E foi assim que sábado, às 14 horas, eu estava no Topo do Mundo, a mais de 1500 metros acima do nível do mar, excelente para aquele meu “medinho” de altura. A tranquilidade do meu instrutor, Alexandre, o Alê, foi essencial para manter minha calma, já que há muitos anos ele faz esse tipo de voo duplo pela escola de parapente Base da Nuvem.

Enquanto ele colocava os equipamentos de segurança em mim, ele perguntou: “Tá tudo bem? Você tá tranquila?”. E eu respondi: “To sim, é só um medinho de altura”.  Já nos posicionando para o salto, ele então me disse: “Não se preocupe, eu também tenho”. Esse sim foi um momento de tensão. Eu não sabia se isso era uma boa ou má notícia! Acontece que no meio do meu momento reflexivo, nós saltamos. E o salto foi tão leve, tão tranquilo que eu me acalmei.


A vista era deslumbrante e a sensação muito gostosa. Meu medo perdeu espaço, a não ser quando o Alê falava: “ Vou tentar subir um pouco mais”. Mais? É possível? Já estávamos a uns 800 metros acima daquele morro. E quando subimos vimos o outro lado da Serra da Moeda, uma linda vista panorâmica da Lagoa dos Ingleses.

Durante o voo eu me lembro de ter perguntado pro Alê, se ele tinha vontade de pular de paraquedas e ele me disse que não, que por ter esse medo de altura ele não gostaria de sentir a sensação de ser jogado, e de cair em queda livre. E, completou dizendo algo que descreveu totalmente minha experiência: “Eu gosto mesmo é dessa sensação de estar voando, de estar flutuando!” Exatamente o que eu senti. Eu acho que é por isso que eu não tive medo, eu estava curtindo, como se eu tivesse em um avião, com uma vista muito mais linda e uma sensação maravilhosa!


No fim do voo o Alê me perguntou: “Você quer continuar descendo tranquilamente e curtindo a paisagem ou prefere descer em uma manobra?” Eu nem pensei duas vezes, afinal nós já estávamos a mais de 1000 metros de altura e meu azar estava de férias. Ele me disse então pra olhar para a direita, foi quando começamos a descer em hélice. Eu não conseguia nem pensar nesse momento, dá pra ver pelo vídeo que eu até esqueço da câmera e começo a gritar! Era muita adrenalina! Eu me lembro apenas de olhar pra BR040, estrada que eu pego para visitar meus pais, e pensar, agora sempre que passar por lá vou lembrar da ótima sensação que essas pessoas têm ao voar do Topo do Mundo, curiosidade que eu sempre tive quando viajava, e que por um momento de sorte eu pude vivenciar.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Promoção: Quer ver o mundo de outro ângulo?

Você já voou? Sabe como é tirar os pés do chão, abrir os braços no céu e sentir o vento frio lá de cima? Eu sei. Tive a oportunidade de fazer um voo de paraglider em maio de 2010, no Topo do Mundo, município de Brumadinho. Contei tudo no blog (nesse e nesse link), com direito a muitas fotos. É uma sensação deliciosa... sem contar na paisagem linda que se tem lá do alto.

E aí, já se convenceu? Então prepare o fôlego e participe da promoção do blog Eu mundo afora e da escola de parapente Base da Nuvem. No dia 15 de agosto, vamos sortear um voo de paraglider no Topo do Mundo! Para concorrer é só seguir as instruções abaixo:


Para participar é só...

1) ... acessar esse link e curtir a página de facebook do Eu mundo afora.
2) ... acessar esse link e curtir a página de facebook da Base da Nuvem.
3) ... compartilhar a imagem acima na sua página de facebook.

Observações importantes:

  • Não é preciso compartilhar as fotos das duas páginas.
  • Quem curtir só uma página não concorre à promoção.
  • O sorteio será realizado no dia 15 de agosto.
  • O nome do ganhador será publicado nas páginas de facebook dos realizadores. O contato inicial será feito via facebook e o ganhador terá uma semana para responder à mensagem e informar outros dados.
  • O ganhador terá até um mês para realizar o voo.
  • Caso o ganhador não possa comparecer, poderá transferir o prêmio para outra pessoa mediante contato direto com o Alexandre, instrutor da escola de parapente Base da Nuvem.
  • Outros custos, como transporte, não estão incluídos.

Boa sorte a todos os candidatos! =)

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vida em movimento

Da primeira vez que fiz intercâmbio ainda estava na faculdade e o meu "sejour"de seis meses na França não ia mudar lá muita coisa. Ia atrasar o curso, ia para de estagiar por um semestre, mas não tinha o sentimento de estar perdendo nada por isso. Tudo voltaria a ser como antes (tudo, menos eu mesma, claro).
.
(Sempre de volta à minha bela Belo Horizonte)

Pois bem, daqui um mês embarco para Sevilha e essa frase vem me causando um sentimento estranho porque, dessa vez, eu sinto que vou perder algumas coisas. Gosto muito da vida que levo em beagá, dos amigos que tenho, dos trabalhos que faço, das minhas semanas nada rotineiras e do aprendizado constante... e n
ão faço ideia do que vai acontecer com isso tudo. Nem quando eu for e muito menos quando eu voltar.

Então, pergunto: e se eu ficasse por aqui? Como seria minha vida no próximo ano? E vejo que deixaria de passar uma temporada em uma das cidades mais bonitas que já conheci. Vejo que não teria a oportunidade de viajar para tantos países diferentes e nem de aprender uma nova língua. Isso sem falar nas culturas que ia conhecer, nas comidas estranhas que ia experimentar, nos amigos que ia fazer... Há perdas e ganhos dos dois lados. No momento, e
stou jogada a sorte e isso me deixa feliz.

Pensar nisso m
e faz lembrar uma série de vídeos feitos por três viajantes a pedido da agência STA Travel Austrália. Foram 44 dias, 11 países, 18 voos e 38 mil milhas para realizar vídeos baseados em três conceitos: movimento, aprendizado e comida. É um resumo interessante do que acontece em uma viagem quando as pessoas estão dispostas a se deixar levar. E é também um resumo do que se passa na minha cabeça sempre que alguém me pergunta se deveria fazer um intercâmbio: o que ainda está fazendo aqui?

Move

Learn

Eat

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Interseções entre o jornalismo de viagem e a literatura

"Conta-nos como é a falta de ar no Karakoram, acima de quatro mil metros de altitude, e em Los Angeles, durante o smog. Testemunha a morte de escaladores no Annapurna. Quase morre durante uma nevasca perto do monte Whitney. Mergulha na beleza do mar de Bali. Acompanha mateiros no miolo da Floresta Amazônica. Resgata tradições de astecas, indianos, norte-americanos, chilenos e argentinos. Mostra o fatal encontro com uma tribo desconhecida de índios. Atravessa os contrafortes das Torres del Paine, do monte Fitzroy e do Cerro Torre. Compara comportamentos. Relembra livros e autores. Experimenta cardápios exóticos" (retirado do site da Editora Pulsar)


Algumas dessas experiências parecem loucura. Outras, parecem sonhos. A única certeza que se pode ter é que todas são únicas. E é exatamente isso que o escritor Luís Giffoni busca nas suas andanças pelo mundo: descobrir aquilo que é único em um país, uma cultura, um povo. Viajante inveterado, Giffoni já carimbou sue passaporte em mais de 50 países e já escreveu dezenas de crônicas sobre as experiências que viveu por aí. Algumas delas estão nos livros China - O Despertar do DragãoO Reino dos Puxões de Orelha e Outras Viagens e Retalhos do Mundo.

Mas o que diferencia o jornalismo de viagem da literatura viajeira? O que um escritor busca em uma viagem? É diferente do que busca um jornalista? Tive a oportunidade de conversar com o Luís durante a Bienal do Livro de Minas, que acontece dos dias 18 a 27 no Expominas, em Belo Horizonte. O evento busca falar sobre literatura e aproximar os leitores dos seus autores favoritos. Abaixo, a nossa conversa:



O jornalismo de viagem está caminhando para a literatura?
Se você quer fato de viagem você vai procurar um guia de viagem que possa dar todas as dicas. Se você quer uma experiência, um relato, você vai procurar um livro que fala sobre. É muito diferente, mas acho que há uma interseção entre eles sim. O que falta no jornalismo de viagem é tentar absorver a cultura estrangeira e colocá-la em um papel de percepção.

O que o senhor busca em uma viagem?
Eu não estou preocupado em citar locais, hotéis, roteiros. Estou preocupado com a cultura e como essa cultura interage com a minha. Não viajo meramente em busca de informações, mas é claro que uma viagem pode se transformar em ensaio, pois elas despertam uma curiosidade. Procuro ver a unicidade das culturas, o que há de comum e o que há de diferente. Também acho super interessante ver como as pessoas resolvem certas situações que, para nós, são coisas problemáticas. O convívio com a nudez e com o sexo em Bali é uma coisa muita tranquila. Eles têm estátuas espalhadas pelas cidades que seriam inadmissíveis no Brasil. Em compensação, nos países muçulmanos eles não permitem o consumo de álcool, algo quase banal por aqui.

O senhor passou por alguma situação que não conseguiu escrever?
Na Índia eu conheci uma pessoa que estava escravizada. Ela me suplicava para libertá-la, mas eu não podia fazer nada... Até hoje me lembro do seu olhar de súplica.

O senhor já sentiu um estrangeiro dentro do seu próprio país?
Eu nunca me senti um estrangeiro em lugar nenhum. Desde que você esteja aberto à cultura do outro você não vai passar por isso. O outro é diferente, isso não quer dizer que ele não é legal ou interessante. Mas uma coisa é certa: já estive em mais de 50 países, alguns eu atravessei de ponta a ponta, e sempre enxergo coisas novas.

(No dia 23 de maio, o Café Literário uniu Frei Betto, Luiz Ruffato e Luís Giffoni para discutir "A Construção do Romance")

A conversa com Luís Giffoni foi motivada por um debate interessante do qual ele era mediador. Durante o Café Literário, um evento que integra a Bienal e tem como objetivo realizar um bate papo informal entre autores e público, ele, Frei Betto e Luiz Ruffato discutiam "A construção do Romance". Durante aquele debate algumas coisas ficaram clara. A primeira foi que a maior dificuldade da literatura atual é construir uma narrativa inovadora e diferente do que já foi feito. A segunda é que para essa inovação acontecer não importa a história, é preciso saber contá-la de uma forma interessante.

"Literatura é a arte da linguagem. As vezes a narrativa é banal, mas a linguagem é de um sabor tão incrível que aquilo te prende", disse Frei Betto sobre o fazer literário. E ele está completo de razão. Existem histórias surpreendentes, mas grande parte da literatura passa por temáticas mais ou menos iguais. O mesmo acontece no jornalismo de viagem. As vezes escutamos alguém falar sobre os costumes de uma tribo indígena ou sobre as maravilhas daquela ilha o pacífico pouco explorada. Mas o grande volume de conteúdo gira em torno dos locais mais conhecidos como Paris, New York e Rio de Janeiro. O que faz desses relatos algo pouco ou muito interessante? A forma com que o autor fala sobre ele.

(Stands da Bienal do Livro de Minas)

O Brasil ainda é um país que está engatinhando no quesito crônicas de viagem e para quem quer se arriscar no caminho da literatura, os autores deram duas dicas valiosas:

1. Para ser um bom escritor é preciso ser um bom leitor. Assim, ande sempre com um livro mesmo que você tenha certeza que naquela dia não vai abrir nem uma página. No final da semana você vai se surpreender.
2. Nunca escreva pensando que a sua primeira redação vai ser a última. O importante é colocar no papel um início, um meio e um fim. Depois você vai burilando o texto até chegar naquilo que considera ideal. Afinal, o mais importante é a forma.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Relacionamento entre blogs e empresas: algumas diretrizes importantes para estabelecer parcerias consistentes


Este texto foi motivado e elaborado a partir de pautas e discussões levantadas pelos membros da Rede Brasileira de Blogueiros de Viagem (RBBV) acerca do relacionamento entre empresas e blogueiros. Este material é uma síntese dos principais pontos levantados durante as discussões entre os representantes dos blogs e integrantes do grupo citado.

Com a crescente ampliação do alcance das mídias sociais e da validação da experiência pessoal, cada vez mais indivíduos comuns buscam nos blogs, nos relatos pessoais, informações diversas que fazem parte do seu cotidiano: de tecnologia à arte, de beleza à saúde, de alimentação ao turismo. O certo é que há uma grande variedade de assuntos e experiências sendo discutidos e uma grande variedade também de perfis no que diz respeito a blogs.

O que, originalmente, teve início como um espaço que se assemelhava a um diário pessoal tomou outro rumo: o da profissionalização, sem contanto perder a pessoalidade do discurso. Eis que surge, então, um novo perfil no mercado, o de ProBlogger.

O ProBlogger, ou blogueiro profissional, trabalha, tira seu sustento ou parte do seu sustento do seu espaço. Muitas pessoas abriram mão de seus empregos tradicionais, muitos de estabilidade, para investir em um projeto independente, cuja credibilidade é construída ao longo do tempo e, principalmente, pela fidelidade de seu leitor.

Diante da ampliação do alcance das mídias sociais e de sua credibilidade, as empresas também passaram a enxergar nos blogs e nos demais representantes desse perfil de mídia um espaço promissor. As empresas veem a possibilidade de utilizar a credibilidade destes meios, construída gradativamente, para divulgar seus produtos. Assim, o relacionamento entre empresas e blogs começou a ser delineado. Diante de algo novo, de uma configuração nova, o estranhamento sempre é presente. Como lidar com este novo tipo de mídia (que também não é tão novo assim)?

Neste processo de profissionalização de blogs e de construção de relacionamento entre blogueiros e empresas, os parâmetros ainda estão sendo construídos. Há, no entanto, pontos que são sensíveis a esta nova configuração e que algumas empresas devem levar em conta desde o primeiro contato. Dessa forma, poderão conquistar parceiros constantes, que contam com credibilidade e que têm uma trajetória que precisa ser respeitada. Com isso, o respeito será também para com os leitores.

O mercado de blogs é profundamente heterogêneo: há blogs dedicados a assuntos distintos e de trajetórias distintas. Há blogs novos, recém-criados e cheios de potencial – que devem ser levados em conta – e há blogs antigos, que já têm uma história e trajetória tecidas ao longo do tempo. Todos podem conquistar seu espaço e estabelecer parcerias sérias e consistentes.

Ao procurar os blogs, as empresas devem considerar alguns fatores:

- Estudar cada blog selecionado para possíveis parcerias para compor propostas distintas.

Nenhum blog é igual. Talvez o primeiro grande erro de uma empresa, ao entrar em contato com um blog, seja o de não levar em conta essas diferenças. Cada nicho é um nicho, cada blog é um blog. Quando uma empresa faz uma proposta comercial, por exemplo, única para todos os espaços, ela está esquecendo de levar em conta a heterogeneidade destes blogs.

Para uma empresa começar com pé direito o relacionamento com um espaço, é preciso estudá-lo antes: analisar a consistência do seu conteúdo, ver há quanto tempo está no mercado, seus parceiros anteriores, ações, postura. Não basta pedir o número de acessos, de visitantes únicos, de seguidores no Twitter ou na Fanpage. Até porque alguns, infelizmente, usam de meios tortos para fabricar estes mesmos números.

Obviamente, estudar todos estes pontos em consonância exige um pouco mais de tempo e de dedicação. Talvez seja isso o que vai ajudar uma empresa a ser bem vista pelos seus possíveis parceiros e impedir que ela fique “queimada” entre eles. No final das contas, os blogueiros acabam trocando informações, entre outras razões, para avaliar se esta empresa é confiável, se a parceria é consistente. Um diálogo existe entre os blogueiros, por mais que não exista uma associação. Afinal somos independentes.

Então, repetindo, vale a pena gastar um pouco mais de tempo para delinear uma proposta para cada blog que esteja no radar, levando em conta todos os parâmetros citados acima, para que seja feita uma proposta justa e coerente.

- Consulte as opções que o blogueiro tem a oferecer nas propostas. Trate-o como um profissional. 

Outro ponto importante: se uma empresa nos enxerga como um meio relevante e profissional de produção e compartilhamento de conteúdo, nos trate dessa forma. Muitas empresas acham absurda a ideia de pagar um blogueiro pelo seu trabalho, mas pagam milhares de reais em anúncios em meios tradicionais, que já não são mais tão eficientes quanto foram no passado. Investir em blogs é certeza de atingir um público segmentado e de qualidade. Exatamente por isso é que as empresas querem relacionamentos com os blogs – para alcançar o público consumidor de uma maneira mais pessoal, mais eficiente, direta e com o respaldo do blogueiro. Por que então, muitas vezes, as negociações comerciais envolvendo dinheiro ficam limitadas à mídia tradicional e as propostas para os blogs não incluem remuneração real?

Lembrem-se, um blogueiro profissional tira toda a sua renda ou parte dela de seu espaço; trabalha, muitas vezes, horas para por um post no ar; faz e edita fotos etc. Investe tempo, dinheiro, esforço e emoção no seu trabalho.

Empresas: não percam de vista que as negociações estão sempre abertas. Façam suas propostas, ouçam a proposta do profissional que foi contactado e, sobretudo, não envolva parâmetros, valores e nomes de outros blogs na sua negociação. Não traga para a negociação frases do tipo “blog tal cobra tanto, então por que você cobra este valor?”. Isso fere a ética e o profissionalismo de uma empresa.

Como foi citado no item anterior, cada blog é um blog, cada um possui uma trajetória, fidelidade de leitores e formas de trabalhar: com publieditorias (sempre sinalizados como publieditoriais), banners, ações de marketing, fam trips, permutas… Há várias formas de montar parcerias. Ouça, negocie, saiba o que ele tem a oferecer.

- Sobre propostas nebulosas de ceder conteúdo a um blog e embutir links de clientes nos textos, sem comunicar aos blogueiros.

Há empresas que, infelizmente, adotam esta prática. Neste caso, esta se compromete a ser uma espécie de “colaboradora” do seu blog, enviando textos com links embutidos em palavras-chave, promovendo um cliente, sem custo algum, lesando o blogueiro. Esta “colaboração” na verdade é uma forma de promover o cliente da empresa sem repassar nada ao blogueiro.

- Sobre premiações

Algumas empresas encontraram em concursos um meio de se promover. Criam uma premiação, alegando que vão eleger o melhor blog na categoria x, mas exigem que os participantes coloquem selos em seus blogs (banners com links diretos para o site que promove a premiação) e que façam campanhas nas redes. No fim das contas, a ideia não é homenagear um blog, mas divulgar vastamente o nome da empresa, atrair tráfego para seu site e reforçar seus links junto às ferramentas de busca.

Há casos ainda em que a empresa diz que elegeu os melhores blogs para participar e, à medida que os “indicados” declinam do convite, convocam outros, os transformando em meros “tapa-buracos”. É um desrespeito ao trabalho dos blogueiros. Clareza e ética são pontos cruciais!

- Sobre propostas para escrever posts em troca de remunaração irrisória ou indigna.

Produzir conteúdo – textos, fotos, vídeos – é o trabalho do blogueiro. É no que ele investe seu tempo e esforço. O bom conteúdo atrai os visitantes para o blog e é a base para que o blogueiro construa sua credibilidade e conquiste a fidelidade dos leitores. Há empresas que desconsideram isso e que fazem propostas indignas. Existem casos de ofertas de “parceria” em que o blogueiro é convidado a escrever em troca de um cupom da empresa ou em troca de um valor tão pequeno que não compra nem um hambúrguer. Não há “parceria” que possa ser construída nessas bases.

Tendo em vista a crescente consolidação de blogs profissionais no mercado e da relevância do alcance das mídias sociais no contexto atual, é preciso que muitas empresas que nos contactam, visando estabelecer parcerias, trabalhem seu olhar com relação a este novo mercado, já que faz uso do mesmo para ampliar o seu alcance. Que as relações não sejam unilaterais e extorsivas e que todos tenham a possibilidade de crescer juntos e não apenas de servir de “escada” para muitos. Se uma empresa busca consolidar sua credibilidade e profissionalismo diante do mercado, que este processo comece desde a construção de relacionamento com os seus possíveis parceiros.

(Texto escrito por Janaína Calaça, editora do blog de viagem Jeguiando, com colaboração e revisão de Elisa Araujo, sócia e diretora comercial do Viaje na Viagem)

- Blogueiros e membros da Rede Brasileira de Blogs de Viagens que participaram da discussão sobre o relacionamento entre empresas e blogs e apoiam a causa:

Janaína Calaça e Erik Araújo - Jeguiando
Ricardo Freire e Elisa Araújo - Viaje na Viagem
Pedro Serra - Blog sem Destino
Maurício Oliveira - Trilhas e Aventuras
Sut-Mie Guibert - Viajando com Pimpolhos
Érika Marques - Blog Outros Ares
Carol May Rodrigues - Dicas e Roteiros de Viagens
Natália Gastão - Ziga da Zuca
Renata Inforzato - Direto de Paris
Leonardo Marques - Melhores Destinos
Jackeline Mota - Viaje Sim!
Thiago Cesar Busarello - Vida de Turista
Flávia Peixoto - Viajar é tudo de bom
Átila Ximenes - Blog Vou Contigo
Edson Maiero - Photo Travel 360
Camila Navarro - Viaggiando
Claudia Beatriz Saleh - Aprendiz de Viajante
Raquel Gonzaga / Rodrigo Nominato - Aventure-se.com
Mô Gribel - Por Onde Andei
Patrícia Camargo - Turomaquia
José Henrique Amormino Fonseca - Aventuras e Expedições
Marcio Nel Cimatti - A janela laranja
Clarissa Donda - Dondeando por aí
Jodrian Freitas - Aventura Mango
Lucia Malla - Uma malla pelo mundo
Gleiber Rodrigues - Andarilhos do mundo
Diego Fontenele Lemos - Blog de Viagens
Ana Catarina Portugal - Turista Profissional
Tatiane Dias e Christian Borchardt Jr - Sair do Brasil
Luiz Jr. Fernandes - Boa Viagem
Tiago Reis - Rotas Capixabas
Eliane Ceccon - 1001 Roteirinhos
João Aguiar - Viajando no Mundo
Daniel Duclos - Ducs Amsterdam
Tássia Corina - Com os pés no mundo
Juliana Afonso - Eu mundo afora

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Hospedagem inusitada

Há muitas formas de fazer uma viagem diferente. Uma delas é escolher um destino turístico que naquele fim de semana celebra alguma festa típica ou recebe algum festival. Outra é procurar pessoas que moram naquele lugar para te apresentar a cidade e mostrar, ao jeito -nativo-de-ser, os costumes e a cultura de um lugar. Muitas pessoas, porém, decidem se hospedar em hotéis inusitados.

(Proprietário da Villa Hamster mostrando como desfrutar das acomodações do hotel. Foto tirada desse link)

Tive contato com essa excêntrica forma de viajar quando descobri que em Nantes, cidade na região oeste da França, tinha um hotel em que as pessoas pagavam para serem ratos. O local se chama Villa Ramster e é todo decorado para isso. Nos quartos ois hóspedes encontram ração, feno, roda para fazer exercício e até uma fantasia, para quem quiser se sentir... mais a vontade. À época a diária custava 99 euros e estava fazendo tanto sucesso que o proprietário queria expandir o negócio e fazer hotéis para seres humanos que quisessem se tornar gatos ou cachorros.

Bizarro? Sem dúvida. Mas se analisarmos bem o dono não tem nada de louco. Afinal, se tem gente que procura esse tipo de serviço ele está mais que certo em investir. E é pensando nesse tipo de público - não necessariamente o público que gosta de se fantasiar de hamster - que os investidores vêm criando hotéis com design e propostas diferenciadas.

Uma das mais peculiares que já vi foi a hospedagem de luxo em um guindaste de cais. O local se chama Dockside Crane Hotel e fica na cidade de Harlingen, na Holanda. Como o quarto é único e super exclusivo, os casais pagam a bagatela de U$ 415 por dia. O acesso ao quarto é feito por meio de elevadores e uma escada liga o quarto à cabine de comando.

(O guindaste-hotel e o quarto principal ao lado. O local tem filas de espera de até oito meses. Fotos tiradas desse link)

Quem não se sentir muito confortável pode trocar a hospedagem no guindaste por uma noite em um avião. A 150 quilômetros dali, na cidade de Teuge, um Ilyushin 18, avião de design soviético construído em 1960, foi transformado em suíte de luxo. Com U$ 455 por dia, o casal pode desfrutar dos diversos cômodos que a cabine de 40 metros de comprimento oferece. O Airplane Suite oferece uma enorme TV de tela plana com coleção de DVD's, internet wi-fi, mini bar, sauna e jacuzzi. O avião não decola, mas os hóspedes podem encomendar voos especiais com direito a acrobacias no ar ou mesmo salto de paraquedas.

(O corredor de 40 metros mostrando a banheira e, ao fundo, o quarto. No aeroporto de Estocolmo, na Suíça, também há um Jumbo que faz as vezes de hotel. Fotos tiradas desse link)

Para quem gosta de arte nada melhor do que Propeller Island City Lodge, em Berlim, capital alemã. Cada quarto apresenta um conceito e é montado com o objetivo provocar uma experiência nova ao visitante. As propostas estéticas são realmente irreverentes. No quarto Upside Down, azulejos coloridos e cadeiras grudadas de cabeça pra baixo fazem o teto parecer chão. No Freedom, privada branca, buraco na parede e cama suspensa por cabos de ferro fazem o hóspede se sentir em uma cadeia. O Two Lyons tem jaulas de animais, o Grufts tem camas em formato de caixão e por aí vai. O preço varia de acordo com o quarto escolhido.

(Os quartos Upside Down e Freedom. Fotos tiradas desse link)

Se o tema for literatura, a ideia então é ficar no Library Hotel, em Nova Iorque. Os livros estão nas salas, no restaurante, nos quartos e, claro, na sala de leitura aberta 24 horas. Cada um dos dez andares apresenta livros de um tema, como Artes, Ciências, Conhecimentos Gerais, Filosofia e Religião. O preço é de U$ 220 por dia para o casal.

(Livros por todos os lugares. Foto tirada desse link)

Ao invés do aconchego de uma livraria, o turista pode escolher a rigidez de um palácio de gelo. O Ice Hotel, na impronunciável Jukkasjärvi, cidade suíça próxima ao círculo polar ártico, é um hotel feito inteiramente de gelo. E inteiramente significa tudo, desde as paredes aos lustres, passando pelas camas e pelos copos do bar. Os preços variam de acordo com a acomodação e a época do ano, mesmo assim são bastante salgados. Afinal, é um hotel é temporário. No verão europeu o gelo vira água e, quando o inverno começa, um designer é chamado para desenhar e construir novamente o Ice Hotel.

(A simples entrada do Ice Hotel esconde as belezas do seu interior. E pra quem acha que lá dentro é frio, a temperatura é quase sempre melhor que do lado de fora. Fotos tiradas desse e desse link)

A Bolívia também oferece um hotel parecido, mas ao invés de gelo, ele é feito de sal. O Palácio de Sal, localizada no Salar de Uyuni, a maior planície salgada do mundo. Paredes, tetos e grande parte do mobiliário do hotel é feito da substância. O local apresenta salão de jogos, campo de golfe, piscina, spa e conta com 16 cômodos que se assemelham a iglus salgados. O preço da diária varia de U$ 100 a U$ 135 de acordo com o quarto escolhido.

(O sal está por todas as partes, menos nas almofadas. Foto tirada desse link)

Para quem acha que o ramo hoteleiro não está peculiar o suficiente, há boas novidades. Em 2010 profissionais de diversos ramos começaram a construção do Poseidon Undersea Resort, um hotel de luxo embaixo d'água nas ilhas Fiji. Mais especificamente 12 metros embaixo d'água. O local vai contar com sete bares e seis restaurantes, entres eles o maior restaurante embaixo submerso do mundo, um mini shopping, boutiques e centro de esportes aquáticos. A inauguração do Poseidon está prevista para o ano de 2012.

(Perspectiva de como serão as cápsulas/quartos do hotel. Foto tirada desse link)

Independente da estética ou do propósito, o que todos esses hotéis mostram é que existe um público que busca uma experiência de viagem diferenciada. Para eles não basta fazer pequenos passeios inusitados ao longo dos diversos dias de estadia em uma cidade. É preciso mergulhar de cabeça em algo que lhes faça sair do roteiro comum. Muitos podem desfrutar de suas hospedagens como se fosse mais um hotel de luxo qualquer. Mas se eles realmente resolverem vivenciar a experiência a fundo, imaginando como deve ser a vida de pessoas que vivem constantemente em temperaturas negativas ou buscar entender o que leva um designer a propor um hotel para pessoas se fantasiarem de hamsters, o passeio com certeza será mais interessante.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Novo ano novo

Eu adoro datas! Aniversário, páscoa, carnaval, dia dos namorados, independência do Brasil, libertação dos índios e negros fugidos... não importa. Adoro ter motivo para fazer um dia simples se tornar especial. E se eu achar que o dia merece ser especial, mesmo ele não sendo, não tem problema. Implemento a tarde de filme com as amigas, a noite da pipoca, a festa do pijama ou mesmo o dia da faxina. Dar nome as coisas as faz se tornarem especiais. E é ótimo se lembrar de dias especiais.

(Receber e aceitar o novo. Foto tirada desse link)

Mas de todas as datas, a que eu mais gosto é o 1º de janeiro. O primeiro dia do ano é genial porque não é só o dia que parece perfeito. Nele, o ano TODO parece perfeito. O 1º de janeiro também tem o encanto de durar mais de 24 horas. Não é como o o Dia do Trabalho que não faz diferença quando cai no sábado, ou como o Natal, que parece acabar depois do almoço do dia seguinte. O 1º de janeiro pode durar quase um mês.

Esse dia carrega aquela palavra que a gente adora repetir sem realmente pensar sobre ela: esperança. Já olhou no dicionário o que ela significa? Esperança é a expectativa de um bem que se deseja. Pode ser sair do emprego velho, procurar um trabalho novo, fazer amigos, encontrar um grande amor, mudar a casa, se mudar, mudar você. De uma forma geral, a esperança de todo mundo é de que esse ano seja o melhor. E para isso meu caro amigo, é preciso fazer o melhor.

Não é preciso esperar o primeiro dia do ano para fazer o melhor, mas fica mais fácil ne? Então aproveite. Afinal, o 1º de janeiro e todas as sensações que ele carrega duram mais de um dia. O meu começa antes e termina depois e, normalmente, dura uma semana. Até o réveillon eu procuro avaliar o ano que passou. O que conquistei, os amigos que fiz, os dias que mais me diverti, em que momentos fui feliz de verdade. Também busco os erros, tento aprender com eles e, se possível, jogo fora. Não vale a pena guardar mágoas.

Meia hora para a virada, faço uma lista com o que quero que se realize no próximo ano. A desse ficou longa, mas foi, de todas, a mais simples. São pequenas mudanças que vão fazer uma enorme diferença na minha rotina - Ah, e esqueci de dizer que além de adorar datas, sou um pouco supersticiosa. Dizem que quando a lista é revelada, as coisas não acontecem. Por via das dúvidas, deixo pra contar no fim do ano e avaliar se o que escrevi se concretizou ou não.

Assim, a partir do dia 1º de janeiro encarno o "ano novo, vida nova". Para mim as coisas têm de ser colocadas em prática assim que o ano novo entrar. Até que elas se tornem um hábito eu com certeza vou errar muito, mas o que importa é não desistir. E se algo não acontece e já é outubro, tento fazer o 1º de janeiro reviver e lembrar que nunca é tarde pra tentar de novo (se já for dezembro, ai sim, deixa pro ano que vem).

Uma das coisas mais legais do ano novo é imaginar o que está por vir. Mas ainda assim, o que há de genial no primeiro dia do ano é ver que a gente é capaz de recomeçar de novo, e de novo, e de novo...!

Queria agradecer a TODOS que passaram por esse blog em 2011 e também nos anos anteriores. Sempre digo que escrevo pro prazer e que se eu tiver um bom leitor já me dou por satisfeita. Esse ano tive a satisfação de ver o blog crescer de uma forma que eu jamais imaginei e de ver cerca de 5 mil bons leitores passarem por aqui a cada mês. Um obrigado eterno e a promessa de que coisas novas estão por vir ;)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Emprego dos sonhos

"R$ 5 mil de salário, viagem para 10 países com todas as despesas pagas e seu chefe torcendo pra você passar o dia inteiro na internet". É ou não é o emprego dos sonhos? Pois é isso que a STB (Student Travel Bureau) está propondo. O processo seletivo #STBDiscover está procurando um viajante nato para esse trabalho. O ganhador se tornará o embaixador da STB


Os candidatos interessados precisam passar por várias etapas. A primeira é a criação de um perfil na internet. Depois, é preciso passar por uma entrevista em inglês via skype. Os selecionados farão uma teste on line. Por fim, os poucos que restarem vão até São Paulo para uma entrevista presencial. Aí é atualizar o visto, fazer as mochilas, curtir aquela festa de despedida e partir para a primeira aventura.

As inscrições para participar do processo acontecem até o dia 29 de setembro. O perfil reúne um pouco de tudo: o candidato pode escrever um texto sobre si mesmo, colocar quantas fotos e vídeos achar que deve, postar textos e se comunicar com os outros participantes. Eu, já fiz o meu perfil! Peço para todos irem lá, darem uma olhada nos textos e fotos e, se quiserem, clicar no coraçãozinho azul!

(Foto do meu perfil)

E tem também muita gente boa participando do processo. Abaixo uma lista daqueles que merecem uma força:

João Lucas: Sinceramente, o perfil perfeito.
Ana Flávia: Minha companheira de viagens!
Lívia Aguiar: Malemolência, alegria e bom humor.
Isabela Eugênio: Compartilho com a ela a inquietude. Ficar parada? Jamais!
Bruno Siqueira: O inusitado!
Cecília Gontijo: Para os planos B (C, D e tudo que for pouco comum)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Viagem é notícia

Viagem é notícia. Então porque eu sou o único editor de viagem nessa grande rede de informações? As pessoas me conhecem por causa das viagens. Mas o erro clássico que todas comentem – um erro bem intencionado – é quando elas me perguntam, “quando você mudou de jornalismo para viagem?”

(Viagem é notícia. Seja qual tipo de viagem for... Foto tirada desse link)

E eu tenho de dizer: “Pare agora mesmo. Eu nunca deixei de ser um jornalista. Eu simplesmente apliquei as minhas técnicas de apuração jornalísticas para uma das maiores indústrias de todo o mundo, uma indústria que não tem sido devidamente coberta”. Você sabe o nome do editor de viagem da NBC, da ABC, da CNN ou da FOX? Você não sabe porque eles não têm um.

Nem sempre foi assim. Durante sete anos eu fui correspondente internacional para o Good Morning America, da ABC. Nos 14 anos seguintes eu fui o editor de viagem para o The Today Show. Nos últimos dois anos eu tenho sido editor de viagem para o CBS News, informando os programas The early Show, The evening News e CBS Sunday Morning. Em um ponto, ABC, NBC e agora CBS tiveram um editor de viagem e – difícil de acreditar – era a mesma pessoa!

O turismo é a maior indústria do mundo se você considerar que ela contribui com mais de 9,5 porcento do PIB nacional. Ela fornece a maioria dos empregos, ela cria a maioria dos postos de trabalho. É singularmente responsável pelo PIB de cerca de 90 países. E, ainda, as pessoas pensam que “editor de viagem” significa “editor de férias”.

Acredite ou não, viagem é notícia. A palavra “viagem” transcende a demografia. Não há “demos” que se habilitam a viajar. Se você me colocar no elevador com um dos 500 mais importantes executivos do mundo e um zelador, nenhum deles vai me deixar sair de lá antes de fazer algumas perguntas. E o interessante é que, normalmente, é a mesma pergunta contada de uma perspectiva diferente.

O ponto chave é: as pessoas não acham que viagem é notícia a não ser que um vulcão entre em erupção na Islândia e o sistema de transporte seja desligado. Ou que aconteça um vazamento de petróleo no Golfo que não possa ser financiado pelo sistema educacional porque ele foi baseado nas taxas de ocupação de resorts que as pessoas já não estão visitando. É nesse ponto que podemos começar a ligar os pontos. Mas as pessoas só ligam os pontos por 30 segundos, e então voltam a pensar que editor de viagem significa editor de férias.

Se você olhar historicamente para os editores de viagens dos jornais, e é triste dizer, mas em muitos casos, vai descobrir que era alguém da mesma cidade que eles não quiseram demitir. Então disseram: “seja um editor de viagem”. Porque mesmo os jornais olhavam para a seção de viagem de domingo como nada mais que propaganda de veículos – vamos colocar essa pessoas em algum lugar onde ele não pode estragar tudo e fazer dele um editor de viagem porque eles dizem coisas boas sobre todos nós.

Antes de 11 de setembro, a maioria desses editores de viagem ainda estavam debatendo se houve grandes promoções em Maui. Não é disso que eu falo. Se eu falar sobre um acordo de viagem, será em um contexto diferente – o mercado de ações caiu 600 pontos e as pessoas não têm trabalho. Como isso afeta o preço das passagen? Você pode mesmo se dar ao luxo de viajar? E então eu explico o verdadeiro poder da viagem e que, apesar da economia difícil, o fato é que a viagem ainda está em vantagem e os negócios la fora ainda existem. E este é o lugar aonde você pode obter tudo isso, porque os outros países têm seus próprios colapsos econômicas e se você for para esses países, seja Grécia, Portugal, Irlanda, Islândia, você vai realmente se beneficiar. É por isso que eu vou começar a falar de grandes promoções em Maui.

O dia 11 de setembro teve um grande efeito na forma como viajamos e, em muitos casos, para onde viajamos, mas eu ainda estou surpreso que ainda tenha apenas um editor de viagem nas redes. De um ponto de vista de auto-serviço, eu estou feliz por ser o único cara na cidade. Mas isso não faz sentido, porque o turismo é a segunda maior empresa em muitas cidades do mundo.

O maior contato da maioria dos tomadores de decisão na midia de hoje – isso não diz repeito a uma só rede – é “eu devo ou não devo ir para Hamptons neste fim de semana?”. E é difícil – agora é menos difícil para mim, mas foi difícil começar – convencer as pessoas que realmente haviam boas histórias lá fora que não tinham nada a ver com negócios.

Este post foi adaptado de uma entrevista com Julie Moos, realizada quando Peter Greenberg visitou Poynter em 11 de agosto de 2011

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A França está em greve

O tempo todo. Entra ano sai ano os franceses têm algum motivo para irem às ruas protestar. E o que chama a atenção é como todo mundo adere à causa. Se a razão para a greve é o aumento do salário dos motoristas de ônibus, os funcionários do correio também param. Se a origem dos problemas é a restrição de gastos hospitalares por parte do governo, os estudantes lideram o movimento.

(Última greve geral em Paris, em setembro do ano passado. Foto tirada desse link)

Não é brincadeira. Comecei a escrever no google "greve frança 2010" e fui abaixando os anos e décadas. Em TODOS os anos que pesquisei encontrei artigos de jornais dizendo que os franceses protestaram por causa de alguma coisa, qualquer coisa.

Não estou dizendo que o motivo deles não é digno. Por vezes, senti inveja de toda a movimentação que eles são capazes de fazer. Aqui no Brasil cada um se preocupa com as suas razões. Ninguém adere a reivindicação dos professores públicos, dos médicos que ganham miséria ou dos motoristas que têm uma rotina de trabalho estafante. E ainda reclamam que os protestos estão atrapalhando a vida de todo mundo. O francês consegue entender. E se não entende entra na onda sem reclamar demais pois a causa sempre lhe parece justa.

Motivo histórico

A França faz greve porque? Porque funciona. Em 1789 a população foi às ruas e... voilá: fim de monarquia, início de república, garantia de direitos sociais. Foi feita a Revolução Francesa. Outro exemplo aconteceu em 1968. A greve geral foi responsável por enfraquecer o governo e abalou os costumes étnicos, sexuais, culturais e classistas de toda uma sociedade.

(Quando a criatividade se juntou às manifestações em maio de 1968. Foto tirada desse link)

No Brasil ninguém acredita mais em greve. O sindicato começa, a população não ta nem aí, eles fazem uma passeata no centro da cidade na hora do rush, a população fica ainda com mais raiva e o governo aprova tudo que eles não queriam aprovar. Conseguem no máximo um pequeno aumento de salário. Que não adianta muito se acompanharmos de perto o aumento dos preços no mercado. A França está começando a ser assim. Muitos jovens me diziam: isso não vai dar em nada, o Sarkozy vai assinar a lei (como realmente assinou). Mas ainda é diferente. Eles sabem que com uma grande movimentação, podem mudar as coisas.

Trabalhar mais? Eu?

Em 2010, o governo francês apresentou uma proposta para aumentar a idade mínima para aposentadoria. A Assembleia já tinha aprovado e o papel estava no Senado para aprovação. O último a assinar seria o presidente Nicolas Sarkozy. Se todos apoiassem a proposta, a idade para aposentadoria passaria de 60 para 62 anos. E bem, se tem uma coisa que os franceses gostam mais do que fazer greve é de não trabalhar.

(População sai as ruas de Marseille. Era só o início daquela manhã...)

Os protestos começaram em março e se tornaram cada vez mais intensos. O ápice das manifestações aconteceu nos meses de setembro e outubro. A frente dos movimentos estavam oito grandes centrais sindicais francesas, que conseguiram mobilizar não só os aposentados mas, principalmente, estudantes e os setores de transporte ferroviário, de transporte urbano e de telecomunicações.

Quando a coisa começou a pegar fogo eu estava em Clermont. Em setembro começaram as manifestações. Eles saíam da Place de Jaude e caminhavam por várias ruas, sempre passando na frente da prefeitura, das escolas e universidades. Foi então que as passeatas passaram a ser constantes e eles estabeleceram sua "sede" em um canto da praça.

Então começamos a ver estudantes manifestando. Universitários e - pasmem - alunos de ensino fundamental. Alguns pareciam estar lá pela farra, mas grande parte realmente entendia o significado da proposta de governo e, bem, também não queriam ter de trabalhar mais dois anos para se aposentar. Depois disso, foi uma cascata.

O train, que por vezes funcionava só até a praça e tinha que parar por lá para não atropelar os manifestantes, comeceu a deixar de passar. O acesso as salas de aula estavam bloqueadas com cadeiras e mesas e o elevador parado. Alunos e professores iam à Universidade mas não podiam subir. Perto do início da nossa viagem, escutamos que em certas cidades os postos de gasolina não distribuiam combustíveis e que os caminhões estavam travando algumas estradas. Caos.

(Alunos de 14 a 18 anos também entraram na luta. Foto tirada desse link)

O caos chegou mais forte até nós em dois momentos. O primeiro foi quando a Cíntia ia para Portugal durante as férias de outubro. Quando chegou na estação de trem, o diálogo foi mais ou menos assim:
_ As linhas não estão funcionando
_ Mas se eu não pegar esse trem eu vou perder o avião.
_ Isso não é problema meu.
E então ela me ligou e fomos correndo alugar um carro. Viajamos por mais de uma hora até Saint Etienne. Ela chegou 10 minutos antes de o avião decolar. Demos sorte.

O segundo foi em Marseille, a penúltima cidade do nosso roteiro. Sempre escutamos que em alguns locais a greve era mais acentuada. Eram Lille, Paris, Bordeaux e Marseille. Pensamos que essa "acentuação" fosse em número de pessoas na rua ou em quantidade de placas e penduradas pelos edifícios públicos. Mas quando o assunto é greve, os franceses são bem originais. Ao chegar em Marseille, as esquinas estavam cheias de lixo. CHEIAS.

(Foto tirada desse link)

Pensamos que os caminhões estavam por passar, ou passariam a noite. Mas a verdade é que eles também estavam em greve. Alguns passavam esporadicamente para tirar o excesso, mas a ideia era que o lixo ficasse por ali mesmo, atrapalhando e enojando todo mundo.

Chegamos quase a noite e fomos procurar um hostel. Chegamos, nos alocamos, tomamos um banho demorado e saímos. Marseille tem grandes avenidas e ruas estreitas. Nós demos a sorte de entrar em uma rua estreita no momento em que um caminhão de lixo (vejam vocês) resolveu melhorar um pouco aquela zona. Ficamos 40 minutos atrás de uma fila de carros cheirando aquele delicioso odor. Coisas que só acontecem na França.