
Já era segunda-feira e entrei na internet disposta a pagar até 150. Uma amiga tinha amigos que desistiram e que estavam vendendo pelo preço de custo. E o melhor: como os Correios estão em greve, ia ter de pegar no Rio de Janeiro. Comprando na mão dela tinha a segurança de que não eram falsos e de que a pessoa realmente ia me vender. Fechei o negócio na terça, comprei as passagens na quarta. Na quinta já estava no Rio.
A ideia inicial era passar o fim de semana no Rio, já que o dinheiro com a passagem ia ser gasto de todo jeito. Mas como sexta ainda é dia útil, estar em Belo Horizonte pela manhã se tornou uma necessidade. A ideia então era aproveitar a cidade ao máximo até a hora do show. Assim, resolvemos ir de ônibus pela madrugada. A passagem custou R$ 71. Às 00h30 da quinta-feira já estávamos na estrada.

Chegamos ao Rio às 7h30, em plena hora do rush. Demoramos meia hora no trânsito até o ônibus conseguir parar na rodoviária. Depois, mais trinta minutos até encontrar um ônibus que seguisse até Copacabana. Enfim instalados, o passeio ia começar.
Ainda assim, o centro do Rio de Janeiro guarda alguns tesouros. Um deles são suas lojas charmosas e seus cafés, daqueles que se tem vontade de passar o dia inteiro, como a Livraria da Travessa. Outro tesouro são os prédios antigos, de arquitetura particular, como o Theatro Municipal. Construído no início do século XX, ainda é um dos teatros mais bonitos do país. A Biblioteca Nacional então nem se fala. Linda e enorme, seu projeto traz elementos neoclássicos e de art-nouveau. É a maior biblioteca da América Latina e guarda todo o patrimônio documental do Brasil.

Foi quando o ônibus saiu do centro e começou a passar pela Avenida Brasil. É nesse momento que o turista se apaixona pelo Rio. A avenida é larga e junta e totalmente arborizada. De um lado os prédios antigos, colados uns no outro, e uma grande cidade que acorda para mais um dia de trabalho. Do outro, o aterro do Flamengo, aquele espaço enorme com quadras, jogos e pessoas e mais pessoas fazendo caminhada, olhando para o mar. A junção perfeita entre a praia e o espaço urbano.
Alguns quilômetros dali, descemos em Copacabana. Um sonho de praia. Entrei no posto 3, coloquei meu biquini, tirei meu sapato e fui para a areia. Tínhamos tempo, então andamos sem pressa pela praia, experimentei a água (sempre gelada) no meu pé e sentei para aproveitar a paisagem. Até arrisquei pedir uma água de coco, mas fiquei indignada com o preço-pega-turista de R$ 3,50. Continuamos andando. Passamos por adolescentes que brincavam de altinho, velhos que jogavam vôlei de praia e artistas que reproduziam o Rio de Janeiro na areia.
Passamos pelo Arpoador e chegamos em Ipanema. Subimos nas pedras que ficam a esquerda da praia. A vista dali é incrível. De uma só vez se vê toda a praia de Ipanema, a praia do Leblon, a Pedra da Gávea (onde as pessoas pulam de paraglider e asa-delta), e os outro morros que moldam o Rio de Janeiro. Se Copacabana é feita de charme, Ipanema é feita de beleza. Apesar de famosa e muito frequentada, ali se pode ser mais você ao invés de se sentir obrigado a achar o local realmente espetacular, como acontece com Copacabana.
A caminhada por Ipanema foi rápida. Resolvemos ir para a Barra da Tijuca de uma vez pois era dali que sairia o ônibus até a Cidade do Rock. Antes de entrar no Barra Shopping e almoçar, resolvemos ir à praia da Barra da Tijuca. Jamais imaginei que a caminhada seria TÃO longa. O bairro é de rico e os quarteirões são tomados por grandes condomínios de luxo que impedem a ligação da avenida das Américas, onde o ônibus nos deixou, à orla da praia. Só tinha um caminho possível.

Voltamos para o shopping e descobrimos que a responsável pelos ingresso só ia chegar mais tarde. Depois do almoço mais lento do mundo, entrei na internet, rodamos o shopping e ainda ficamos uma hora e meia sentados olhando para o teto. "Não é possível que eu estou no Rio de Janeiro dentro de um shopping", pensei. Devíamos ter abandonado a ideia "almoço no shopping" por um peixe frito na beira do mar...