terça-feira, 24 de maio de 2011
Da janela do carro eu vi
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Viajando de carro

(No inverno europeu, casinhas como essa são comuns são comuns pelo caminho. Foto tirada desse link)
No Brasil há uma complicação a mais: a (falta de) infraestrutura. Estradas de faixa única, pistas sem acostamento, buracos e mais buracos. Isso sem contar as pontes que parecem cair aos pedaços. Está melhorando? Sim. Mas ainda é uma vergonha nacional saber que um país que vai sediar a próxima Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos de 2016 tem estradas tão precárias. As ruas e avenidas urbanas não escapam a regra. Faça um teste: coloque um CD em um carro que o rádio não tenha anti-choque e veja quantas vezes a música vai parar ou pular por causa dos desníveis do asfalto.
Na Europa a música segue tranquila. A diferença entre um país dito subdesenvolvido para um desenvolvido (salvo exceções) é a qualidade dos serviços públicos oferecidos. Ou mesmo dos privados, já que as estradas hoje em dia estão nas mãos de grandes empresas. Elas cobram pelo seu trabalho em forma de pedágio. Mas o pedágio no velho continente vale a pena. As autovias são enormes, com várias pistas e esquemas de segurança por todo lado. Placas, asfalto lisinho e espaços com brita para "enfiar" os veículos que perderam o freio (até nisso eles pensaram!).
E para quem não quer pagar pedágio, a estradinha antiga não foi destruída. Ainda está lá. Em quase todos os países europeus o condutor tem a opção de passar pela grande via, mais movimentada, maior, mais rápida, ou pela "estradinha", menor, mais escondida, mas igualmente boa. E as pequenas vias europeias tem qualidade superior a muitas das estradas brasileiras. Sem contar o visual...
A primeira boa experiência aconteceu em 2008, quando viajei a Portugal com minha família. Fomos do Porto até Lisboa de carro, parando aonde queríamos e dormindo em algumas cidades no meio do caminho. A qualidade das estradas impressionaram desde o primeiro minuto. Mas o prêmio ficou mesmo para a paisagem, principalmente no Vale do Rio Douro. A passagem estreita e cheia de curvas deixava a vista a capacidade dos portugueses de fazer da terra seu ganha-pão. Como o país é pequeno, cada pedacinho do campo era bem aproveitado. O resultado são morros com curvas de linha de vinhedos e oliveiras de cima a baixo. Uma das imagens mais bonitas que já vi na vida.
(Na primavera, a paisagens fica toda colorida pelas flores)
A segunda foi durante o intercâmbio, quando organizamos uma caravana brasileira, rumo à Oktoberfest. 14 horas de viagem, grande parte a noite, para chegar a Munique, na Alemanha. Como contei no post sobre essa viagem, o país chega a ter uma placa que significa "limite de velocidade não estabelecido". Só em estradas muito seguras - e, principalmente, com um povo que tenha noção - é possível colocar isso. Conduzimos ao lado de carros importados a 240 km/h e não vimos, nem na ida nem na volta, acidentes ou problemas.
Bem impressionadas com a experiência alemã, eu e mais duas amigas brasileiras alugamos um Twingo e viajamos pelo Sul da França. Além da certeza de uma boa estrada, o carro nos daria a liberdade necessária para a nossa ambição: 8 cidades em 7 dias. O outro ponto positivo era o preço. Alugamos o carro por 245 euros durante uma semana. O problema era só o dinheiro. Apesar do preço irrisório, teríamos dar uma caução de 1.200 euros. Demos um cheque sem fundo com 600 (#malandragem. Mas eles sabiam...) e dividimos o resto nós três. Na sexta-feira pela manhã deixamos Clermont.
(Uma amostra da vizinhança do nosso carro. Cidades antigas e casinhas de pedra apareciam de hora em hora)
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Web Afora
(Jornalismo comprometido. Os textos dos estudantes e jornalistas do blog periodismo de viajes trazem temas atuais e relevantes. Minha matéria mais recente foi sobre saúde dos povos indígenas no Brasil. Foto tirada desse link)sexta-feira, 13 de maio de 2011
Melhores destinos 2011
(Vista da Cidade do Cabo. Cultura, natureza e história por preços em conta. Foto tirada desse link)A lista traz os 25 locais mais bem cotados entre o mundo dos viajantes de plantão. A Cidade do Cabo foi uma surpresa... mas não maior do que o 3º lugar, ocupado por Machu Picchu, no Peru. O que encanta nesse destino, mais do que a exuberância da floresta amazônica, é o mistério. Como a civilização inca conseguiu construir aquela vila a milhares de metros de altura?
Em 2º lugar fica a cidade australiana Sidney. Só em 4º aparece Paris, a cidade que mais recebe turistas por ano. O orgulho brasileiro fica em 5º, com o Rio de Janeiro, que deve receber ainda mais visitantes por conta da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016.
Se a primeira já foi uma surpresa, a lista dos melhores destinos de 2011 traz outras ainda mais incomuns. No 14º lugar figura a mítica Siem Reap, no Camboja. Com o fluxo cada vez maior de pessoas, o local vem novos recebendo restaurantes, hotéis e casas noturnas. Ainda assim, os turistas vão a procura dos templos milenares bem conservados.
Grand Cayman (nas ilhas Cayman), Petra (na Jordânia) e Queenstown (na Nova Zelândia), enchem a lista de novidade. Entre os destinos comuns e igualmente dignos estão Praga (na República Tcheca), Florença (na Itália) e São Francisco (nos Estados Unidos). No fundo, uma viagem para qualquer um desses 25 lugares não tem muito erro.
Brasil de encantos mil
(Uma imagem que não cansa. Foto tirada desse link)No ranking dos 25 melhores destinos entre as Américas do Sul e Central, o Brasil não ganhou o primeiro lugar, mas ficou com o maior número de cidades da lista: nove são brasileiras. O Rio de Janeiro ficou em 2º lugar e Florianópolis em 5º. Já a cearense Jericoacoara agarrou o 7º. Para os turistas, qualquer coisa se torna mais especial quando o cenário são as praias paradisíacas da cidade. Búzios vem logo depois. Morro de São Paulo fica em 14º, Foz do Iguaçu em 16º e Salvador em 17º. Logo após Porto de Galinhas (em 19º), mais surpresa: São Paulo capital. Apesar de ser o oposto dos clichês praia, sol e carnaval, a cidade figura na lista – merecidamente – pela sua efervescência cultural.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
A mais bela surpresa
A água é mesmo um dos pontos fortes de Annecy. O lago que dá nome à cidade é o mais limpo de todo velho continente e de uma transparência sem igual. Alguns barcos atravessam o lago para chegar nas pequenas cidades que ficam do outro lado. Também são eles que colorem o rio no verão, quando pessoas de todas as idades enchem o espaço verde em frente ao lago com suas toalhas de piquenique.
Mas cada época do ano traz um novo colorido à cidade e, sinceramente, Annecy é uma cidade para se visitar no inverno. Em um dia ensolarado de inverno, mais especificamente. As montanhas nevadas ao redor são ainda mais especiais que as de Grenoble, principalmente quando as vemos refletidas no lago da cidade. Annecy tem uma natureza refinada. Verde coberto pelo branco da neve e árvores frondosas com folhas de cors pastéis. Sabe aquelas imagens de quebra-cabeça?
A arquitetura, majoritariamente dos séculos XV ao XIX, também se encaixa perfeitamente. São casas e prédios de pedras cinzas e paredes coloridas, cheias de janelas. Todos muito bem cuidados. As ruas de pouco movimento me davam a impressão de estar em uma cidade medieval. Principalmente quando me deparava com algum castelo. O mais charmoso é o Palácio da Ilha. A construção do século XII já foi centro administrativo, prisão e hoje abriga o Centro de Interpretação da Cultura e Patrimônio de Annecy.
Entre as igrejas, a Basílica da Visitação é a mais recente. Construída no século XX, a graça maior está do lado de fora, na vista que é possível ter de toda a cidade. Outro ponto importate é a Catedral de São Pedro, no centro de Annecy. É lá que estão os restos mortais do santo François de Sales, um dos mais importantes para a cidade.
Uma das construções mais imponetes é o Palácio Imperial, que já recebeu personalidades como Winston Churchill, Charlie Chaplin e Edith Piaf. Construído em 1913, o local se transformou em hotel (para poucos) em 1990. Para entrar no casino ou no centro de congressos do local é preciso grana. Já a praia e o parque do hotéis são abertos ao público.
Com um grande número de construções históricas, Annecy precisa ter cuidado para não parar no tempo. Esse esforço pode ser sentido com uma visita ao Centro Cultural de Bonlieu. Inaugurado há 20 anos, abriga diversas lojas e restaurantes e alguns para apresentações. Espetáculos de música, teatro, circo, exibições de cinema e exposições de fotografia já tiveram seu lugar por lá. Esse pode ser o marco zero para o visitante de primeira viagem. É lá que está o centro de turismo da cidade e sempre tem alguém para dar dicas de passeios.
A cidade também têm um número considerável de bares e restaurantes moderninhos, cheios em qualquer hora do dia. Dois a cada três garçons que costuram as mesas do lado de fora carregam ou uma xícara de café ou um prato de peixe vindo do lago da cidade: truta e brochet, em sua maioria.
(Praça cheia de bares e restaurantes. No alto, vista do castelo de Annecy. Foto tirada desse link)Cada se apresenta de uma forma diferente para cada pessoa. Para mim, Annecy parou no tempo. Isso aconteceu por ser domingo, mês de novembro, temperatura máxima de 3 graus. Mas também por ser pequena e por ser histórica. Mas não trocaria a Annecy que conheci pelos seus piqueniques de verão. Ela é a mais francesa das cidades. E a mais bonita.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Cercada por história e imensos e nevados alpes franceses
("Ao fim de cada rua, uma montanha", disse o famoso escritor francês Stendhal. Foto tirada desse link)
(Vista panorâmica da cidade pela manhã e ao cair da noite. Fotos do alto do forte da Bastilha, tiradas desse e desse links)A cidade sabe conciliar muito bem a história com a modernidade. Não que o centro seja cheio de prédios novos e enormes arranha-ceus. Ao contrário: é o ritmo da cidade, intensa, que não se deixa diminuir pelas marcas do passado. Ao longo das ruas, centenas de bares, restaurantes e casas noturnas. Grenoble está cheia de vida.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Estudantil por excelência
Em meados de novembro do ano passado, viajei a essa linda cidade, capital dos alpes franceses. Um amigo tinha uma amiga que estava em Grenoble fazendo um intercâmbio. Essa amiga ia receber o namorado, que também era amigo do meu amigo. E essa cidade ia receber o show de uma banda de reggae alemã, Gentleman. Tirando a banda, eram todos espanhóis. E eu, brasileira.
No primeiro dia, fomos recebidos e nos instalamos as coisas no quarto da residência estudantil da amiga. Todas as cidades francesas com boas faculdades apresentam uma ou mais unidades do Crous, o sistema de residências estudantis francesas. Eles são de vários tipos. Em Clermont-Ferrand tinha mais de uma unidade. A que eu ficava era um complexo de 6 prédios com apartamentos de 9m², banheiro, ducha e cozinha externas. Alguns amigos em Clermont ficavam em um Crous com apartamentos maiores, banheiro, ducha e mini-cozinha internos.
(Residence Ouest. Foto tirada desse link)Lá, esse esquema era ainda mais complexo. Grenoble é a terceira cidade francesa com maior número de estudantes. Entre os cerca de 150 mil habitantes, 65 mil são alunos do ensino superior. São 15 unidades com dezenas de prédios e milhares de apartamentos. Íamos dormir os quatro no mesmo quarto em uma dessas residências, bem mais organizada do que a minha. Os quartos eram bacanas e só a cozinha era coletiva, mas muito maior e mais bem equipada do que as de Clermont. Estava tudo ótimo!
No primeiro dia encontramos com o casal e algumas amigas. Ficamos conversando. Pouquíssimo em francês. Normal, todos falavam espanhol. O que não me incomodava. Ao contrário, gostava de escutá-los conversando e ficava tentando captar o assunto a todo custo. Fomos ao show, nos divertimos a beça e voltamos para a residência altas horas da madrugada.
(12ª noite do reggae. Ficamos tanto tempo do lado de fora, conversando e bebendo, que chegamos na metade do show. Foto tirada desse link)No outro dia saímos para conhecer a cidade. Passeamos por todos os lados, almoçamos um enorme sanduíche, subimos o teléferico de Grenoble e passeamos pelo mercadinho de natal, tradição nas maiores cidades francesas. Com o dia terminando, fomos para um bar de narguilé perto do centro. Mais espanhóis. Comigo, separadamente, todos conversavam em francês. Mas um minuto de distração e me via as voltas com jotas em som de "r" e pronomes depois dos verbos. Como disse, não me importava com a língua. Es bellísima! Mesmo assim, quando escutava alguém falando francês era como música para os meus ouvidos.
Em conjunto, decidiram fazer um grande jantar. Passamos em uma loja para comprar comida e quando voltamos à residência me vi em uma cozinha com mais de 20 hispanohablantes. Estava na Espanha! Foi quando um deles me disse que na cidade havia mais de 200 estudantes Erasmus espanhóis. Fora os que vivem na cidade para fazer mestrado ou doutorado. Increíble tío!
Ele disse que todas as "nacionalidades" viviam assim. Ingleses, italianos, chineses, brasileiros. Grenoble tem uma pequena-grande comunidade de cada país. E isso pode ser ruim e pode ser bom. Viver com pessoas que partilham a mesma cultura é ótimo. Certeza de satisfação e festas semanais. Mas se o convívio for exagerado perde-se em aprendizado. Vive-se pouco da cultura francesa e fala-se menos ainda uma língua que não é nossa.
(Praça Central do campus da universidade de Grenoble. Excelência em ensino. Foto tirada desse link)Até então tentava compreender o que era aquela cidade para um estudante estrangeiro. Tão grande... mas tão pequena. A capital dos alpes franceses foi feita para o aluno que não perde o foco. Para alguns, é fundamental equilibrar a experiência francesa e o convívio entre os pares para não voltar frustado do intercâmbio. Mas para outros pouco importa: tudo é festa!
Principalmente se for dia de clássico! Barcelona e Real Madrid disputavam o campeonato espanhol na noite do último dia da nossa viagem. Nem era para estarmos lá mas, por sorte, perdemos o trem e trocamos o bilhete para a manhã do dia seguinte. Quando entrei, o bar estava LOTADO. 3 telões e 2 pequenas tvs. Cerveja. Camisas e bandeiras dos dois times. Vi todas as pessoas que já tinha encontrado durante aqueles dias e mais uma penca de espanhóis. E argentinos, peruanos, brasileiros, franceses. 5 a 0 para o Barsa. Aquilo que era festa!
(É ou não é? Foto tirada desse link)