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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Em detalhes

Detalhes, histórias e lugarzinhos que fazem de Vichy uma cidade memorável (e não apenas pelos cosméticos milagrosos!)
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(A cúpula de um dos estabelecimentos de tratamento com águas termais)

(Uma das estações de águas termais de Vichy, no Parc des Sources. Para pegar um pouco de água é preciso de receita médica)

(Luxuosos hotéis. Cores calmas e sacadas em ferro fazem a graça dos prédios da cidade)

(O caminho coberto do Parc les Sources que mais parece cenário de filme dos anos 20)

domingo, 12 de setembro de 2010

Agradável Vichy

Na hora em que pensamos em Vichy, uma de nós já soltou: "lá é a terra dos cremes. Vou comprar um monte de Vichy pra usar. Quem sabe dá pra levar pro Brasil e vender mais caro também?". E foi assim que começou a proposta da nossa primeira viagem pela França. Por sorte, percebemos logo de cara que a pequena cidade francesa era muito mais do que seus cosméticos.

Vichy (pronuncia-se Vi-chí), está a 50 km de Clermont-Ferrand e tem cerca de 25 mil habitantes. O turismo local é voltado principalmente para o uso terapéutico ou estético das suas águas termais. De Vichy brotam fontes de águas termais ricas em bicarbonato de sódio e gás carbônico, que ajudam no tratamento de problemas de fígado, vesículas, estômago, pâncreas e intestinos. Suas águas (e seus benefícios) já eram conhecidos desde 52 a. C., o que fez a cidade prosperar economicamente e em grande velocidade.

(A cidade é cheia de grandes e luxuosos hotéis que recebem pessoas do mundo inteiro, principalmente por causa das suas águas termais)

Durante a Segunda Grande Guerra, entre os anos de 1940 e 1944, o governo francês se mudou para a cidade e ela se tornou a capital da França. A escolha de Vichy como sede do governo francês deu-se por diversos fatores, entre eles a proximidade com Paris e a grande capacidade hoteleira local.

Dá pra perceber que a cidade sempre foi chique! Além dos caríssimos tratamentos termais, a cidade conta com um imenso campo de golfe de 5 km no meio da floresta, um Hipódromo, um Casino e diversas galerias de arte e roupas de marca. Só coisa de gente rica ne? Nós, quatro estudantes brasileiras que ainda não conseguimos parar de ficar convertendo euros para reais a cada compra, aproveitamos Vichy de um outro jeito.

Feita de casas e parques

A passagem de trem para Vichy era bem barata. Na França, quem tem entre 18 e 25 anos pode fazer uma carta para conseguir descontos em passagens de trem. A carta custa 50 euros e vale até você passar dos 25. Com ela, a passagem custou 4,80. Sem ela 7,20. Barata, de toda forma.

Saímos de Clermont às 8h30 e em trinta minutos chegamos ao nosso destino. Como já disse, nada na França parece começar antes das 10h, então a cidade ainda estava um pouco parada. Passamos pelo chiquérrimo Hotel de Ville, que hoje é a prefeitura da cidade. O local foi construído em 1925 em estilo neo-renascentista. Uns passos a mais e estávamos na Place Charles de Gaulle, uma praça um tanto quanto movimentada para aquela hora do dia. Entramos em uma padaria/confeitaria e ninguém foi capaz de recusar seus quitutes.

(Já deu pra perceber que esse é o meu mal ne? Vou postar fotos dessas delícias açucaradas em quase todos os post...)

Depois do lanchinho, fomos até a Avenue Du, a avenida mais comercial da cidade. Paramos em uma farmácia e começou a sessão de beleza da linha de produtos Vichy. Durante todo o passeio não vimos nada de mais em relação à marca de cosméticos. Não sabemos se é na cidade que os produtos são produzidos ou se eles usam as famosas águas do local para isso. De toda forma, eles são muito baratos. Um pote de creme hidratante por 9 euros, enquanto no Brasil custaria mais de 70 reais e por aí vai. Sou um homem em relação a essas coisas: não compro hidratantes e tenho preguiça de usar, mas garanto que as meninas fizeram a festa!


(A Avenue Du e as Passages, ruazinhas transversais exclusivas para pedestres que guardam lojas de roupas, sapatos e toda espécie de coisas. A cidade tem várias delas)


Já na loja de doces, fui eu a primeira a entrar. Vichy também é famosa por suas pastilhas. Produzida com as águas termais da cidade e a partir de uma série de condições físico-químicas, elas eram quase um remédio para os oradores na época de sua criação. Depois, aos doceiros da região também começaram a produzir balas de diversas espécies. Compramos alguns potinhos de 1 euro e trocamos os sabores.

No meio da Avenida entramos na igreja de Saint Louis, construída de 1861 a 1865 a pedido de Napoleão III, o mais ilustre morador da região e incentivador do seu desenvolvimentos. Os nove vitrais na nave da igreja representam os santos da família imperial. O local é bonito, mas devo admitir que a própria Catedral de Clermont é infinitamente mais bonita e encantadora.

(Igreja de Saint Louis)

Depois fomos ao Parque des Sources, ou parque das fontes. Uma coisa interessante de Vichy é quantidade de área verde. A cidade já recebeu diversos prêmios nacionais de patrimônio natural devido as suas diversas espécies de árvores e flores. Os parques circundam praticamente toda a margem do grande lago de Allier, o principal da cidade. Eles são dotados de playground, mesas de ping pong, quadras ára esportes, campos de mini golfe e uma série de atrações para todas as idades. No verão eles viram o grande point da cidade e até uma "praia" é instalado no local.

(Essa é a ponte que atravessa a cidade. A tarde, sentamos em um desses parques para aproveitar o pôr do sol. Demos sorte também: o único quiosque aberto ia fechar aquele dia por causa do fim da temporada de verão e estava vendendo qualquer sorvete por 1 euro!)

O Parque de Sources é o único longe das margens do Rio. Ele foi construído em 1812 a mando de Napoleão I e está no bairro mais antigo da cidade. Ao seu redor estão todos os divertimentos da cidade. O parque tem esse nome por guardar algumas das mais importantes fontes da cidade. Ao seu redor há uma linda galeria coberta em ferro que foi construída para facilitar o trânsito das pessoas entre as fontes e as termas.

Ali perto estava uma estranha construção: duas igrejas completamente diferentes, mas uma do lado da outra, unidas entre si. Uma delas é do século XV, se chama Eglise Saint-Blaise e ficou famosa por ter atendido a diversos milagres já nos anos 1900. A outra é exatamente do século XIX e foi construída com o intuito de aumentar a primeira. Ela se chama Notre-Dâme-des-Malades e guarda um estilo art-déco.

(Então fomos para o Parc des Sources escutar o Le Quartet Steamin, que estava se apresentado todas as manhãs de setembro por lá. Eles tocam Swing, Be pop, Jazz, Bossa Nova, mas de animado não tinha quase nada...)

Depois visitamos a Ópera e o cassino da cidade. Não dava para entrar nos lugares, pois eles estavam sendo arrumados para abrigarem eventos diversos naquela noite. De fora o lugar já era enorme e muito bonito. O mais engraçado dessas cidades é imaginar como elas funcionavam nos seus anos aúreos, no século XIX, quando homens e mulheres vestiam suas melhores roupas para assistir a peças de teatro e musicais.

O almoço foi tranquilo. Encontramos um restaurante pequeno que servia comida boa e rápida. O lugar se chama Le 104. As meninas pediram massa e eu uma salada. Cada porção ficou por 5,50 euros. O próximo lerê do dia seria dar a volta na cidade de trenzinho. Porque, vocês se perguntam. É fácil: Já tinhamos andado muuuito mas, mesmo assim, não conseguiriamos ir a certos lugares a pé se quisessemos andar com calma e aproveitar a cidade. O trem nos levaria nesses locais, além de ter um audio-guia que contava a história das cidades e dos seus pontos turísticos.

(A esquerda, o trenzinho La Mouette II. A direita, uma casinha em estilo inglês)

Era um pouco salgada - 6 euros o passe adulto - mas valeu a pena. Entre as atrações pelas quais passamos estavam o Castelo Franco, construído ainda no século XV e redecorado em estilo néo-gótico, a fonte de águas de Celestin e em diversas ruas residenciais famosas pelos suas construções arquitetônicas, de inspiração colonial, inglesa ou suiça. Depois dos parques, essa foi a outra coisa que mais me chamou atenção na cidade: suas lindas casinhas de sacadas trabalhadas em ferro. Dá vontade de morar em uma delas. Também fomos à borda do rio Aillers, conseguimos ver o Hipódromo e o campo de golfe do outro lado da margem.

Ao fim do passeio de trenzinho, fomos à Les Boutiques du Forum, uma galeria com lojas de arte e souvenirs turísticos. Com todos os "lerês" compridos, voltamos àquela rua movimentada e nos deparamos com um grupo de danças folclóricas e históricas da França!

(A gente conversou nesse mesmo dia sobre como não conhecíamos nada que fosse típico da França em termos de música)

Depois de ver o sol cair às margens do Rio d'Allier, voltamos a área central da cidade e sentamos em um barzinho para esperar o nosso trem, que só ia partir às 22h20. Como qualquer cidade francesa (pelo menos até agora) desde às 20h tudo já estava fechado. No bar só tinha nós 4 e mais um outro casal, que não se demorou. Jogamos conversa fora até anoitecer e voltamos felizes. Perguntamos para o pessoal aqui da moradia se eles conheciam a cidade e muitos disseram que não ou torceram a cara, falaram que era um lugar pequeno e que não tinha nada para fazer. Realmente, um dia foi o suficiente para considerar Vichy como um lugar encantador e não entediante.